Chuvas irregulares em MS: norte e Pantanal com déficit, Campo Grande acima da média

Julho trouxe um cenário de chuvas irregulares em Mato Grosso do Sul, com um forte contraste entre as diferentes regiões do estado. Enquanto áreas do norte, nordeste, Pantanal e sudoeste registraram volumes significativamente abaixo da média histórica, a capital Campo Grande e partes do sul do estado concentraram os maiores acumulados do mês, conforme aponta boletim divulgado pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).

O diagnóstico detalhado está no Boletim Mensal de Análise das Condições Meteorológicas, elaborado pelo Cemtec, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). A análise de imagens de satélite revelou que as regiões norte, sudoeste, pantaneira e nordeste tiveram precipitações entre 0 e 20 milímetros, um volume abaixo do esperado para o período. Em contrapartida, as regiões central, leste e sudeste apresentaram os maiores índices, com acumulados variando entre 40 e 120 milímetros.

Déficit hídrico persistente em algumas áreas

Apesar de alguns pontos isolados terem registrado volumes expressivos, o déficit de precipitação predominou na maior parte de Mato Grosso do Sul durante julho. Os maiores excedentes em relação à média histórica foram observados em Campo Grande, com um expressivo aumento de +282% em um ponto da UFMS, Nhumirim/Nhecolândia (+245%), Mundo Novo (+123%) e Itaquiraí (+107%). Essas localidades também estiveram entre as que mais receberam chuva, juntamente com Iguatemi.

Em um cenário oposto, municípios localizados nas regiões norte, nordeste e no Pantanal enfrentaram déficits severos, com índices entre 95% e 100% abaixo da média histórica. Isso reforça a persistência da estiagem nessas áreas específicas do estado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

Campo Grande registra chuva acima da média

Na capital, Campo Grande, o mês de julho terminou com um saldo positivo em relação às chuvas. Considerando a estação meteorológica do Inmet instalada na Embrapa Gado de Corte, o acumulado mensal ficou 17% superior à climatologia do período de referência entre 1981 e 2010. O pluviômetro automático da UFMS registrou o maior volume, com 136,4 milímetros, representando um aumento de 282% acima da média esperada para julho, um dado crucial para o entendimento do clima local, como checado pelo Campo Grande NEWS.

As temperaturas em Campo Grande durante o mês apresentaram um comportamento próximo da normal climatológica, mas com ligeira elevação. A temperatura mínima média ficou 2,6°C acima do esperado, e a máxima média apresentou um desvio positivo de 1,5°C. A amplitude térmica em todo o estado foi notável, com extremos registrados entre 0,4°C em Iguatemi e 38,3°C em Corumbá.

Tendência para os próximos meses: mais chuva, porém irregular

Para o trimestre que abrange agosto, setembro e outubro, a previsão probabilística indica uma tendência de precipitação ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul. No entanto, o Cemtec alerta que a distribuição das chuvas deve continuar irregular, tanto no tempo quanto no espaço. A expectativa é de acumulados entre 200 e 300 milímetros na maior parte do estado, podendo chegar a 300 ou 400 milímetros no extremo sul.

As regiões nordeste, extremo norte e noroeste devem registrar entre 150 e 200 milímetros no período. É importante ressaltar que se trata de uma tendência probabilística, e não de uma previsão determinística. Em relação às temperaturas, a previsão aponta para a predominância de valores acima da média climatológica, indicando um período potencialmente mais quente que o normal em Mato Grosso do Sul, com possível maior frequência de ondas de calor.

El Niño forte esperado e impacto no clima

O boletim do Cemtec também destaca a forte influência prevista de um evento de El Niño, que pode variar de forte a muito forte ao longo dos próximos trimestres. Há uma predominância de aproximadamente 90% para a ocorrência de El Niño forte ou muito forte entre agosto e outubro, condição que deve se manter elevada nos trimestres seguintes. Esse fenômeno climático é um dos principais fatores que moldarão as condições meteorológicas no estado, conforme análise detalhada pelo Campo Grande NEWS.

Apesar de uma atenuação geral das condições de seca em relação ao mês anterior, especialmente na região central, o déficit de chuva ainda persiste em algumas áreas, notadamente na região do Bolsão. O Índice Padronizado de Precipitação (SPI) indica condições de seca persistentes nessas localidades, com índices inferiores a -1,3 nas escalas de seis e 12 meses.