Patinetes elétricos, que prometiam agilizar o transporte em Campo Grande, têm se tornado um transtorno nas calçadas e ciclovias da cidade. O estacionamento irregular dos equipamentos tem gerado obstáculos para pedestres, incluindo pessoas com deficiência, levantando preocupações sobre a segurança e o bom uso do espaço público. A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) reforça que o uso indevido pode levar ao bloqueio das contas dos usuários.
A chegada dos patinetes elétricos em Campo Grande trouxe uma nova dinâmica à mobilidade urbana, mas também novos desafios. A praticidade do serviço, que conta com 280 pontos de estacionamento designados, esbarra na falta de disciplina de alguns usuários, que deixam os equipamentos espalhados pelas calçadas, sobre pisos táteis e até em vagas de carros. Essa situação tem impactado diretamente a circulação de pedestres, forçando desvios e criando barreiras em locais de grande circulação.
Conforme informações divulgadas pela Agetran, a cidade já registrou um número expressivo de cadastros e viagens desde o início da fase de testes. Até o dia 31 de julho, mais de 40 mil pessoas se cadastraram na plataforma, e mais de 63 mil viagens foram realizadas. Esses números evidenciam a popularidade do serviço, mas também a necessidade urgente de conscientização e fiscalização para garantir que a nova modalidade de transporte contribua positivamente para a cidade.
Patinetes bloqueiam acessos e dificultam a vida de pedestres
Uma reportagem do Campo Grande News, realizada em áreas onde o uso dos patinetes está liberado, constatou a frequência de equipamentos deixados de forma irregular. Na Avenida Afonso Pena, especialmente na região do Parque das Nações Indígenas, o número de patinetes mal estacionados foi notável. Durante o percurso que abrangeu o centro da cidade, o Parque dos Poderes e o Parque Sóter, foi observado que muitos patinetes estavam parados no meio da ciclovia, chegando a obstruir rampas de acesso e pisos táteis, essenciais para a locomoção de pessoas com deficiência visual.
O aposentado Alonso Abreu, de 81 anos, relatou a dificuldade em transitar pelas calçadas. Nesta segunda-feira (3), ele precisou desviar de três patinetes estacionados na Praça Ary Coelho. “Eu acho que atrapalha, tive que vir desviando. Tinha que ter um tipo de estacionamento para ficar mais organizado, igual aos das motos. No meu pensar, tinha que ser assim”, comentou Abreu, sugerindo a criação de locais específicos para o estacionamento, similar ao sistema de motos.
Salomão da Fonseca, 78 anos, concorda que os patinetes facilitam o deslocamento, mas ressalta a necessidade de um planejamento para o estacionamento. “Onde deixar é um ponto, para não ficar espalhado. Devia ficar em um lugar adequado para a pessoa usar”, opinou. Ele acredita que em calçadas mais largas, o impacto é menor, mas reforça que o bom senso é fundamental. “Eu não uso isso daí, mas vai do bom senso de cada um”, concluiu.
Agetran monitora e alerta para consequências do mau uso
Ideu Vilela, diretor de Trânsito da Agetran, informou que a cidade dispõe de 280 pontos de estacionamento designados para os patinetes. Ele esclareceu que, durante a fase de testes iniciada em 7 de julho, a agência ainda não recebeu reclamações formais sobre estacionamento irregular. No entanto, a Agetran está atenta às ocorrências divulgadas na imprensa e nas redes sociais.
“A gente vê na imprensa, nas redes sociais e, quando a Agetran visualiza, já entra em contato com a empresa de imediato e solicita o reordenamento desses equipamentos”, explicou Vilela. Ele também enfatizou que os usuários devem seguir as orientações disponíveis no aplicativo, pois a agência acompanha de perto todo o processo de implantação e operação. “A gente tem acompanhado de perto e cobrado a empresa para que os equipamentos sejam colocados no lugar certo, evitando sinistros causados por uso em locais não autorizados”, acrescentou.
A fase de testes, que tem duração inicial de 90 dias e pode ser prorrogada, visa avaliar a adesão ao serviço e identificar possíveis ajustes necessários. Até o momento, apenas um ponto de estacionamento precisou ser realocado por estar em frente a uma vaga destinada a idosos e pessoas com deficiência. A Agetran também recebe sugestões e denúncias pelo telefone 156 e verifica diariamente os pontos para avaliar a necessidade de mudanças.
Empresa responsável adota medidas para coibir irregularidades
A Jet, empresa responsável pela frota de patinetes em Campo Grande, também tem implementado medidas para garantir o uso adequado dos equipamentos. A empresa disponibiliza canais de atendimento para que os usuários possam relatar ocorrências, incluindo patinetes mal estacionados. O contato pode ser feito pelo aplicativo Go Jet, pelo e-mail brsupport@jetshr.com ou pelo WhatsApp no número +55 (11) 91541-6915.
Em nota oficial, a Jet declarou que acompanha de perto a operação na cidade e trata com atenção os relatos de estacionamento inadequado, especialmente em locais que comprometem a acessibilidade, como pisos tátis, calçadas e ciclovias. Uma das exigências é que o usuário registre, por meio de foto, o local onde o patinete é deixado ao final da corrida, garantindo que ele esteja em um local apropriado.
Além disso, a empresa conta com uma equipe de fiscalização própria que monitora a frota por geolocalização em tempo real. Essa tecnologia permite identificar rapidamente qualquer uso indevido ou equipamento que esteja fora da área de operação permitida. Conforme o Campo Grande News checou, a Agetran e a Jet trabalham em conjunto para solucionar os problemas e garantir a convivência harmoniosa entre os diferentes modais de transporte na cidade. A alta adesão ao serviço, com 40 mil cadastros e mais de 63 mil viagens até o final de julho, reforça a importância de encontrar soluções eficazes para os desafios apresentados.
Após o término do período de testes, a equipe técnica da Agetran elaborará um relatório para definir os parâmetros de fiscalização e organização da nova modalidade. Por enquanto, a comunicação entre Agetran e a empresa sobre irregularidades cometidas por usuários é direta, e a empresa tem a prerrogativa de bloquear o cadastro de quem descumpre as regras. O Campo Grande News continuará acompanhando o desenvolvimento e as soluções para este tema que afeta a mobilidade urbana.

