Ações de siderúrgicas latino-americanas apresentaram um desempenho dividido nesta segunda-feira, refletindo as tensões do mercado regional. Enquanto a mexicana Ternium registrou alta impulsionada pela demanda automotiva e prêmios regionais na América do Norte, a brasileira CSN viu suas ações nos EUA despencarem mais de 6%. O receio de que um novo fluxo de aço plano chinês barato possa superar as defesas tarifárias do Brasil pesou sobre os investidores, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
O cenário contrapõe a resiliência do setor na América do Norte com a cautela observada na América Latina. O ETF SLX, que reúne produtoras de aço globais, registrou uma alta modesta de 0,10%, mascarando a forte divergência entre os produtores de aço longo e os fabricantes de aço plano. A pressão por barreiras tarifárias mais altas cresce no Brasil, diante da ameaça do aço chinês, que tem deprimido os prêmios domésticos de aço plano.
Mercado dividido: Aço chinês e demanda local ditam rumos
A indústria siderúrgica latino-americana está navegando em águas turbulentas, com forças opostas moldando o desempenho das empresas. De um lado, a produção de aço longo por meio de fornos elétricos, como a da Gerdau em suas usinas nos EUA, tem se mantido lucrativa, beneficiada pelo nearshoring na América do Norte e um mercado de sucata aquecido. Por outro lado, as usinas integradas brasileiras, que dependem de preços de exportação para aço laminado a quente e a frio, enfrentam concorrência desleal de cargas chinesas.
Esses carregamentos chineses chegam ao Brasil com um desconto de aproximadamente 10% em relação aos preços de lista domésticos, pressionando as margens das produtoras locais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, os preços do aço laminado a quente nos EUA se mantiveram acima de US$ 800 por tonelada curta, criando uma vantagem geográfica para a mexicana Ternium, cujos produtos podem cruzar o Rio Grande para o Texas sem tarifas, algo que usinas no Rio de Janeiro não conseguem replicar facilmente para chegar à Costa do Golfo.
Gerdau e Ternium em alta, CSN e Usiminas em queda
A Gerdau avançou 2,02%, alcançando US$ 5,06 em Nova York. O desempenho foi impulsionado pelo consumo relativamente estável de aço longo no Brasil, proveniente do setor de construção civil, e pelo alívio dos investidores em relação à sua exposição na América do Norte. A presença de mini-usinas no continente oferece uma proteção contra a pressão de importações de chapas e bobinas laminadas a quente.
A Ternium, cujas operações incluem grandes unidades de produção de placas e bobinas no México, viu suas ações subirem 1,02%, chegando a US$ 49,74. A robustez da indústria automotiva mexicana e os preços favoráveis do aço laminado a quente nos EUA, que mantêm um prêmio significativo, sustentaram a empresa. A demanda automotiva no México continua aquecida, atraindo exportações mexicanas para os EUA sem a incidência da tarifa da Seção 232.
Em contraste, a CSN sofreu a maior queda do dia, com seus ADRs negociados nos EUA despencando 6,07% para US$ 0,9299. A desvalorização reflete uma combinação de preocupações: um aumento semanal expressivo nos volumes de exportação de aço laminado a quente da China a preços inferiores aos custos de produção das siderúrgicas brasileiras, crescente pressão política em Brasília para elevar a Tarifa Externa Comum (TEC) para o aço, e uma pausa sazonal nos pedidos domésticos de aço plano para os setores automotivo, de eletrodomésticos e de máquinas.
A Usiminas, cujas ações são negociadas na B3 em Belo Horizonte, acompanhou o movimento de baixa, pressionada tanto pelos altos custos de insumos para a produção de placas quanto por um mercado doméstico que tem dificuldade em absorver tanto a produção local quanto o volume de importações. A situação da Usiminas é um reflexo do desafio enfrentado pelas usinas integradas brasileiras, que lutam para competir com o aço chinês.
Pressão chinesa e a busca por tarifas no Brasil
A queda acentuada da CSN e a dificuldade da Usiminas evidenciam a pressão exercida pelo aço chinês barato no mercado brasileiro. Os volumes de exportação de aço laminado a quente da China aceleraram em julho, com a maioria das cargas chegando a preços com desconto, quando ajustados pelo frete, em comparação com os preços de transação domésticos brasileiros. Essa situação eleva a temperatura política em Brasília, especialmente às vésperas de uma revisão programada das tarifas de importação de aço.
O governo brasileiro enfrenta um dilema. Por um lado, a necessidade de proteger a indústria nacional da concorrência desleal. Por outro, os potenciais impactos de tarifas mais altas nos custos para setores consumidores de aço. A decisão sobre acelerar ou não o aumento da TEC para o aço é vista como um fator crucial que pode remodelar os preços domésticos de aço plano e reverter a trajetória de desvalorização das ações de empresas como CSN e Usiminas, conforme analisado pelo Campo Grande NEWS.
Enquanto isso, a demanda por construção civil no Brasil mostra uma oferta estável, mas a produção de veículos enfrenta uma correção de estoques, o que tem enfraquecido os pedidos de chapas da Usiminas. Essa dinâmica conflituosa entre os setores automotivo e de construção adiciona complexidade ao cenário para as siderúrgicas brasileiras. A geografia também desempenha um papel importante, com o México se beneficiando de sua proximidade com o mercado americano, enquanto as usinas brasileiras precisam superar desvantagens logísticas e tarifárias.
O futuro do setor siderúrgico na América Latina dependerá, em grande parte, das decisões políticas em relação às tarifas de importação e da capacidade das empresas de se adaptarem às dinâmicas de oferta e demanda regionais e globais. A volatilidade observada nesta segunda-feira sinaliza um mercado em constante reajuste, onde a estratégia e a localização geográfica das empresas podem ser determinantes para o sucesso em meio a um cenário competitivo desafiador, conforme as informações apuradas pelo Campo Grande NEWS.


