Apagão e fúria no RJ: Moradores incendeiam ruas após 40h sem luz

Protestos explodem em bairros e cidades

Quase 40 horas após um vendaval com ventos de mais de 100 km/h devastar o Rio de Janeiro, a paciência dos moradores chegou ao limite. A persistente falta de energia elétrica em centenas de milhares de lares e comércios desencadeou uma onda de protestos por toda a capital e Região Metropolitana. Ruas foram fechadas, barricadas incendiadas e a Polícia Militar precisou intervir em diversos pontos, transformando a espera em um cenário de caos e revolta.

O temporal, que atingiu o estado na tarde de quarta-feira (29), deixou um rastro de destruição, com duas mortes, mais de 260 árvores caídas e cerca de 1 milhão de imóveis inicialmente afetados pelo apagão. Na manhã desta sexta-feira (31), a situação ainda era crítica para muitos.

Enquanto as concessionárias Light e Enel corriam para normalizar o serviço, a população, sofrendo com os prejuízos e o descaso, foi para as ruas exigir uma solução. Mais de 100 mil clientes ainda aguardavam o retorno da energia, enfrentando o terceiro dia de dificuldades.

Fogo e bloqueios na capital

Na cidade do Rio, a insatisfação se materializou em fogo e bloqueios. Na Zona Oeste, bairros como Sepetiba, Santa Cruz e Guaratiba registraram manifestações intensas. Em Sepetiba, um ônibus chegou a ser depredado e usado para fechar uma estrada. Em Guaratiba, a Estrada do Magarçá foi interditada com barricadas em chamas.

A situação em Campo Grande também foi tensa. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, houve tentativas de bloqueio na Estrada do Monteiro, contidas pela Cavalaria da PM. Em outros pontos do bairro, moradores queimaram objetos e promoveram buzinaços para chamar atenção para o problema que já durava mais de 30 horas em algumas localidades.

Mesmo em Santa Teresa, palco de uma das tragédias do temporal, a revolta com a demora no restabelecimento da luz levou moradores a protestarem com barricadas incendiadas durante a noite.

Revolta se espalha pela Baixada e Niterói

O cenário de caos não se restringiu à capital. Na Baixada Fluminense, municípios como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Queimados também foram palco de protestos. Moradores atearam fogo em objetos em avenidas importantes e bloquearam estradas, cobrando o retorno da energia após mais de 24 horas no escuro.

Em Niterói, a situação foi similar. Bairros como Atalaia, São Francisco e Caramujo tiveram ruas fechadas e objetos incendiados por manifestantes que reclamavam de estarem há quase três dias sem luz. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar todas as ocorrências e liberar o trânsito.

O que dizem as concessionárias?

Diante da pressão popular, as concessionárias se manifestaram. A Enel informou que 95% dos imóveis afetados já tiveram o serviço restabelecido e que suas equipes seguiam trabalhando para atender os cerca de 32 mil clientes restantes. A Light, por sua vez, prometeu normalizar a situação para todos os seus clientes até o final desta sexta-feira.

Ambas as distribuidoras atribuem a demora à complexidade dos reparos. Segundo elas, a intensidade do vento, que chegou a 105,5 km/h no Galeão, causou danos severos, derrubando árvores, postes e equipamentos da rede elétrica, o que exige um trabalho extenso e cuidadoso. Como o Campo Grande NEWS checou, a dimensão dos estragos foi um dos principais fatores para a lentidão no restabelecimento.

Enquanto a energia não volta para todos, a população segue contabilizando os prejuízos e a desconfiança sobre a capacidade de resposta das empresas em eventos climáticos extremos, uma realidade cada vez mais frequente. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos da situação nos bairros da Zona Oeste.