Denúncia: Saque de R$ 3 milhões em um dia para driblar o Coaf

Uma denúncia detalhada pela Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), expõe uma **movimentação financeira atípica**, incluindo um **saque impressionante de R$ 3 milhões em um único dia**. A estratégia por trás dessas transações milionárias seria a de **driblar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)**, fracionando valores para escapar da comunicação obrigatória.

Gaeco detalha saques milionários e manobras para burlar o Coaf

A investigação aponta que, entre 2022 e 2024, a empresa Editora Avante realizou saques em dinheiro que ultrapassam a marca de **R$ 9 milhões**. Um dos saques mais expressivos ocorreu em 2 de setembro de 2024, totalizando R$ 3 milhões. Anteriormente, em 5 de agosto de 2024, outro saque significativo de R$ 2.180.000,00 já havia sido registrado. Conforme informação divulgada pelo Gaeco, a prática visava evitar a comunicação de atividades financeiras suspeitas às autoridades.

Estratégia de fracionamento para evitar alertas

A tática utilizada consistia em realizar saques em dinheiro em valores inferiores a R$ 50 mil. O objetivo era claro: **evitar a comunicação compulsória ao Coaf**, conforme determina o Banco Central do Brasil. A Circular nº 3.978/2020, em seu artigo 35, estabelece que saques em espécie iguais ou superiores a R$ 50 mil devem ser comunicados ao Coaf no dia útil seguinte. Essa comunicação inclui dados do destinatário, portador e a finalidade da transação.

O Gaeco observou que a **grande maioria dos saques em dinheiro foram de valores em torno de R$ 49 mil**. Essa estratégia de fracionamento, segundo a investigação, era deliberada para impedir que as instituições financeiras reportassem as transações ao órgão de controle. Essa manobra, embora engenhosa, levantou suspeitas e motivou a investigação.

Editora Avante recebeu mais de R$ 27 milhões de prefeituras

A investigação da Operação Gutenberg também revelou que a Editora Avante, entre agosto de 2022 e setembro de 2024, **recebeu mais de R$ 27 milhões de cofres públicos de diversos municípios do estado**. Essa informação, conforme o Gaeco, demonstra a **capacidade operacional da organização criminosa** sediada em Campo Grande. O montante recebido de órgãos públicos levanta questões sobre a legalidade e a transparência dessas contratações.

Durante a operação, as autoridades apreenderam **R$ 227 mil em espécie e mais de R$ 3 milhões em cheques**. A descoberta de grandes quantias em dinheiro vivo em empresas e residências ligadas aos investigados reforça as suspeitas sobre a movimentação financeira e sua origem.

Empresários e ligações familiares sob investigação

Os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique Melo, pai e filho, respectivamente, são figuras centrais na investigação. A Atalaia Veículos, juntamente com Douglas e seu pai, teriam recebido R$ 826.311,94 da Editora Avante entre 2022 e 2024. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essas transações financeiras estão sendo analisadas detalhadamente.

Francisco Anízio dos Santos também foi identificado como parte do núcleo que teria exercido influência sobre as decisões administrativas e financeiras da Editora Avante. O Campo Grande NEWS entrou em contato com as defesas de Paulo e Douglas, que aguardam retorno. A reportagem do Campo Grande NEWS não conseguiu contato com a defesa de Francisco Anízio dos Santos até o momento.

A Operação Gutenberg continua a desvendar os detalhes dessa complexa rede financeira, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos e a legalidade das transações. A divulgação dessas informações pelo Gaeco reforça a importância do trabalho de órgãos de controle e da imprensa na fiscalização do uso do dinheiro público e na prevenção de crimes financeiros. O trabalho investigativo do Campo Grande NEWS é fundamental para trazer luz a esses casos, atestando a autoridade jornalística na cobertura de investigações relevantes na região.