Caos no Rio: mais de 510 mil imóveis continuam sem luz após vendaval

Vendaval devasta o Rio e deixa rastro de destruição

Um cenário de caos se instalou no Rio de Janeiro após um forte vendaval atingir o estado, deixando um rastro de destruição e um enorme contingente da população no escuro. Mais de 510 mil imóveis permanecem sem energia elétrica na manhã desta quinta-feira (30), um reflexo direto da fúria dos ventos que superaram os 100 km/h e causaram estragos significativos na infraestrutura urbana. A situação mobiliza equipes das concessionárias Light e Enel, que correm contra o tempo para restabelecer os serviços essenciais para centenas de milhares de clientes.

O impacto do temporal foi muito além da falta de luz. A queda de dezenas de árvores sobre a rede elétrica foi o principal fator para o apagão generalizado, mas a tempestade também provocou desabamentos, resultando em duas mortes na zona sul da capital, e afetou gravemente os sistemas de transporte, incluindo aeroportos, metrô e trens. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros foram acionados para múltiplos resgates, evidenciando a gravidade da emergência climática que surpreendeu os fluminenses.

A concessionária Light, responsável por grande parte da área afetada, e a Enel, que atende outras regiões, detalharam os desafios enfrentados. Ruas e rodovias bloqueadas por árvores caídas dificultam o acesso das equipes de reparo aos locais mais críticos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, bairros densamente povoados como Campo Grande e Bangu estão entre os mais prejudicados, ampliando o transtorno para uma vasta parcela da população que aguarda ansiosamente pelo retorno da normalidade.

Ventos de furacão e o colapso da rede elétrica

A força do vendaval foi impressionante. Segundo registros da estação meteorológica do Galeão, as rajadas de vento alcançaram a marca de 105 km/h, velocidade comparável a de tempestades tropicais severas. Esse fenômeno extremo foi o gatilho para o colapso parcial do sistema elétrico.

De acordo com a Light, 44 árvores de grande porte caíram diretamente sobre a fiação, interrompendo o fornecimento para 370 mil de seus clientes. A concessionária informou que todas as suas equipes estão mobilizadas em uma operação de emergência, com prioridade total em normalizar o serviço o mais rápido possível para os consumidores afetados.

A situação é igualmente crítica na área de concessão da Enel. A empresa confirmou que 142 mil imóveis ainda estavam sem energia na manhã de hoje. O principal obstáculo, segundo a Enel, tem sido o acesso, especialmente em cidades como Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, onde dezenas de árvores bloquearam vias e danificaram a rede, exigindo um trabalho complexo de remoção e reparo.

Tragédia e transtornos generalizados pela cidade

O impacto do temporal foi sentido de forma trágica e severa em toda a região metropolitana. A Secretaria Estadual de Defesa Civil confirmou a ocorrência de cinco desabamentos, incluindo a queda de um muro na zona sul do Rio que resultou na morte de duas pessoas. Além disso, os bombeiros realizaram 31 resgates em meio ao caos.

O setor de transportes também entrou em colapso. Os aeroportos Santos Dumont e Galeão enfrentaram dificuldades operacionais, assim como o metrô e os trens urbanos. A TrensRJ, que opera o sistema ferroviário, informou que dois ramais foram diretamente impactados. A circulação foi suspensa em trechos do ramal Japeri, enquanto no ramal Saracuruna os passageiros precisaram fazer troca de composição, gerando atrasos e superlotação.

A complexidade da situação é um desafio para as autoridades. Além dos resgates e da busca por um desaparecido no litoral de Angra dos Reis, o foco se volta para a restauração da infraestrutura. O Campo Grande NEWS apurou que bairros como Campo Grande, Bangu, Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes estão entre os mais afetados, com moradores relatando dificuldades e prejuízos decorrentes da longa interrupção no fornecimento de energia.

A resposta das autoridades e o que esperar

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que, durante o auge do vendaval, houve desligamentos preventivos na rede de distribuição e transmissão a partir das 15h57 de quarta-feira. Embora as cargas tenham sido 100% normalizadas pelo ONS às 17h35, os danos locais na rede de distribuição das concessionárias são extensos e exigem reparos pontuais e demorados.

Tanto a Light quanto a Enel afirmam que suas equipes trabalham ininterruptamente. No entanto, as empresas não forneceram um prazo definitivo para a normalização completa do serviço em todas as áreas afetadas, dado o volume e a complexidade dos reparos necessários. A prioridade, segundo as concessionárias, são os serviços essenciais, como hospitais e sistemas de abastecimento de água.

Enquanto a energia não retorna, a população lida com os prejuízos. O Campo Grande NEWS segue acompanhando a situação, trazendo atualizações sobre os esforços de recuperação e o impacto contínuo na vida dos moradores do Rio de Janeiro, que aguardam uma solução para o apagão que afeta mais de meio milhão de lares e estabelecimentos comerciais.