Campo Grande: Chuva Histórica em Horas Alerta para Impactos do El Niño
Em um temporal surpreendente, Campo Grande registrou em apenas cinco horas um volume de chuva que ultrapassou 89% do esperado para todo o mês de julho. A precipitação de 67,4 milímetros entre 5h e 10h desta quinta-feira (30) superou a média histórica mensal de 35,7 mm, segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Este evento extremo levanta preocupações sobre os efeitos do fenômeno El Niño, que promete intensificar as condições climáticas nos próximos meses.
O cenário de caos se espalhou pela Capital, com pelo menos 12 bairros afetados por alagamentos e falta de energia. Pontos críticos como a região do bairro Universitário e Aero Rancho registraram os maiores acumulados de chuva, impactando o trânsito e a rotina dos moradores. A Defesa Civil admitiu não ter previsto a intensidade do temporal, reforçando a imprevisibilidade dos eventos climáticos recentes.
O fenômeno El Niño, conhecido por intensificar o calor e as chuvas, já dá sinais de sua força no Mato Grosso do Sul. A combinação com dias de altas temperaturas anteriores ao temporal contribuiu para a formação de nuvens carregadas e a ocorrência de granizo. A previsão é de que o El Niño atinja sua maior intensidade na primavera, trazendo consigo um cenário de calor intenso e chuvas fortes que exigirá atenção redobrada.
Volume de Chuva Atinge Níveis Preocupantes
A quantidade de chuva que caiu em Campo Grande nas primeiras cinco horas desta quinta-feira foi extraordinária. O Inmet registrou 67,4 milímetros de precipitação, um volume que representa 88,8% da média histórica para todo o mês de julho, que é de 35,7 milímetros. A região do bairro Universitário, na zona sul da cidade, foi a mais atingida, seguida pelo Aero Rancho, com 59,6 mm, e o Jardim Panamá, com 46,2 mm.
Comparando com o ano passado, o cenário é ainda mais alarmante. Em julho de 2025, o acúmulo total de chuva na Capital foi de apenas 9,6 milímetros. Isso significa que as chuvas desta quinta-feira superaram em mais de 272% o total registrado no mês inteiro do ano anterior. Esses dados, conforme o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), evidenciam uma mudança drástica nos padrões climáticos.
El Niño: A Força por Trás do Temporal
Especialistas apontam o fenômeno El Niño como um dos principais fatores por trás do temporal em Campo Grande. O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e temperatura em diversas partes do planeta. No Brasil, ele tende a aumentar as chuvas no Sul e no Sudeste e a diminuir no Nordeste.
A previsão meteorológica indica que o El Niño, atualmente em formação, ganhará intensidade ao longo dos próximos meses, atingindo seu pico entre setembro e novembro. Este período, que coincide com a primavera, é esperado que traga consigo temperaturas mais elevadas e chuvas mais volumosas, como as vistas nesta quinta-feira. As mudanças climáticas globais podem potencializar ainda mais esses efeitos.
Caos e Impactos na Capital
A forte chuva causou transtornos significativos em Campo Grande. Pelo menos 12 bairros registraram alagamentos, e diversos pontos da cidade, como Parati, Lageado e Vila Piratininga, sofreram com a falta de energia elétrica. Vias importantes, incluindo a Avenida Ministro João Arinos, ficaram alagadas, com veículos, inclusive ônibus do transporte público, parados no trânsito por mais de uma hora.
Enéas Netto, secretário da Defesa Civil, informou ao Jornal Midiamax que a intensidade da chuva e do vento não havia sido prevista pelos institutos meteorológicos. “Nós havíamos emitido o alerta ontem, mas nós não havíamos previsto uma intensidade de vento e com essa quantidade de chuva para o dia de hoje”, declarou. A situação ressalta a importância de sistemas de alerta meteorológico mais precisos e de medidas de adaptação às mudanças climáticas.
Previsões para os Próximos Meses
A expectativa é de que o El Niño continue a influenciar o clima em Mato Grosso do Sul. Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão indica um fenômeno de intensidade fraca a moderada, com acumulados de chuva entre 100 e 200 milímetros na maior parte do estado, podendo chegar a 300 mm no extremo sul. Regiões norte, nordeste e noroeste devem registrar volumes menores, entre 50 e 100 mm.
As temperaturas médias também devem ficar acima do padrão histórico. Enquanto o normal para o período é de 24°C a 26°C na maior parte do estado, a tendência é de registros superiores. O El Niño, em conjunto com as mudanças climáticas, sinaliza um período de eventos climáticos extremos, exigindo que a população e as autoridades estejam preparadas para lidar com suas consequências.

