Temporal em Campo Grande supera previsão e eleva alerta para nível laranja

Campo Grande foi surpreendida por um temporal que superou todas as previsões meteorológicas, com rajadas de vento atingindo 64,4 km/h, conforme dados do Cemtec. A força da chuva e dos ventos levou a Defesa Civil a considerar a elevação do alerta para o nível laranja, uma situação que exige maior preparo da população e do poder público, segundo o coordenador Enéas Netto. O volume de chuva acumulado desde a madrugada desta quinta-feira (30) chegou a 75 milímetros, causando transtornos significativos em diversas regiões da capital sul-mato-grossense.

Temporal causa estragos e deixa moradores em alerta

A cidade de Campo Grande enfrentou um temporal severo que ultrapassou as expectativas dos institutos de meteorologia. Ventos fortes, que chegaram a 64,4 km/h segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), acompanharam um volume expressivo de chuva, acumulando 75 milímetros desde as primeiras horas da manhã. Essa combinação de fatores já justifica a elevação do alerta meteorológico para o nível laranja, conforme destacou o coordenador da Defesa Civil, Enéas Netto. Ele ressaltou que eventos extremos como este se tornarão mais frequentes, exigindo um planejamento mais robusto.

A Defesa Civil pede que a população entre em contato pelo número 199 para relatar os transtornos e auxiliar no mapeamento dos danos. Os estragos se espalharam por diferentes partes da cidade, incluindo alagamentos em vias importantes, queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e dificuldades no trânsito. Diferente de outras ocorrências, que tendem a se concentrar em poucos bairros, desta vez os problemas foram registrados nas regiões sul, leste, sudeste e central da Capital.

Até o momento, o Corpo de Bombeiros não registrou ocorrências de destelhamento, mas confirmou sete quedas de árvores e o alagamento de duas residências. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a força da água foi tamanha que um viaduto na Avenida Ministro João Arinos, sob o Viaduto Engenheiro Paulo Avelino de Rezende, voltou a ficar completamente submerso, repetindo um cenário já visto em fevereiro. Vídeos enviados por moradores mostram a dificuldade enfrentada por motoristas que tentavam cruzar o local alagado, arriscando seus veículos.

Viaduto e avenidas importantes sob a água

A Avenida Ministro João Arinos, na saída para Três Lagoas, foi um dos primeiros pontos a registrar alagamento severo, com a água cobrindo o trecho sob o Viaduto Engenheiro Paulo Avelino de Rezende. A situação, que se assemelha à ocorrida em fevereiro, gerou apreensão entre os condutores. Além deste viaduto, pontos de alagamento foram observados nas avenidas Thyrson de Almeida e Ernesto Geisel, bem como em ruas dos bairros Monte Alegre e Universitário, evidenciando a extensão do problema.

Moradores ilhados e córregos transbordando

No Bairro Tiradentes, na Rua do Acordeon, a situação foi ainda mais crítica, com a via completamente alagada e moradores ilhados dentro de suas casas. A água chegou a atingir cerca de 70 centímetros, alcançando a altura dos portões. O professor Maykon Medeiros, morador da região há cinco anos, relatou que o nível da água subiu rapidamente após o início da chuva, por volta das 5h. Ele descreveu o alagamento como recorrente e um problema que afeta principalmente as ruas do Acordeon e da Flauta, pedindo providências urgentes do poder público.

Na região do Bairro Santo Eugênio, o Córrego Bálsamo transbordou, com relatos de que a enxurrada chegou a residências próximas. A presidente do bairro, Nilma Maciel de Oliveira, já vinha alertando a Sisep sobre a necessidade de limpeza do córrego e das estruturas de drenagem, que estariam obstruídas por lixo e galhos, dificultando o escoamento da água. A situação é agravada pelo volume de água que desce da região das Três Barras.

Na Vila Albuquerque, o Córrego Bandeira também transbordou, causando transtornos no trânsito na esquina da Rua Portuguesa com a Avenida Senador Antônio Mendes Canale. A água invadiu a pista, dificultando a passagem de veículos e motocicletas, com alguns condutores arriscando a travessia mesmo sob o risco. O motociclista Jeferson Guerra, 48 anos, destacou que o alagamento é recorrente e perigoso, citando casos de veículos que caíram no córrego.

Árvores caídas e falta de energia em sete bairros

As fortes rajadas de vento derrubaram árvores e galhos em diversos pontos da cidade. Na Avenida Thyrson de Almeida, no Bairro Guanandi, uma leucena caiu bloqueando parcialmente a pista. No mesmo bairro, parte de um ficus caiu no cruzamento das ruas Valparaíso e Itaporã. Moradores expressaram preocupação com a deterioração de árvores antigas, temendo que caiam sobre pessoas ou veículos. A Sisep informou que está em contato com a Guarda Civil Metropolitana e a Defesa Civil para os atendimentos necessários.

A tempestade também causou interrupções no fornecimento de energia elétrica em pelo menos sete bairros: Parati, Lageado, Centenário, Vila Piratininga, Rita Vieira, Los Angeles e Silvia Regina. A Energisa classificou as interrupções como pontuais e informou que nenhum bairro ficou completamente sem energia. Na Avenida Rita Vieira, semáforos deixaram de funcionar, aumentando o risco no trânsito. A concessionária orienta a população a não se aproximar de fios partidos e a acionar os canais de atendimento em caso de problemas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Campo Grande permanece sob alerta para chuvas intensas e tempestades até o final desta quinta-feira. A previsão indica a possibilidade de novos volumes elevados de chuva, rajadas de vento entre 40 km/h e 60 km/h (podendo superar 70 km/h em pontos isolados), risco de queda de granizo, descargas elétricas, alagamentos e novas interrupções no fornecimento de energia. A mudança climática é atribuída ao avanço de uma frente fria no Sul do país, combinado com uma área de baixa pressão e o transporte de calor e umidade para Mato Grosso do Sul. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a cidade precisa estar preparada para eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.