Ventos de 105 km/h causam caos, mortes e apagão gigante no Rio de Janeiro

Caos, mortes e apagão gigante no Rio

Uma poderosa frente fria trouxe ventos com força de furacão para o Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29), provocando um rastro de destruição, mortes e um apagão que afetou milhões de pessoas. Com rajadas que ultrapassaram os 100 km/h, a cidade foi colocada em Estágio 2 de alerta, o segundo nível em uma escala de cinco, indicando risco de ocorrências de alto impacto.

A ventania causou quedas de árvores, interrupção nos transportes públicos e deixou bairros inteiros às escuras. O cenário de caos se espalhou pela capital e por diversas cidades da região metropolitana, mobilizando equipes de emergência e das concessionárias de energia.

As consequências mais graves, no entanto, foram as perdas de vidas e o drama de um desaparecimento no mar, que intensificaram a gravidade da situação. Segundo o Sistema Alerta Rio, a aproximação da frente fria pelo oceano foi a responsável por intensificar os ventos de forma tão abrupta.

Tragédia e destruição pela cidade

A força dos ventos, que atingiram 105,5 km/h no Galeão, segundo a prefeitura, teve consequências fatais. Em Santa Teresa, na região central, duas pessoas morreram após o desabamento de um muro, uma tragédia que chocou os moradores da região.

Além das mortes confirmadas, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro iniciou buscas por um pescador que desapareceu em Tarituba, na Costa Verde. A corporação informou ter sido acionada para atender a mais de 185 ocorrências diversas relacionadas ao vendaval em todo o estado.

Os estragos foram visíveis em várias partes. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, moradores de Campo Grande, na Zona Oeste, registraram imagens de barracas e comércios com produtos, mesas e cadeiras espalhados pelas ruas, obstruindo a passagem.

Mais de 1,9 milhão sem energia

O impacto no sistema elétrico foi severo, resultando em um apagão massivo. De acordo com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mais de 1,9 milhão de pessoas ficaram sem luz em todo o estado do Rio de Janeiro.

A Light, concessionária que atende parte da capital, informou que mais de 1,5 milhão de seus clientes foram afetados, principalmente na Zona Sul, Centro e Tijuca. A empresa destacou que o problema foi causado por uma “falha externa no sistema, no momento, sem relação com a operação da concessionária”.

Já a Enel, que atende outras áreas, incluindo a região Sul do estado, pontuou que cidades como Paraty e Angra dos Reis foram as mais impactadas. A distribuidora afirmou que estava realizando manobras remotas e deslocando equipes para inspecionar os locais e restabelecer o fornecimento de energia.

Transporte público paralisado

O sistema de transporte público também entrou em colapso. O Metrô Rio teve sua operação completamente interrompida nas linhas 1, 2 e 4 devido a uma falha no fornecimento de energia elétrica, iniciando um lento processo de normalização apenas no início da noite.

A situação nos trens foi ainda mais crítica. A SuperVia informou que os impactos no ramal Japeri foram de “grandes proporções”, sem previsão de retorno para a circulação. Outros ramais, como Santa Cruz e Belford Roxo, também passaram por vistorias antes de iniciar a normalização. O Campo Grande NEWS segue acompanhando as atualizações sobre o transporte na cidade.

Quedas de árvores e alerta máximo

A prefeitura do Rio registrou, até o início da noite, 25 quedas de árvores, sendo 21 sobre vias públicas e três sobre a fiação elétrica. Vídeos feitos por moradores mostraram o perigo, com postes caídos e fios espalhados pelo chão, um cenário que, como checado pelo Campo Grande NEWS, trouxe grande preocupação.

Diante do cenário, o Cemaden-RJ (Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) emitiu um alerta válido até a manhã de quinta-feira (30) para as regiões da Costa Verde, Sul, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixada Litorânea e Norte Fluminense, recomendando cautela à população.