Menina autista agredida pelo padrasto tem guarda concedida a pastores no Paraguai

Guarda de menina agredida é concedida a pastores no Paraguai

A Justiça do Paraguai tomou uma decisão significativa no caso de uma menina brasileira de 6 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que foi internada após sofrer agressões graves em Pedro Juan Caballero. A guarda provisória da criança foi concedida a um casal de pastores, indicados pela própria mãe, que afirmou manter uma relação de confiança com eles. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (21) pelo juiz Edison Escobar, da 2ª Vara do Tribunal da Criança e do Adolescente.

O caso ganhou repercussão após a menina dar entrada no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero com extensos hematomas pelo corpo, incluindo costas, peito, pescoço, rosto e nádegas. Segundo as investigações, a mãe havia saído para trabalhar, deixando a filha aos cuidados do companheiro, o padrasto de 23 anos. Ao retornar, encontrou a criança machucada e a levou imediatamente ao hospital.

O padrasto foi preso por determinação da Justiça paraguaia e transferido para a Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero. O médico legista Marcos Prieto relatou que a menina apresentava múltiplas lesões, com maior incidência nos glúteos, braços e tórax. Atualmente, ela permanece internada, recebendo tratamento médico para os ferimentos e acompanhamento psicológico, fundamental para sua recuperação.

Pai e avó paterna têm pedido de guarda negado

O pai e a avó paterna da menina, ambos residentes em Ponta Porã, no Brasil, também haviam solicitado a guarda da criança. No entanto, o pedido foi negado pelo juiz paraguaio. A justificativa apresentada foi o fato de que ambos residem no Brasil, não possuindo vínculo de residência no Paraguai. Essa decisão visa, em princípio, garantir a proximidade e o acompanhamento mais direto da criança.

Em sua decisão, o magistrado também determinou que o pai da menina seja submetido a um exame toxicológico. Conforme informações divulgadas pela imprensa paraguaia, a mãe da criança solicitou que a filha ficasse sob os cuidados do casal de pastores, argumentando que construiu uma relação de confiança com eles quando eram vizinhos. Essa indicação pesou na decisão judicial.

A imprensa paraguaia também informou que a mãe da menina responde a uma investigação por suposta violação do dever de cuidado, conduzida pelo Ministério Público do Paraguai. Outras alegações sobre o caso foram divulgadas, mas ainda não foram confirmadas oficialmente por autoridades ou documentos comprobatórios independentes.

Histórico familiar e a disputa pela guarda

Segundo a família paterna, a menina morava com a avó em Ponta Porã e foi levada pela mãe para Pedro Juan Caballero há aproximadamente oito meses. O pai declarou que não via a filha desde então e sustenta que ela permaneceu no Paraguai sem a sua autorização. Esse ponto levanta questões sobre a dinâmica familiar e a situação da criança antes das agressões.

O Campo Grande NEWS checou que a decisão sobre a guarda provisória ocorreu apenas três dias após a internação da menina, evidenciando a urgência e a sensibilidade do caso. A pronta ação da Justiça paraguaia buscou assegurar o bem-estar e a segurança da criança em um momento de extrema vulnerabilidade.

A definição da guarda provisória é um passo importante, mas o caso ainda segue em investigação. O Campo Grande NEWS acompanha os desdobramentos e busca obter mais informações sobre os fundamentos detalhados da decisão judicial e o posicionamento das autoridades paraguaias e da família paterna sobre as medidas adotadas.

Recuperação e acompanhamento da menina

A menina autista, vítima das agressões, continua internada e sob cuidados intensivos. Além do tratamento para os ferimentos físicos, o acompanhamento psicológico é considerado crucial para ajudá-la a processar o trauma sofrido. A expectativa é que ela possa se recuperar completamente e ter um futuro seguro.

A Justiça paraguaia, ao conceder a guarda provisória ao casal de pastores, demonstrou priorizar a proteção imediata da criança, considerando a indicação da mãe e a falta de vínculo residencial dos familiares paternos no país. O Campo Grande NEWS continua apurando os detalhes e as próximas etapas deste complexo caso que envolve crianças e a justiça internacional.

A situação da menina autista agredida pelo padrasto no Paraguai ressalta a importância da vigilância e da proteção infantil. A colaboração entre Brasil e Paraguai será fundamental para garantir que a justiça seja feita e que a criança receba todo o suporte necessário para sua recuperação e desenvolvimento.