Fome mundial: 645 milhões sofrem, mas há esperança, diz ONU

A fome global atingiu 645 milhões de pessoas em 2025, representando uma queda pelo terceiro ano consecutivo. Apesar da melhora, o número ainda é alarmante e reflete desafios persistentes na segurança alimentar mundial, conforme aponta o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI). A publicação, elaborada por cinco agências da ONU, incluindo a FAO, OMS e UNICEF, detalha progressos e os obstáculos que ainda impedem a erradicação da fome.

Apesar da redução, a insegurança alimentar moderada ou severa ainda afeta cerca de 2,1 bilhões de pessoas. O relatório, divulgado em Roma, ressalta que, embora o número de pessoas em situação de fome tenha diminuído, é preciso avançar mais rapidamente. O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou a necessidade de compromisso político e investimento sustentado para garantir dietas saudáveis acessíveis a todos.

O Brasil, representado pela ministra Fernanda Machiaveli, destacou que a fome é evitável quando os governos priorizam o combate à pobreza e à desigualdade. O país tem buscado implementar políticas eficazes para garantir o acesso à alimentação, um esforço que tem mostrado resultados. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atuação brasileira em fóruns internacionais tem sido crucial para debater soluções globais.

Alívio na fome, mas persistência da insegurança alimentar

A avaliação da fome global em 2025 indicou que 7,8% da população mundial sofreu com a escassez de alimentos. Este percentual é uma melhora em relação aos anos anteriores, mas ainda distante da meta de erradicação. O relatório SOFI 2026, segundo o Campo Grande NEWS, detalha que houve progresso na redução da insegurança alimentar moderada ou severa, que afeta pessoas que consomem alimentos insuficientes ou de baixa qualidade nutricional.

Até 2025, cerca de 2,1 bilhões de pessoas viviam nessa condição, uma queda em relação a 2024 e 2020. No entanto, os níveis ainda permanecem acima dos patamares pré-pandemia, demonstrando a fragilidade da recuperação. O custo de uma alimentação saudável também se mostra um obstáculo significativo, com 2,69 bilhões de pessoas incapazes de arcar com os custos em 2025.

Disparidades continentais e vulnerabilidade acentuada

A recuperação da segurança alimentar é desigual entre os continentes. Enquanto a Ásia, América Latina e Caribe mostram melhorias graduais, a África lidera o número absoluto de pessoas famintas, com uma em cada cinco pessoas enfrentando a fome em 2025, o que representa cerca de 309 milhões de indivíduos. Na África, mais da metade da população (56,6%) vivia em situação de insegurança alimentar moderada ou severa em 2025.

As áreas rurais continuam mais vulneráveis à insegurança alimentar do que as áreas urbanas. As mulheres também são desproporcionalmente afetadas, embora a diferença de gênero tenha diminuído ligeiramente em 2025. Globalmente, apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos atingiram a diversidade alimentar mínima para um consumo saudável entre 2021 e 2025, conforme dados analisados pelo Campo Grande NEWS.

Avanços lentos na nutrição infantil e materna

Os progressos na nutrição de mães e crianças são lentos e marginais, ameaçando as metas globais para 2030. Apenas 30,8% das crianças entre 6 e 23 meses no mundo consomem uma alimentação minimamente diversificada. Indicadores de alerta incluem 150 milhões de crianças com desnutrição grave, o agravamento da anemia em mulheres em idade fértil e o aumento da obesidade adulta.

Apesar desses desafios, houve um aumento do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões e uma diminuição do retardo de crescimento infantil na África. Para mitigar esses problemas, o relatório SOFI 2026 sugere investimentos em infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento e reformas em subsídios e comércio para reduzir o custo de uma dieta saudável.

Perspectivas e desafios futuros

O relatório alerta para fatores que podem agravar a situação da fome nos próximos cinco anos, como os efeitos de conflitos e eventos climáticos extremos, como o El Niño. A redução da ajuda oficial ao desenvolvimento e do financiamento humanitário também são preocupações que podem comprometer os avanços conquistados. O fortalecimento dos sistemas agroalimentares é visto como essencial para servir às populações mais vulneráveis.