Homem pede oração à mãe da ex após assassinar companheira e outro homem

Homem pediu orações à sogra após matar a companheira e um amigo dela em MS

Um caso chocante abalou a cidade de Nioaque, no Mato Grosso do Sul. Antônio Marcos da Silva, de 48 anos, assassinou a companheira, Rosenilda de Oliveira Candelário, de 48 anos, e Reginaldo Messias Bispo, de 58 anos, a facadas. O autor dos crimes enviou áudios à mãe da vítima, inclusive pedindo orações logo após os assassinatos. A família de Rosenilda contesta a versão de ciúmes apresentada por Antônio à polícia.

Antônio confessou os crimes e alegou ter agido por ciúmes, mas a irmã de Rosenilda, Rosângela Oliveira Candelário, de 44 anos, afirmou que essa justificativa não condiz com as mensagens enviadas pelo agressor à mãe delas. Conforme Rosângela contou ao Campo Grande News, Antônio passou o dia enviando mensagens à sogra, reclamando do relacionamento e da presença de Reginaldo no local.

O caso é o 15º feminicídio registrado no estado em 2024, um número alarmante que reflete a persistência da violência contra a mulher. A dinâmica dos acontecimentos, com o autor mantendo contato com a mãe da vítima e pedindo orações, adiciona uma camada de crueldade e perplexidade à tragédia.

Mensagens perturbadoras à sogra

Segundo Rosângela, nos áudios enviados à mãe no dia do crime, Antônio mencionou que ele e Rosenilda passaram a sexta-feira bebendo e que Reginaldo também estava presente. A família de Rosenilda, conforme relatado pela irmã, considera que essas declarações contradizem a versão oficial de ciúmes apresentada pelo autor à polícia.

“Ele falou em depoimento que agiu por ciúme, mas isso contradiz o que disse para a minha mãe. Falou que deixou minha irmã bebendo no bar junto com o Regis, que era uma pessoa de confiança”, explicou Rosângela ao Campo Grande News. Essa discrepância levanta dúvidas sobre os reais motivos do crime.

Em uma das gravações enviadas ao Campo Grande News, Antônio diz ter deixado Reginaldo com Rosenilda, mas que Regis “não é cara entrão, não. Ele é tranquilo. Sobre o Regis não tem problema.” Em outra mensagem, ele afirma estar próximo ao local e que “se eu ver o fogo subindo lá, já era.” A frieza e a aparente premeditação em suas palavras contrastam com o pedido final por orações.

O pedido de perdão e oração

A mãe de Rosenilda, por não saber ler e estar trabalhando, não compreendeu a gravidade das mensagens enviadas por Antônio ao longo do dia. Somente ao ouvir os últimos áudios, por volta das 19h, quando sua filha já havia sido assassinada, ela entendeu o que havia acontecido.

“Quando minha mãe ouviu os últimos áudios dele, por volta das 19 horas, minha irmã já tinha sido assassinada. Ele pediu perdão para ela e pediu oração”, contou Rosângela. O último áudio enviado por Antônio dizia: “Abraço, boa noite. Eu só peço que a senhora ore por mim.”

Histórico do relacionamento e a intensificação do álcool

Rosenilda e Antônio se conheceram na adolescência, quando a família dela se mudou para Nioaque. Após um período de afastamento, eles retomaram o relacionamento há cerca de sete meses e passaram a morar juntos, abrindo um bar na casa onde Rosenilda foi assassinada. Segundo Rosângela, foi nesse período que o consumo de álcool se intensificou.

“Ali começou a bebedeira. Minha irmã sempre teve problemas com bebida alcoólica. No dia em que Antônio a matou, eles estavam bebendo. Durante todo o dia, ele ficou reclamando dela e dizendo que iria perder a cabeça porque ela tinha muito ciúme”, relatou a irmã.

O crime e a investigação

Rosenilda foi morta a tiros na varanda da casa. Em seguida, Antônio desferiu golpes de faca em Reginaldo Messias Bispo. A Polícia Militar foi acionada após moradores ouvirem disparos de arma de fogo e, minutos depois, receberam a informação de que duas pessoas estavam mortas. No local, os policiais encontraram Rosenilda sentada em uma cadeira e Reginaldo caído no chão.

No domingo seguinte ao crime, um homem foi detido após ser encontrado com o celular de Reginaldo. Ele alegou ter encontrado o aparelho nas proximidades do local do crime. A polícia investiga se o ato pode configurar fraude processual.

Na segunda-feira, Antônio se apresentou à Polícia Civil e confessou os crimes, indicando onde descartou a arma de fogo usada contra Rosenilda, mas sem informar o paradeiro da faca utilizada em Reginaldo. A versão de ciúmes continua sendo o ponto central da confissão.