Guerra de facções na Zona Oeste
Uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) foi deflagrada nesta quinta-feira (16) para prender milicianos que utilizavam fardas falsas da Polícia Civil para patrulhar ruas de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A investigação teve início após a circulação de vídeos que mostravam os criminosos fortemente armados, tentando se passar por agentes da própria Draco durante a madrugada.
As imagens, gravadas em 4 de julho, revelaram a audácia do grupo, que usava as roupas táticas para demonstrar força em meio a uma violenta disputa territorial. A ação criminosa visava impedir o avanço de traficantes do Comando Vermelho na região do Magarçá, uma área estratégica para o controle de atividades ilegais.
A Polícia Civil identificou dois dos suspeitos que aparecem nos vídeos e agora são alvos de mandados de prisão e de busca e apreensão. A operação busca desarticular o braço armado da milícia que aterroriza a população local. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a tática de usar uniformes falsos é uma estratégia para confundir e intimidar.
Quem são os milicianos procurados?
Com base na análise das imagens e em um trabalho de inteligência, a Draco identificou Leonardo Torres Gomes, o “Léo Piloto”, e Lorran Vasconcelos Martins. Segundo as autoridades, ambos integram o grupo paramilitar chefiado por Paulo Roberto de Carvalho Martins, conhecido como “PL”, que domina a região.
Léo Piloto já possui um histórico criminal extenso. Ele foi preso em 2022 por envolvimento com a milícia, porte ilegal de arma de uso restrito e receptação. Após cumprir parte da pena, foi solto em abril deste ano, retornando rapidamente às atividades criminosas.
Lorran Vasconcelos Martins também acumula passagens pela polícia. Ele tem prisões em flagrante por sua participação em milícias que atuavam em Bangu e Guaratiba. O criminoso é considerado foragido do sistema prisional desde março, conforme checado pelo Campo Grande NEWS.
A tática da intimidação e o terror na comunidade
A investigação da Polícia Civil aponta que a principal função de Léo Piloto e Lorran era garantir a proteção do território dominado pela milícia. Eles atuavam na linha de frente, realizando patrulhas armadas para reprimir qualquer avanço de facções rivais, especialmente o Comando Vermelho.
Essa demonstração de força não se limitava aos confrontos com outros criminosos. Moradores e comerciantes da região do Magarçá, segundo a polícia, vivem sob um regime de medo, sendo obrigados a pagar taxas ilegais e a conviver com ameaças constantes e outros atos de violência.
O uso das fardas falsas da Draco era uma clara tentativa de simular uma operação policial legítima, confundindo a população e projetando uma imagem de poder e controle. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos da operação e a busca pelos foragidos.


