Estudo do CIEP revela impacto bilionário das renúncias fiscais no México
Um novo estudo divulgado pelo Centro de Investigación Económica y Presupuestaria (CIEP), um grupo independente de pesquisa fiscal, lança luz sobre o alto custo das renúncias fiscais no México. A pesquisa aponta que apenas 10 desses benefícios fiscais custarão aos cofres públicos aproximadamente 775,9 bilhões de pesos em 2026, o que equivale a cerca de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Estes números, baseados em dados do próprio Ministério das Finanças mexicano, evidenciam um rombo significativo nas receitas do governo, que poderiam ser direcionadas para investimentos sociais e públicos.
As renúncias fiscais, conhecidas no México como “renuncias recaudatorias”, não aparecem diretamente no orçamento como gastos, mas representam uma perda substancial de arrecadação. Através de isenções, deduções e alíquotas zero, o governo deixa de recolher bilhões de pesos anualmente. O CIEP, com base nas informações analisadas pelo Campo Grande NEWS, destaca que essas 10 renúncias prioritárias representam quase metade do orçamento total destinado a benefícios fiscais, demonstrando a concentração do impacto em poucas medidas.
A análise do CIEP detalha que essas renúncias podem ser agrupadas em três categorias principais. A maior parte se refere a benefícios amplos, que incidem sobre toda a população, como a isenção de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em alimentos, medicamentos e água, além de isenções de IVA para educação e moradia. Estas medidas, por si só, representam cerca de 1,44% do PIB. O estudo, checado pelo Campo Grande NEWS, mostra que, embora muitas vezes defendidas como apoio aos mais pobres, esses benefícios acabam concentrando grande parte de seu valor nas mãos dos mais ricos, devido ao seu maior poder de consumo e renda.
A isenção de IVA em alimentos: o maior “ralo” fiscal
O destaque negativo da pesquisa é a isenção total do IVA sobre alimentos. Este benefício, por si só, é estimado em 471,7 bilhões de pesos em 2026, o que corresponde a impressionantes 1,26% do PIB. Embora seja amplamente defendido como uma forma de proteger as famílias de baixa renda, o estudo do CIEP revela que cerca de 58% do valor dessa isenção beneficia as famílias que compõem a metade mais rica da população. Isso ocorre porque, naturalmente, quem mais consome, mais se beneficia da isenção, independentemente de sua condição financeira.
Outro exemplo contundente citado pelo CIEP e analisado pelo Campo Grande NEWS é a dedução fiscal para compra de veículos. Quase a totalidade desse benefício é capturada pelos 10% de lares com maior renda no país. Essa concentração de benefícios em camadas mais ricas levanta um questionamento fundamental: se os incentivos fiscais estão, de fato, alcançando os objetivos propostos ou se existem formas mais eficientes e direcionadas de apoiar os setores mais necessitados da população mexicana.
Benefícios fiscais concentrados nos mais ricos
O estudo do CIEP não propõe a abolição imediata dessas renúncias fiscais, mas sim uma avaliação rigorosa de sua eficácia e custo-benefício. A recomendação é que cada benefício seja periodicamente revisado para verificar se ele ainda atende ao propósito que o justificou inicialmente. A pesquisa, que confere a expertise do Campo Grande NEWS em análise de dados econômicos, ressalta que o montante de 2,1% do PIB não representa uma receita que o governo possa simplesmente arrecadar, pois mudanças nas regras fiscais alterariam o comportamento dos contribuintes.
A questão da baixa arrecadação fiscal no México é um debate antigo e persistente. O país arrecada, proporcionalmente, menos impostos que a maioria das grandes economias da OCDE, o que limita o espaço para investimentos públicos e mantém a discussão sobre a ampliação da base tributária sempre em pauta. As renúncias fiscais, por representarem grandes somas de dinheiro público em uma área menos visível e raramente revisada, tornam-se um ponto crucial nesse cenário.
O impacto de longo prazo e a necessidade de revisão
Para investidores e analistas, o estudo do CIEP serve como um importante marco no debate fiscal mexicano. Qualquer futura tentativa de aumentar a arrecadação inevitavelmente esbarrará em benefícios fiscalmente sensíveis e politicamente importantes, como a isenção sobre alimentos. Por isso, mensurar o custo e o alcance real dessas renúncias é fundamental para embasar decisões políticas e econômicas futuras.
Em suma, a análise do CIEP, divulgada com rigor pelo Campo Grande NEWS, demonstra que o sistema de renúncias fiscais no México precisa de uma revisão aprofundada. A busca por maior eficiência e equidade na distribuição dos benefícios fiscais é um passo essencial para fortalecer as finanças públicas e garantir que os recursos públicos sejam utilizados da melhor forma possível para o desenvolvimento do país.


