Vale nega ter considerado recompra de minas de Corumbá vendidas por US$ 1,2 bi

A Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, negou veementemente ter considerado a recompra das minas de Corumbá, um complexo localizado no Pantanal e vendido em 2022 por aproximadamente US$ 1,2 bilhão. A empresa declarou que avaliou a ideia como parte de suas análises estratégicas regulares, mas decidiu descartar qualquer investimento relacionado a esses ativos. A declaração surge em um momento delicado para a companhia, que se prepara para uma eleição acirrada para a presidência de seu conselho de administração.

O rumor sobre o possível retorno da Vale ao controle das minas de Corumbá ganhou força após uma reportagem de Lauro Jardim, que descreveu um jantar em maio envolvendo executivos seniores da Vale e os irmãos Batista, proprietários do grupo J&F, comprador dos ativos. A reportagem também mencionou uma visita às minas em um jato particular. Segundo o relato, um membro do conselho e candidato à presidência teria sugerido um estudo de joint venture com a J&F.

Em resposta à repercussão, a Vale emitiu um comunicado oficial nesta terça-feira, afirmando que, embora analise constantemente oportunidades de investimento alinhadas às suas prioridades estratégicas, as decisões de capital passam por um rigoroso processo de revisão e seguem suas regras de governança. Sobre o caso específico das minas de Corumbá, a empresa foi categórica: a oportunidade foi avaliada e qualquer investimento associado foi descartado.

A venda do complexo de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, para o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, ocorreu em 2022, como parte de uma estratégia da Vale para simplificar seu portfólio. Na época, o negócio foi avaliado em cerca de 1,2 bilhão de dólares americanos. A J&F, por meio de seu braço de mineração, agora conhecido como LHG Mining, continua a operar os ativos, que produzem minério de ferro e manganês.

Disputa pela presidência do conselho agrava a situação

O timing da notícia sobre as minas de Corumbá é particularmente sensível, pois ocorre a pouco mais de uma semana da assembleia geral de acionistas da Vale, marcada para 22 de julho. Nesta data, será eleito o novo presidente do conselho de administração, em meio a uma intensa disputa pela governança da empresa, liderada pelo fundo de pensão Previ, o maior acionista. O ex-presidente do conselho, Daniel Stieler, renunciou em 6 de julho, poucos dias antes de uma votação para sua destituição.

A Previ, ligada a um banco estatal, é frequentemente observada por possíveis influências governamentais sobre a mineradora. A controvérsia em torno de um potencial retorno à mina de Corumbá, especialmente se envolvendo um candidato à presidência do conselho, levanta questões sobre a transparência e a divulgação de informações relevantes para os investidores. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de clareza sobre contatos não divulgados pode afetar a percepção do mercado sobre a gestão da empresa, que já enfrenta turbulências internas.

Investidores reagem com cautela, mas mantêm confiança

Analistas, em sua maioria, têm tratado a disputa pela governança da Vale como ruído de gestão, sem representar uma ameaça iminente aos resultados financeiros da empresa. Grandes bancos mantiveram suas recomendações de compra para as ações da mineradora, que têm negociado próximas aos 79 reais. A Vale, como maior produtora de minério de ferro do mundo, exerce influência significativa sobre os mercados globais de aço, tornando a estabilidade de sua diretoria um fator crucial.

A publicação de Lauro Jardim detalhou que, após o jantar em maio, um membro do conselho e candidato a presidente teria enviado e-mails a colegas sugerindo um estudo de joint venture com a J&F. Outros diretores teriam tomado conhecimento do encontro e da visita às minas apenas semanas depois, o que gerou questionamentos sobre os procedimentos de comunicação interna e a divulgação de potenciais negócios. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a gestão transparente de informações é um pilar para a confiança do mercado.

O que dizem as fontes sobre a mina de Corumbá

A Vale declarou que avaliou a oportunidade de reaver as minas de Corumbá e descartou qualquer investimento relacionado. Ela vendeu esses ativos para o grupo J&F, dos irmãos Batista, em 2022, por cerca de 1,2 bilhão de dólares. A reportagem que desencadeou a negativa descreveu um jantar e uma visita às minas envolvendo figuras seniores da Vale e os Batista, levantando questões sobre um possível interesse em reavê-los. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de transparência pode impactar a governança corporativa.

Para um leitor estrangeiro, o ponto principal não é necessariamente o negócio fracassado, mas sim a questão da divulgação. Um rumor sobre um contato não revelado pode moldar a forma como os investidores avaliam um conselho já sob pressão. A Vale, através de suas declarações, busca reafirmar que seus processos decisórios são rigorosos e transparentes, apesar das especulações que circulam no mercado.