Suspeitos transferiram dinheiro de celular da vítima após morte no Inferninho

Quatro homens presos suspeitos de matar mulher e desviar dinheiro de celular

Quatro homens foram presos em Campo Grande nesta terça-feira (14) sob suspeita de envolvimento na morte de Giovana Castura Werner, de 52 anos. A vítima foi encontrada com um tiro na testa na região da Cachoeira do Inferninho, em Campo Grande, no dia 24 de março. As investigações indicam que, após o assassinato, os suspeitos teriam realizado transferências bancárias utilizando o celular da vítima, totalizando cerca de R$ 10 mil.

Conforme apurado pela investigação, as movimentações financeiras após a morte de Giovana tornaram-se uma linha crucial para identificar os envolvidos. A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão temporária, com validade inicial de 30 dias, contra os quatro suspeitos. As prisões ocorreram durante uma operação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O caso ganhou novas evidências com a descoberta de que os suspeitos teriam acessado o aparelho telefônico da vítima para realizar as transações. A polícia suspeita que o crime esteja relacionado a conflitos decorrentes da prática de agiotagem, atribuída à vítima e a pessoas que trabalhavam com ela. A investigação busca esclarecer a dinâmica exata dos fatos e o momento em que o dinheiro foi subtraído.

Dinheiro desviado após o crime

Segundo o delegado responsável pelo caso, Caio Macedo, as transações bancárias foram realizadas pelo celular da vítima. Um dos suspeitos possuía a senha do aparelho, o que permitiu o acesso e a realização das transferências. O dinheiro foi, posteriormente, distribuído entre os demais envolvidos.

“Depois da morte da vítima, foram realizadas transações bancárias, por meio do aparelho telefônico dela, para as contas de um dos suspeitos. A partir daí, ele pulverizou esse pagamento, fazendo o rateio para os outros envolvidos que foram presos hoje”, explicou o delegado. A polícia ainda apura como os suspeitos obtiveram a senha e se outras formas de acesso, como biometria ou reconhecimento facial, foram utilizadas.

Investigação apura latrocínio

As investigações não descartam a possibilidade de o crime ser tipificado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Para isso, é preciso comprovar que a intenção de subtrair os bens da vítima surgiu antes ou durante o assassinato. O celular da vítima e joias que ela portava também teriam desaparecido.

Caso seja comprovado que a morte ocorreu para viabilizar a subtração dos bens, o enquadramento jurídico pode mudar. “Caso fique demonstrado que o roubo e a subtração foram, de fato, a motivação e que a morte dela ocorreu para viabilizar essa subtração, pode ser tipificado o latrocínio. Caso essa subtração tenha surgido depois e não tenha sido planejada, pode haver um concurso de crimes, com homicídio e furto”, detalhou Macedo.

Quebras de sigilo foram fundamentais

A apuração do caso iniciou com poucos indícios. O corpo de Giovana foi encontrado em uma área isolada, e seu veículo, em outro ponto ermo, o que dificultou a obtenção de imagens e informações iniciais. A polícia solicitou quebras de sigilo bancário e telefônico para cruzar dados e avançar na investigação.

“Nesses meses que se seguiram, nós fizemos algumas representações por quebras de sigilo bancário e telefônico. Naturalmente, são informações que, eventualmente, demoram a ser respondidas pelas provedoras e pelos bancos, mas tudo ocorreu no tempo adequado”, afirmou o delegado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o valor exato subtraído ainda está sendo apurado, mas gira em torno de R$ 10 mil. O montante, no entanto, não é definitivo.

Conflito por dívidas de agiotagem

A linha investigativa principal aponta para um desentendimento relacionado à prática de agiotagem. A vítima estaria envolvida com agiotagem e teria tido um desacerto com pessoas que trabalhavam para ela. As versões apresentadas pelos suspeitos divergem em relação à dinâmica do crime, o que exige mais diligências por parte da polícia.

Além dos quatro presos, um quinto suspeito foi identificado por ter participado da ocultação do cadáver e do descarte do veículo. Este indivíduo foi conduzido à delegacia, interrogado e confirmou a versão apresentada pelos demais. Segundo o Campo Grande NEWS, todos os quatro investigados presos não possuem antecedentes criminais. Apenas um deles nega participação, enquanto os outros três apresentaram relatos conflitantes sobre quem efetuou os disparos e quem ordenou a execução.

O carro da vítima foi encontrado no dia seguinte à localização do corpo, abandonado em um matagal. Dentro do veículo, foram encontrados um projétil, vestígios de sangue e uma pá. O celular da vítima e a arma do crime ainda não foram localizados, e teriam sido abandonados em uma área erma. A investigação continua, buscando esclarecer todos os detalhes e confirmar as versões apresentadas pelos envolvidos. Conforme o Campo Grande NEWS, o caso segue em andamento.