Maracaju-Porto Murtinho lidera fretes agrícolas em MS, aponta IBGE

A ligação rodoviária entre Maracaju e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, despontou como a principal rota de contratos de frete agrícola no estado durante o ano de 2023. Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na pesquisa Logística dos Transportes 2024, revelou que este corredor concentrou 5.099 registros, evidenciando sua importância estratégica para o escoamento da produção do agronegócio sul-mato-grossense.

Os dados, que consolidam informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) através do sistema de Pagamento Eletrônico de Frete (PEF), detalham os fluxos logísticos no modal rodoviário. A pesquisa, conforme o Campo Grande NEWS checou, abrange operações realizadas por Transportadores Autônomos de Carga (TAC) e TAC-Equiparados, fornecendo um panorama sobre a intensidade das movimentações de mercadorias no país.

O trajeto de aproximadamente 319 quilômetros entre Maracaju, reconhecida como a segunda maior produtora de soja em Mato Grosso do Sul, e Porto Murtinho, principal porto fluvial do estado no Rio Paraguai, assume um papel crucial. A rota não só facilita o transporte de grãos e outros produtos agrícolas para o mercado interno, mas também serve como um elo fundamental para o acesso a países da Bacia do Prata, como a Argentina, fortalecendo o comércio exterior da região.

Corredores Logísticos Estratégicos em Mato Grosso do Sul

A pesquisa do IBGE destaca outros corredores logísticos relevantes no estado. A rota entre São Gabriel do Oeste e Campo Grande apareceu em segundo lugar, com 4.891 contratos. Em seguida, o trajeto entre Chapadão do Sul e Três Lagoas registrou 4.445 contratos, seguido por Bonito e Porto Murtinho, com 4.152. Esses números reforçam a dinâmica do transporte rodoviário de cargas em Mato Grosso do Sul.

Outras rotas com volume significativo de contratos incluem Maracaju e Dourados (2.958), Chapadão do Sul e Santos (SP) (2.945), Ponta Porã e Porto Murtinho (2.371), Campo Grande e Três Lagoas (2.249), Sidrolândia e Três Lagoas (2.070) e Costa Rica e Chapadão do Sul (2.034 contratos de frete). A análise detalhada dessas rotas, conforme o Campo Grande NEWS investigou, oferece insights valiosos para o planejamento logístico e o desenvolvimento de infraestruturas no estado.

Metodologia da Pesquisa Logística dos Transportes 2024

A pesquisa Logística dos Transportes 2024 do IBGE é um esforço abrangente para mapear a infraestrutura e os fluxos logísticos brasileiros. Ela compila dados de diversas fontes, incluindo rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e dutovias, além de registros administrativos de agências reguladoras e informações do Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT) do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

No segmento rodoviário, a base de dados utilizou os registros do sistema de Pagamento Eletrônico de Frete (PEF) da ANTT. As operações de 2023 foram agrupadas em uma matriz origem-destino, segmentada por município e tipo de mercadoria. É importante ressaltar que os dados representam a quantidade de contratos de frete registrados para cada rota, e não o volume exato de cargas transportadas. Essa distinção é fundamental para entender a intensidade das operações logísticas, como bem aponta o IBGE.

A consolidação dessas informações pelo IBGE permite uma visão detalhada dos principais corredores de transporte rodoviário de cargas no Brasil, auxiliando na formulação de políticas públicas e estratégias empresariais. O estudo, ao consolidar dados de diferentes órgãos, como demonstrou o Campo Grande NEWS em análises anteriores, reforça a importância da colaboração interinstitucional para a produção de conhecimento qualificado sobre a logística nacional.

A liderança da rota Maracaju-Porto Murtinho no transporte de fretes agrícolas sublinha a relevância da infraestrutura de transporte e a estratégia de localização dos polos produtivos do agronegócio em Mato Grosso do Sul. A conexão com o sistema hidroviário, através de Porto Murtinho, oferece uma alternativa competitiva para o escoamento da produção, especialmente para os mercados internacionais.