Briga entre empresas de ônibus eleva preços e diminui opções de viagem entre Campo Grande e São Paulo
A disputa administrativa entre as empresas de transporte rodoviário Andorinha e Guerino Seiscento já causa um impacto direto e negativo para milhares de passageiros que utilizam a rota entre Campo Grande e São Paulo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu 23 autorizações de operação da Guerino Seiscento, incluindo linhas essenciais como Campo Grande-São Paulo, Campo Grande-Santos e Três Lagoas-São Paulo. A medida, que visa apurar supostas irregularidades operacionais, já resultou em aumento de preços e redução de horários disponíveis.
A polêmica teve início com uma denúncia da Andorinha à ANTT, alegando que a Guerino estaria utilizando autorizações de linhas interestaduais para realizar operações intermunicipais dentro de São Paulo, o que configuraria concorrência irregular. A Guerino nega as acusações e afirma que a decisão da ANTT prejudica milhares de passageiros, prometendo recorrer nas esferas administrativa e judicial.
O reflexo dessa briga regulatória é sentido diretamente em Mato Grosso do Sul, onde a ligação Campo Grande-São Paulo é vital para estudantes, pacientes em tratamento médico, trabalhadores e famílias. Antes da suspensão, a concorrência entre as empresas garantia maior oferta de horários e promoções. Agora, os passageiros enfrentam dificuldades para encontrar horários e observam um aumento significativo nos valores das passagens. A situação reacende o debate sobre como a redução da concorrência afeta diretamente o bolso do consumidor.
Aumento expressivo nas tarifas
A reportagem do Campo Grande NEWS apurou que a suspensão das autorizações da Guerino Seiscento já provocou um aumento considerável nos preços das passagens entre Campo Grande e São Paulo. Anteriormente, uma passagem na categoria semi-leito custava em média R$ 342. Atualmente, o valor subiu para R$ 430,44, um acréscimo de 25,9%. Na categoria cama, o preço saltou de R$ 670 para R$ 858,32, representando um aumento de 28,1%. O tempo estimado de viagem permanece em torno de 17 horas.
Esses valores foram consultados em 13 de julho de 2026 e podem variar conforme a data da viagem, antecedência da compra e disponibilidade de assentos. A falta de opções de horários compatíveis e o aumento dos preços geram apreensão entre os passageiros, que dependem desse trajeto para diversas finalidades.
Concorrência: um fator chave para o bolso do consumidor
Especialistas em regulação de transporte apontam que a concorrência é um fator determinante para a oferta de melhores preços e mais opções para os passageiros. Mercados com maior número de empresas geralmente oferecem mais horários e promoções. A redução da concorrência, como a ocorrida na rota Campo Grande-São Paulo, tende a limitar as escolhas do consumidor e pressionar os preços para cima. Contudo, o valor final da passagem também é influenciado por outros fatores, como demanda, custos operacionais, combustível e a estratégia comercial de cada empresa.
Apesar do aumento nas tarifas da Andorinha, há outra opção para quem viaja de Três Lagoas a São Paulo: a Reunidas Paulista, com passagens a partir de R$ 285,99. No entanto, a disponibilidade de horários e as características operacionais dessa empresa podem não atender a todos os perfis de passageiros, tornando a escolha mais restrita para muitos.
Passageiros relatam dificuldades e incerteza
A situação gera insegurança para quem utiliza a rota Campo Grande-São Paulo com frequência. Passageiros como Alexandre de Souza, 33 anos, lamentam a redução da concorrência. “Sempre que uma empresa começa a se destacar oferecendo tarifas mais acessíveis e veículos mais modernos, acaba enfrentando dificuldades. No fim, ficamos dependentes das mesmas empresas, com serviços ruins, atendimento ruim, veículos antigos e preços altos”, desabafa.
Luany Oliveira, empresária da beleza, também relata problemas em Três Lagoas. “Está muito difícil comprar passagens em Três Lagoas. Os guichês frequentemente estão fechados, deixando os passageiros sem atendimento e sem informações. Quem precisa viajar diretamente para São Paulo hoje tem apenas a Reunidas como opção”, afirma. Ela também critica a qualidade dos veículos em algumas viagens, que muitas vezes são de empresas diferentes daquela em que a passagem foi comprada.
Processo na ANTT ainda está em andamento
A ANTT esclarece que a suspensão das autorizações da Guerino Seiscento é uma medida cautelar, com o objetivo de preservar o sistema regulatório enquanto o processo administrativo é analisado. Ao final da investigação, a agência decidirá pela manutenção, alteração ou revogação definitiva das autorizações. Até lá, a medida permanece em vigor, impactando diretamente o transporte de passageiros.
O caso levanta questões importantes sobre a regulação do setor de transporte e a proteção dos direitos dos consumidores. A expectativa é que a ANTT tome uma decisão que equilibre a necessidade de fiscalização com a garantia de um serviço de transporte acessível e de qualidade para todos os cidadãos. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos deste caso.
A disputa entre a Andorinha e a Guerino Seiscento, com a intervenção da ANTT, demonstra a complexidade do setor de transporte rodoviário. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a decisão da agência reguladora suspendeu 23 autorizações da Guerino, afetando rotas cruciais para Mato Grosso do Sul, como Campo Grande-São Paulo. A Guerino contesta a medida, enquanto a Andorinha alega irregularidades. O desfecho deste processo administrativo definirá o futuro das operações e o impacto nos preços das passagens.
O Campo Grande NEWS destaca que, apesar da polêmica e do aumento de preços, a situação ainda está em análise pela ANTT. A decisão final da agência reguladora terá grande peso na definição de novas regras e na garantia de um transporte rodoviário mais justo e competitivo para os passageiros que dependem dessas rotas.

