Líder da prefeita pede cassação de vereador por quebra de decoro em Campo Grande

O cenário político de Campo Grande ganhou novos contornos nesta quinta-feira (9) com o pedido de cassação do vereador Maicon Nogueira (PP) protocolado por seu correligionário e líder da prefeita Adriane Lopes, Beto Avelar (PP). A representação, que alega quebra de decoro parlamentar, foi encaminhada à Comissão de Ética e, posteriormente, à Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal. O caso se intensifica após Nogueira adotar uma postura crítica à gestão municipal e fazer postagens relacionadas à Operação Buraco Sem Fim, que investiga supostas fraudes em contratos de tapa-buraco na capital.

Este episódio marca mais um capítulo do racha na base de apoio da prefeita Adriane Lopes, que se tornou evidente em maio deste ano com a deflagração da Operação “Buraco Sem Fim”. A operação, conduzida pelo Gaeco (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço investigativo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, apura um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco.

A representação protocolada por Beto Avelar alega que o vereador Maicon Nogueira utilizou o tempo de tribuna para proferir “acusações genéricas” de supostos esquemas de corrupção na Prefeitura. Em declarações ao Campo Grande News, Avelar relembrou um alerta feito anteriormente a Nogueira, enfatizando que “quem acusa deve citar nomes e assumir as consequências”.

“Se essas consequências você não conseguir provar, você acaba sendo responsabilizado, tanto civilmente como criminalmente”, pontuou Beto Avelar. Ele também mencionou uma postagem de Maicon Nogueira nas redes sociais, que utilizou uma imagem e uma notícia sobre as investigações da Operação Buraco Sem Fim. Avelar interpretou a postagem como uma “acusação velada” de seu envolvimento na suposta corrupção, o que o levou a solicitar providências ao Conselho de Ética.

O pedido de cassação será analisado pela Procuradoria Jurídica da Câmara. A expectativa é que o órgão emita um parecer recomendando a abertura ou o arquivamento do processo disciplinar. No entanto, para evitar conflito de interesses, Beto Avelar, que também preside a Comissão de Ética, sinalizou que deixará o cargo temporariamente.

Em resposta às acusações, Maicon Nogueira declarou-se tranquilo. Ele afirmou que é natural que o líder da prefeita se incomode com vereadores que fiscalizam a gestão, especialmente em relação a decisões como o aumento do IPTU e a destinação de recursos para consórcios. Nogueira expressou confiança de que o pedido de cassação não será deferido pela Procuradoria Jurídica.

O vereador ressaltou que sua postagem em redes sociais, apesar de conter um vídeo de Beto Avelar, não teve a intenção de acusá-lo diretamente. “Nunca disse que ele estaria envolvido com esses suspeitos. O sentido da minha postagem é mostrar que, mesmo com a minha fala, o líder da prefeita me ameaçou dizendo que eu teria que apresentar provas. Eu não disse que ele é corrupto”, explicou Nogueira. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a polêmica se intensifica com as divergências sobre a interpretação das falas e postagens.

Na representação, Beto Avelar também solicita uma análise técnica detalhada da postagem de Nogueira e que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul seja acionado para se manifestar sobre o envolvimento do vereador nas investigações da Operação Buraco Sem Fim. Caso a Comissão de Ética decida não prosseguir com o pedido de cassação, Avelar sugere outras punições, como a suspensão do mandato, censura por escrito ou retratação pública.

A situação expõe a fragilidade da base aliada da prefeita Adriane Lopes e a crescente tensão entre os vereadores da base. A Operação Buraco Sem Fim, deflagrada em maio, continua a repercutir nos corredores da Câmara Municipal, evidenciando a importância da fiscalização e da transparência na gestão pública. Acompanhe as atualizações sobre este caso, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

A Procuradoria Jurídica da Câmara agora terá a palavra final sobre a continuidade do processo disciplinar contra Maicon Nogueira. A decisão poderá ter implicações significativas para o equilíbrio político na capital e para a relação entre o Executivo e o Legislativo municipal. A comunidade de Campo Grande aguarda os desdobramentos desta polêmica que afeta diretamente a representatividade e a ética no parlamento municipal, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.