Gaeco apreende R$ 3 milhões em cheques na Operação Gutenberg contra fraudes

Mais de R$ 3 milhões em cheques e R$ 200 mil em dinheiro em espécie foram apreendidos durante a Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A ação investiga um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que teria movimentado R$ 27 milhões.

A operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão, com dois foragidos. Entre os presos estão empresários, servidores públicos, profissionais de saúde e o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos. Parte do dinheiro em espécie apreendido estava em cédulas novas, ainda com lacre do Banco Central, o que reforça a gravidade da investigação.

As apreensões, atualizadas pelo Gaeco até a tarde desta quinta-feira (9), incluem também três prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Conforme o Campo Grande News checou, a quantidade de dinheiro vivo recolhido superou o balanço inicial divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Esquema milionário em contratos públicos

A Operação Gutenberg apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes. O grupo teria direcionado compras públicas de livros paradidáticos por meio de contratações diretas, baseadas em inexigibilidade de licitação. Os valores desviados dos cofres públicos ultrapassariam os R$ 27 milhões.

Conforme a investigação, esses valores eram distribuídos entre os integrantes do esquema, servidores públicos e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para ocultar a origem ilícita do dinheiro. A forma como o esquema operava demonstra uma sofisticação na tentativa de mascarar as transações, tornando a atuação do Gaeco ainda mais crucial.

Saúde pública também é alvo da investigação

A investigação também alcança a área da saúde pública. De acordo com o Gaeco, servidores públicos teriam usado sua influência sobre a regulação estadual para condicionar autorizações de exames, cirurgias e vagas em hospitais à compra dos livros vendidos pelo grupo investigado. Essa prática configura um grave abuso de poder.

Durante a operação, equipes estiveram no Core (Complexo Regulador Estadual), em Campo Grande, de onde saíram com um malote de materiais apreendidos, evidenciando a profundidade da investigação em diferentes setores do serviço público. O Campo Grande News detalhou que a atuação se estendeu por diversos municípios, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Quem são os envolvidos e os foragidos

Entre os presos estão empresários, servidores públicos, profissionais da saúde, advogados e o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos. Também foi preso Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador estadual de Regulação Assistencial.

Os dois investigados que seguem com mandados de prisão pendentes são Giovanni Paroschi Jafar e o estrategista educacional Heyder Bartz. Giovanni é o quarto integrante da família Paroschi Jafar a ser alvo da operação. Sua mãe, a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Olívia e Felipe Paroschi Jafar já estão presos. As defesas dos investigados preparam medidas judiciais para tentar revogar as ordens de reclusão.

O declínio do cheque e o impacto do Pix

A apreensão de mais de R$ 3 milhões em cheques, embora expressiva, ocorre em um cenário de acentuado declínio no uso deste meio de pagamento. Desde os anos 90, o cheque perdeu espaço, especialmente com a popularização do Pix. Atualmente, alguns bancos emitem talões apenas para pessoas jurídicas que ainda necessitam do recurso para transações de alto valor.

O fato de uma operação de combate à corrupção ainda encontrar volumes tão significativos em cheques pode indicar que, em certas esferas, especialmente as ilícitas, o instrumento ainda é utilizado para movimentações financeiras de grande monta, buscando, talvez, um rastro menos digital e mais difícil de rastrear inicialmente, como aponta uma análise do Campo Grande News sobre o comportamento financeiro.