Derrota adia o hexa e frustra geração que nunca viu Brasil campeão

O sonho do tão esperado hexa ficou mais distante para os torcedores brasileiros após a derrota para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo. Em Campo Grande, a frustração tomou conta de quem acompanhava a partida em locais públicos. Crianças choraram, parte do público deixou o local antes do apito final, e adolescentes, que nunca presenciaram uma conquista mundial do Brasil, expressaram revolta e desânimo com o resultado. Conforme apuração do Campo Grande NEWS, a decepção foi palpável.

A eliminação precoce gerou reações diversas entre os torcedores ouvidos pelo Campo Grande NEWS. Alguns já buscaram novas seleções para torcer, enquanto outros declararam que não apoiarão mais nenhuma equipe. A frustração é visível, especialmente entre os mais jovens que têm suas expectativas adiadas a cada edição do torneio.

Arthur Leite Coelho, de 16 anos, resumiu o sentimento de muitos jovens que, como ele, nasceram após o pentacampeonato de 2002. “Acho que nem meus filhos vão ver o Brasil ser campeão, porque, como já dizia meu pai, ele viu os melhores que tinha e agora eu tenho que ver essas falhas aí. Com todo o respeito, desculpa, mas não dá. A gente só passa raiva com o Brasil”, desabafou o adolescente em entrevista ao portal.

Críticas à escalação e ao desempenho

Arthur também lamentou a forma como a Copa do Mundo de Neymar terminou. “Os jogadores acabaram com a Copa do Mundo do Neymar. Não tem o que fazer. Era a Copa do Neymar e os caras conseguiram acabar com a Copa dele”, criticou, defendendo que o craque deveria ter iniciado a partida como titular.

O jovem de 16 anos também questionou a escolha de Bruno Guimarães para bater o pênalti decisivo. “Ele tinha que ter começado de titular. Porque, se ele começa de titular, ele ia bater o pênalti e não ia errar. E outra: o Vinícius Júnior, que é o protagonista do time, tinha que ter pegado a bola para bater o pênalti. Não era o Bruno Guimarães”, argumentou.

Desânimo e novas torcidas

Sem o Brasil na disputa, Arthur decidiu torcer pela Noruega, algo que ele justificou: “Não sei, vou torcer para a Noruega. Argentina não pode ser campeã de novo, não”. Essa divisão de torcidas reflete o sentimento de muitos que buscam uma alternativa após a eliminação.

Aos 7 anos, Ana Júlia viveu a eliminação com choro na Esplanada Ferroviária. Sua mãe, Patrícia, contou que a filha está começando a acompanhar a Seleção e admira Neymar. “Agora ela está tendo conhecimento, tendo emoção. Gosta do Neymar. Quem sabe na próxima ela vê o Brasil ganhar”, disse à reportagem.

A geração que nunca viu o hexa

Gabriel Nunes, também com 16 anos, já demonstrava desânimo antes mesmo do apito final. “Não, já perdemos. Nem acabou o jogo e já estou desanimado. Já está triste esse jogo”, relatou.

Assim como Arthur, Gabriel nunca viu o Brasil ser campeão mundial. Questionado se acredita que um dia verá a Seleção levantar a taça, respondeu: “Pelo jeito, não”. Nem a perspectiva da próxima Copa do Mundo trouxe otimismo. “Tá difícil esse Brasil”, concluiu.

Sem a Seleção Brasileira, Gabriel escolheu torcer pela França. “Se eu tenho que torcer para a Argentina ou para a França? França, pelo jeito, então”, afirmou.

Primeiro hexa adiado para os pequenos

A autônoma Brenda Bugini, de 26 anos, acompanhava a partida com os filhos Bernardo, de 2 anos, e Cecília, de 4 meses. O hexa seria o primeiro título mundial vivenciado por eles. “Eu acho que deram o máximo, a gente tentou. Eu estava confiante. Ia ser o primeiro hexa dos dois, mas não foi dessa vez. Estou decepcionadíssima”, lamentou.

Júlia Emannuel, de 15 anos, outra jovem que nasceu após o último título mundial do Brasil, tentou encontrar outra equipe para apoiar. “Agora eu vou torcer para Cabo Verde, porque eu gostei muito deles”, disse, sendo lembrada de que a seleção africana já havia sido eliminada. “Ah, é verdade! Gente, desculpa. Não, não tem. Agora eu não sei, eu não sou muito para futebol”, admitiu.

Júlia também sentiu a tristeza pela eliminação por causa do namorado, fã de Neymar. “Eu fiquei triste por causa do meu namorado. Ele é bem Neymar, então não posso fazer nada. Mas é isso. Daqui a quatro anos estamos de novo. A esperança nunca morre”, declarou.

Revolta e saídas antecipadas

Na Esplanada Ferroviária, parte do público começou a deixar o local antes do fim da partida, com a saída se intensificando após o segundo gol da Noruega. Crianças choravam com a derrota, evidenciando a forte carga emocional do momento.

A barbeira Vitórya Gabriele, de 22 anos, que apostava em uma vitória brasileira por 3 a 2, já não esperava uma reação após o segundo gol norueguês. “Achei que a gente ia dar uma goleada. Eu estava convicta de que ia ganhar. Era para ter acertado o pênalti, não ia ter essa diferença. Eu chutei 3 a 2 para o Brasil”, disse, frustrada.

Vitórya acreditava que apenas um milagre poderia evitar a queda. “Muito, muito chateada. Zero chances, só se fizer um milagre”, afirmou. O gol de Neymar nos acréscimos não foi suficiente para reverter o placar e evitar a eliminação.

Esperança que morre, mas não a última

Na Veiga Conveniência, a esperança ainda resistia quando a Noruega abriu o placar. Neiva Carvalho, de 42 anos, apostava na virada. “A gente fica muito revoltada, porque a gente está torcendo e esperava que o Brasil fizesse o primeiro, não a Noruega. A gente está aqui torcendo, quer que o Brasil ganhe. Estamos rumo ao hexa, Brasil!”, exclamou.

Ao ser questionada sobre a desvantagem, Neiva respondeu com otimismo: “Não, a gente vai virar. A esperança é a última que morre”. No entanto, a virada não veio, e o gol de Neymar nos acréscimos apenas confirmou a eliminação.

A operadora Jackeline Servin, de 24 anos, acompanhava a partida com a sobrinha Eloá, de 9 anos. Ela esperava um placar de 2 a 1 para o Brasil, mas o mesmo placar selou a eliminação a favor da Noruega. “Tristeza. Eu estava dando 2 a 1 para o Brasil. Agora já está uma tristeza. Não vou torcer para ninguém”, desabafou.

Eloá também estava decepcionada. “Achei que ia ganhar. Estou triste. Eu ia fazer muita festa. Queria ter feito festa”, comentou.

Maria Eduarda Portilho, de 19 anos, manteve a confiança após o primeiro gol norueguês, esperando uma reação dos jogadores brasileiros. “A esperança é a última que morre. Temos o Vini, o Neymar. O Ney tem que fazer gol”, disse.

Com a entrada de Éderson, Maria Eduarda cobrou o jogador sul-mato-grossense: “Ele tem que honrar o estado dele. Tem que fazer alguma coisa. Eu estou nervosa”.

A manicure Aparecida Torres, de 55 anos, apontou o pênalti perdido pelo Brasil como o lance que mais lamentou. “Decepcionada, mas a decepção maior foi a perda do primeiro pênalti. Falei que era 2 a 1 para o Brasil, não para a Noruega”, relatou.

Com a Seleção eliminada, Aparecida já escolheu quem apoiará: “Agora, triste ou não, tenho que dançar. Agora é a Argentina.” As declarações foram registradas pelo Campo Grande NEWS, que, conforme checou, traz informações detalhadas sobre os acontecimentos na cidade.