Greve de ônibus gera caos no Rio
A manhã desta segunda-feira (29) começou caótica para os cariocas que dependem do transporte público. Com a greve dos rodoviários iniciada à 0h, por tempo indeterminado, muitos pontos da cidade ficaram sem ônibus, gerando longas esperas e transtornos. Em meio ao impasse, o sindicato das viações, Rio Ônibus, afirmou que pelo menos 40 coletivos foram vandalizados durante piquetes na madrugada, complicando ainda mais a circulação.
A paralisação, decidida em assembleia no domingo (28), ocorre mesmo com uma decisão judicial em vigor. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinou que 50% da frota deveria estar nas ruas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil para os sindicatos envolvidos. No entanto, o número de veículos em operação ficou muito abaixo do esperado.
Enquanto os sindicatos trocam acusações sobre a responsabilidade pelo descumprimento da ordem judicial, a população sofre as consequências. Relatos de passageiros indicam uma situação crítica em diversas regiões, especialmente na Zona Oeste, onde bairros como Campo Grande e Realengo foram severamente afetados, conforme o Campo Grande NEWS apurou com moradores.
Frota reduzida e relatos de passageiros
De acordo com o Rio Ônibus, apenas 870 coletivos saíram das garagens no início da manhã, quando o mínimo determinado pela Justiça seria de 1.800 veículos. A situação gerou um verdadeiro colapso no sistema para quem precisava se deslocar.
“Tive que chamar Uber pro trabalho. Não passa ônibus nenhum em Campo Grande“, relatou a passageira Ester Santos. O drama foi compartilhado por muitos. Aline Rosa denunciou que a Rodoviária de Campo Grande estava completamente sem ônibus. “Eu moro em Guaratiba, não tem ônibus. Meu esposo saiu às 4h15 e voltou às 6h20, não tem como ir”, escreveu Eliane Cardoso, citando a falta da linha 857.
Apesar de ser ponto facultativo na cidade por causa de um jogo da seleção brasileira, muitos trabalhadores não foram dispensados e enfrentaram dificuldades. “A situação está muito difícil para quem depende do transporte público para trabalhar e estudar”, lamentou Daniel Monteiro, de Realengo, que esperou por mais de duas horas em um ponto.
Vandalismo e troca de acusações
A tensão da greve escalou durante a madrugada. O Rio Ônibus informou que mais de 40 ônibus foram vandalizados por grevistas em uma ação que, segundo a entidade, “atenta contra a segurança e tenta impedir o cumprimento da determinação da Justiça”. O Bom Dia Rio apurou que uma pessoa ficou ferida durante um desses atos, mas não havia detalhes sobre seu estado de saúde.
Por outro lado, Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários (Sintrucad-Rio), culpou o sindicato patronal pelo baixo número de ônibus nas ruas. “Nós realmente estamos tendo um problema para cumprir a determinação judicial. Não nos forneceram a escala. Quem está dificultando o cumprimento da decisão judicial é o sindicato patronal“, declarou.
O Rio Ônibus rebateu, afirmando que “desde a 0h de hoje todas as garagens estão com as portas abertas e prontas para que os rodoviários coloquem a frota na rua”. A entidade reforçou que o objetivo era atender à decisão judicial e garantir o transporte da população, como o Campo Grande NEWS verificou nos comunicados oficiais.
Quais as reivindicações da categoria?
Os rodoviários apresentaram uma pauta extensa de reivindicações para encerrar a greve. O sindicato da categoria não abre mão das propostas encaminhadas ao Rio Ônibus, que incluem a mudança da data-base para 1º de março e reajustes salariais significativos.
Entre os principais pedidos estão um salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e R$ 4 mil para os demais, além de um tíquete-alimentação de R$ 1 mil. A categoria também exige o fim do contrato temporário para profissionais do BRT, jornada de trabalho de 5 dias por 2 de folga, plano de saúde e a manutenção do passe livre.
A proposta das empresas, segundo o sindicato, representa um reajuste muito menor. O salário de um motorista de ônibus convencional, por exemplo, subiria apenas R$ 150,15, passando de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. A falta de acordo mantém a cidade em alerta, com a população aguardando uma solução.
Alternativas de transporte e operação do BRT
Para minimizar os impactos, a prefeitura informou que outros modais de transporte operam normalmente. “O Centro de Operações e Resiliência (COR) reforça que metrô, trens e barcas estão em funcionamento regular e são alternativas para a população”, postou o prefeito Eduardo Paes.
A MOBI-Rio, empresa municipal que opera o sistema BRT, informou que, no início da manhã, operava com 68% da frota planejada, com 278 veículos circulando pelos corredores. O prefeito destacou que a prefeitura se mobilizou para garantir “70% da frota dos BRTs circulando, daquilo que é o planejado para um dia de ponto facultativo”. A situação, no entanto, permanece crítica em muitas áreas não atendidas por esses sistemas, como o Campo Grande NEWS continua a acompanhar.


