O Vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, chocou ao classificar o sistema tributário do país como um “cativeiro fiscal” que afugenta investidores estrangeiros e exportadores. Em uma declaração incomumente direta vinda de dentro do próprio governo, Alckmin defendeu a reforma tributária aprovada recentemente como a solução para este “caos” que prejudica a economia nacional. Ele fez essas declarações no último sábado, 20 de junho, durante um evento no setor ferroviário em Dom Aquino, no estado de Mato Grosso.
Alckmin ataca “caos” tributário brasileiro e vende reforma
É raro que um vice-presidente em exercício ataque publicamente as regras de seu próprio país. No entanto, Geraldo Alckmin o fez neste fim de semana, e suas palavras foram impactantes. Falando em um evento do setor ferroviário em Dom Aquino, Mato Grosso, ele descreveu o sistema tributário como um “cativeiro fiscal”. A declaração serviu tanto como uma queixa quanto como uma estratégia de venda para a reforma tributária.
O argumento central de Alckmin é que a **complexidade**, e não apenas o nível de impostos, é o principal problema. Ele ressaltou que o sistema atual afasta qualquer um que deseje exportar para o Brasil ou investir em seus diversos setores. Essa dificuldade é um componente do chamado “Custo Brasil”, termo genérico para o custo adicional de se fazer negócios no país.
A solução proposta por Alckmin é a reforma tributária que o Congresso aprovou sob a liderança do Presidente Lula. O vice-presidente não é um mero observador; ele também ocupa o cargo de Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Portanto, ele critica um sistema que sua própria administração supervisiona, ao mesmo tempo em que promove a reforma como solução.
Alckmin já havia utilizado versões mais brandas dessa crítica. Em janeiro, durante a assinatura oficial de uma lei importante da reforma, seu ministério o citou em um comunicado oficial como tendo chamado o antigo sistema de “labirinto fiscal”. Essa trajetória demonstra uma preocupação consistente com a burocracia e a complexidade tributária brasileira.
A Reforma Tributária: Promessas de Crescimento e Investimento
A reforma tributária em questão visa substituir cinco impostos sobre o consumo que se sobrepõem por um único imposto sobre valor agregado (IVA) dual, sendo um federal e outro compartilhado entre estados e municípios. O objetivo é acabar com um emaranhado de regras onde as empresas precisam gerenciar dezenas de normas distintas. Alckmin apresentou números concretos sobre os benefícios esperados.
Ele projetou que a mudança poderá **aumentar o Produto Interno Bruto (PIB)** do Brasil em até 12% ao longo de 15 anos. Além disso, Alckmin estima que o investimento pode crescer 14% e as exportações, 17%. Esses números são projeções, não garantias, e a implementação do novo sistema será gradual. O novo sistema está em fase de testes este ano, com a transição completa ocorrendo em etapas ao longo da década.
Conforme o Campo Grande NEWS checou, a complexidade do sistema atual gera um custo anual estimado em R$ 1,7 trilhão, o equivalente a US$ 304 bilhões, conhecido como “Custo Brasil”. Além disso, as empresas gastam cerca de 1.500 horas por ano apenas para cumprir as obrigações fiscais, um dado alarmante que reflete a ineficiência do sistema.
Investidores em Alerta: Sinais Mistos para o Capital Estrangeiro
Para investidores estrangeiros, a franqueza de Alckmin é a principal notícia. Um ministro sênior admite publicamente que o código tributário do Brasil é uma barreira para o capital que o país tanto busca atrair. A magnitude do problema que ele descreve é real, com o “Custo Brasil” representando um fardo significativo para a economia.
No entanto, os sinais enviados ao mercado são contraditórios. O mesmo ano de 2026, que promete simplificação com a reforma tributária, também introduziu um **novo imposto de 10% sobre dividendos enviados ao exterior**, a primeira cobrança desse tipo em quase trinta anos. Essa dualidade gera tensão e incerteza no ambiente de negócios.
O Brasil está, por um lado, simplificando seu sistema tributário, mas, por outro, está aumentando a carga sobre os retornos dos investidores. Os benefícios da reforma demorarão a se concretizar, enquanto os novos custos já começam a impactar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa dicotomia representa um desafio para a atração de investimentos de longo prazo.
O Cenário Político e os Desafios da Implementação
O local escolhido por Alckmin para fazer essas declarações, em uma região produtora de commodities e para uma audiência ligada a ferrovias, não foi por acaso. Ele conectou diretamente a reforma tributária aos custos de escoamento das exportações brasileiras, destacando a importância logística para a competitividade do país.
A política também desempenha um papel crucial, especialmente em um ano eleitoral. Ao citar o Presidente Lula pelo nome, Alckmin transforma uma reforma técnica em um ativo de campanha, apresentando uma solução que começou antes de seu governo como uma conquista do atual presidente. Essa estratégia busca capitalizar politicamente os avanços na área econômica.
Por enquanto, a mensagem principal para os investidores é a necessidade de **paciência**. A simplificação tributária é um processo real, mas gradual. O sistema mais eficiente que Alckmin descreve levará anos para se refletir plenamente nas contas das empresas estrangeiras. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a expectativa é que os benefícios da reforma se manifestem plenamente apenas na próxima década, exigindo resiliência e visão de longo prazo do setor privado.


