A Bolívia acordou neste sábado com a presença de soldados em suas rodovias. O presidente Rodrigo Paz declarou estado de emergência por 90 dias e ordenou que o exército retire os bloqueios que estrangularam o fornecimento de combustível e alimentos por quase dois meses. A medida visa restaurar a ordem e a circulação, após semanas de protestos intensos que levaram o país à beira de um colapso.
A decisão, comunicada na madrugada de sábado, foi justificada pelo presidente como uma resposta à tentativa de desestabilizar a democracia boliviana. A declaração de emergência permite que as forças armadas apoiem a polícia na reabertura das vias e na proteção da população, com a proibição explícita de bloquear ruas e rodovias que afetem o transporte e os suprimentos. O congresso tem 72 horas para aprovar ou rejeitar o decreto, que pode ser revogado antes dos 90 dias se a violência cessar. Conforme o Campo Grande NEWS checou, em zonas de conflito declaradas, podem ser impostos toques de recolher e restrições de movimento e aglomeração.
A crise teve início há cerca de 50 dias, quando o governo de Paz decidiu cortar subsídios de combustível para reduzir o déficit fiscal. Essa medida provocou um aumento da inflação, desencadeando protestos liderados por sindicatos, trabalhadores rurais e apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que exigiam a renúncia de Paz. As barricadas em estradas cruciais isolaram a capital administrativa, La Paz, retendo caminhões-tanque e paralisando diversos setores da economia.
O Alto Custo Humano e Econômico dos Bloqueios
O saldo dessa crise é trágico. Pelo menos 17 pessoas morreram, a maioria por falta de atendimento médico devido à paralisação do transporte, segundo o escritório do provedor de justiça e grupos de direitos humanos. As autoridades relatam 365 prisões e 37 feridos. As prateleiras dos supermercados esvaziaram e alguns hospitais chegaram a ficar sem oxigênio durante o auge dos protestos. No sábado, cerca de 35 bloqueios ainda persistiam, um número significativamente menor do que os mais de 100 registrados no pico da crise.
A economia boliviana sofreu um duro golpe com a interrupção das cadeias de suprimentos. A escassez de combustível afetou o transporte de mercadorias e pessoas, elevando os custos e dificultando o acesso a bens essenciais. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação em La Paz e El Alto começa a dar sinais de melhora, mas ainda não retornou à normalidade, com lacunas persistentes no fornecimento de combustível e outros itens.
Um Acordo Parcial e Resistência
Na sexta-feira à noite, o presidente Paz assinou um acordo de pacificação com a COB, a principal central sindical, cujos líderes haviam pedido o fim dos bloqueios. No entanto, setores alinhados a Evo Morales rejeitaram o acordo e mantiveram as estradas bloqueadas. Os cocaleiros do Chapare e os agricultores Túpac Katari, grupos com forte base de apoio a Morales, prometeram confrontar as forças de segurança, que ainda não haviam chegado às áreas de maior resistência. Nesse contexto, Washington anunciou um apoio de US$ 20 milhões para combater o narcotráfico e o crime organizado na Bolívia.
Para os estrangeiros residentes, a recomendação principal é priorizar viagens aéreas em vez de rodoviárias, especialmente nas regiões de Chapare e Cochabamba, onde os bloqueios ainda são significativos. As restrições de circulação impostas pelo decreto podem mudar rapidamente em zonas de conflito, sendo essencial verificar as condições locais antes de qualquer deslocamento intermunicipal. Conforme o Campo Grande NEWS informou, é aconselhável verificar as condições com as companhias aéreas e o consulado, além de manter dinheiro em espécie e suprimentos essenciais à mão.
A declaração de estado de emergência representa um passo drástico do governo para retomar o controle e garantir a estabilidade do país. A expectativa é que a ação militar seja eficaz em desobstruir as vias e restabelecer o fluxo normal de bens e serviços, aliviando a pressão sobre a população e a economia boliviana. A situação continua sendo monitorada de perto, com a esperança de uma resolução pacífica e rápida para a crise.


