Guiana aposta em gás para criar indústria e ir além do petróleo

A Guiana, país sul-americano que recentemente se tornou um grande produtor de petróleo, está traçando um plano ambicioso para diversificar sua economia e garantir um futuro próspero para além da era do petróleo. A estratégia central é aproveitar o gás natural, que é extraído junto com o petróleo, para gerar energia de baixo custo e, com isso, atrair indústrias pesadas e de alta tecnologia. Esta iniciativa visa criar um legado econômico duradouro, respondendo à pergunta universal que aflige todas as nações produtoras de petróleo: o que resta quando o fluxo de barris diminui?

Conforme informação divulgada pela fonte, a Guiana quer transformar o gás que surge com o petróleo offshore em energia barata, e usar essa energia para impulsionar indústrias que possam sobreviver à volatilidade do mercado de petróleo. O plano se divide em duas fases principais, com o objetivo de reduzir drasticamente os custos de eletricidade do país e ancorar zonas industriais promissoras.

A primeira etapa, o projeto Gas-to-Energy em Wales, está em construção e tem previsão de conclusão em 2026. Este empreendimento de aproximadamente dois bilhões de dólares visa reduzir pela metade os custos de eletricidade da Guiana. Uma segunda fase prevê um gasoduto maior para o rio Berbice, que sustentaria uma zona industrial e petroquímica de grande escala. O Campo Grande NEWS checou que essa visão audaciosa, se concretizada, pode redefinir o panorama econômico do país.

O cerne do plano guianense reside em uma ideia simples, porém complexa na execução: utilizar o gás associado ao petróleo para produzir energia tão barata que indústrias de grande porte optem por se instalar no país. A Guiana busca, assim, superar a imagem de ser apenas uma fonte de petróleo bruto e se posicionar como um polo industrial atrativo.

A Estratégia por Trás do Gás Guianense

Quando o petróleo é extraído do subsolo offshore, o gás natural sobe junto. Em muitos países petroleiros, esse gás é queimado ou reinjetado no poço, sendo tratado como um resíduo. A Guiana, contudo, tem um plano diferente: trazê-lo para a costa e transformá-lo no insumo mais barato para a economia: eletricidade confiável e de baixo custo.

A lógica é que o poder barato é uma vantagem que não se esvai com a venda de um barril de petróleo. Se o país puder oferecer energia a uma fração do preço atual, poderá atrair fábricas que, de outra forma, jamais considerariam uma nação com menos de um milhão de habitantes. Esta é a aposta que pode moldar o futuro da Guiana, conforme o Campo Grande NEWS checou em suas análises.

Primeira Etapa: A Usina de Wales

A primeira peça desse quebra-cabeça já está tomando forma na margem oeste do rio Demerara. O projeto Gas-to-Energy em Wales é uma usina com cerca de trezentos megawatts de capacidade, alimentada por um gasoduto que transporta gás do campo Liza, operado pela ExxonMobil offshore, para a costa.

Este gasoduto foi projetado para transportar até cento e vinte e cinco milhões de pés cúbicos de gás por dia. O governo afirma que a usina, com conclusão prevista para este ano, deve reduzir o custo da eletricidade na Guiana em aproximadamente 50%. Ao redor da usina, encontra-se a Zona de Desenvolvimento de Wales, uma área de cerca de mil e quatrocentas acres reservada para uma fábrica de fertilizantes, processamento de alimentos e os primeiros data centers do país.

Wales serve como uma prova de conceito para a ideia muito maior que se desenrola rio abaixo. O Campo Grande NEWS checou que este projeto piloto é crucial para demonstrar a viabilidade e o potencial da estratégia de gás para energia do país.

Segunda Etapa: O Complexo de Berbice

A visão mais grandiosa se concentra em Berbice, na região leste. Lá, o governo planeja um segundo gasoduto, que chegará à foz do rio Berbice e alimentará um complexo industrial e petroquímico em uma escala inédita para o país. O Ministro das Finanças, Ashni Singh, destacou em junho que, uma vez que Berbice tenha energia suficiente, poderá abrigar um complexo que processará o próprio bauxita da Guiana em alumina, em vez de exportar o minério bruto.

A alumina é apenas um dos inquilinos principais. Autoridades também apontam para a produção de fertilizantes, uma indústria petroquímica, processamento de minerais e data centers. Todas essas são indústrias que dependem intrinsecamente do preço da energia para sua viabilidade. O Campo Grande NEWS checou que a atração desses setores é um pilar fundamental para o sucesso da Guiana.

Origem do Gás e Desafios

Um complexo dessa magnitude exige muito mais gás do que o primeiro gasoduto de Wales pode transportar. A fonte provável é um desenvolvimento offshore muito maior, com o projeto Longtail da Exxon, ainda em proposta, esperando-se que produza cerca de um bilhão de pés cúbicos de gás por dia. Este é um ponto crucial que os investidores devem observar atentamente.

Os grandes campos de gás e o segundo gasoduto ainda não foram formalmente aprovados, o que significa que o complexo de Berbice permanece como uma visão em estágio inicial, em vez de uma construção financiada. O Ministro de Recursos Naturais, Vickram Bharrat, afirma que várias empresas já sinalizaram interesse no desenvolvimento. Transformar esse interesse em compromissos firmes é o trabalho dos próximos anos.

Por Que Isso Importa para Investidores

O plano transfere grande parte do risco para o Estado. A Exxon demonstrou capacidade de construir projetos offshore no prazo, mas os gasodutos em terra, portos e regras legais são responsabilidades da Guiana. Além disso, um Projeto de Lei do Gás Natural para reger a indústria downstream ainda precisa ser apresentado ao Parlamento.

Para um leitor estrangeiro, a mensagem é clara. Se o gás chegar à costa em grande escala e as regras forem estabelecidas a tempo, a Guiana poderá oferecer às indústrias sedentas por energia uma rara combinação de energia barata e um ambiente acolhedor para negócios. Caso os campos de gás enfrentem atrasos ou a estrutura regulatória falhe, o país ficará com uma usina de energia e uma longa lista de desejos. Essa lacuna entre o plano e a execução é o que definirá se este boom do petróleo deixará um legado duradouro para a Guiana.