A força de vontade de João Rodrigues dos Santos, de 75 anos, inspira quem passa pelo Terminal Bandeirantes, em Campo Grande. Há mais de duas décadas, ele é uma figura conhecida por vender sacolas de milho por R$ 20 a dúzia, um trabalho que se tornou essencial para complementar sua aposentadoria. Mesmo após enfrentar dois infartos em sequência e precisar de quatro stents, João não desiste de sua rotina diária, provando que a idade e as adversidades de saúde não o impedem de seguir em frente. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a dedicação do vendedor é notável, e sua história de superação chama a atenção pela resiliência e pela importância de manter-se ativo.
A rotina de João Rodrigues dos Santos, de 75 anos, começa antes mesmo do sol nascer, por volta das 6 horas da manhã. Ele estaciona seu carro no ponto habitual, varre a calçada e se prepara para mais um dia de trabalho vendendo milho. São 22 anos dedicados a essa atividade, que se tornou um pilar para sua renda, especialmente após a aposentadoria. A venda de milho não é apenas um complemento financeiro, mas também uma forma de manter-se ativo e conectado com a comunidade.
A determinação de João é ainda mais impressionante quando se considera que, há quase um ano, ele passou por um dos momentos mais difíceis de sua vida: dois infartos seguidos. O evento o levou a uma internação prolongada, incluindo 8 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a colocação de quatro stents. Apesar do susto e da fragilidade momentânea, João demonstra uma força de vontade admirável, retornando ao seu posto de trabalho assim que se sentiu recuperado, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS em matérias anteriores sobre a força do comércio local.
Um susto inesperado no trabalho
O momento em que João sofreu os infartos foi particularmente assustador. Ele relata que estava trabalhando, descascando e embalando o milho, quando de repente sentiu seu corpo apagar. Ao contrário de outras pessoas que podem sentir dores intensas, João descreve uma perda súbita de consciência. Ele conta que acordou, tentou se recompor perto do carro, lavou o rosto e acabou desmaiando novamente, caindo no chão e se machucando um pouco. A experiência foi solitária e angustiante, mas sua resiliência o fez buscar ajuda e seguir em frente.
A gratidão por ter sobrevivido é palpável em suas palavras, mas ele confessa se surpreender com a ausência de sinais precursores. “Eu choro porque ninguém quer ficar doente”, desabafa, emocionado. Atualmente, João toma medicação contínua e, como parte de sua recuperação e para manter-se ativo, ele pedala de bicicleta. Ele encara a vida com uma filosofia pragmática, afirmando que “o dia de morrer é o dia de morrer. Quando a morte vem, não tem jeito”, disse, em tom de brincadeira, mas com a sabedoria de quem já esteve perto do fim.
De vendedor de material de construção a vendedor de milho
Antes de se dedicar à venda de milho, João Rodrigues dos Santos trabalhou por 17 anos em uma loja de materiais de construção. Após se aposentar, enfrentou o desafio de encontrar novas fontes de renda. A ideia de vender milho surgiu através de amigos que já atuavam na área. Inicialmente, João hesitou, pois nunca imaginou trabalhar com isso, mas a tranquilidade e a perspectiva de uma renda extra o convenceram a aceitar o desafio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a decisão se mostrou acertada, pois a atividade complementa bem sua aposentadoria.
Em dias bons, João consegue vender até 20 sacolas de milho, cada uma custando R$ 20. Períodos como as festas juninas costumam impulsionar as vendas. Ele lembra que, no início, o trabalho era mais árduo, pois ele mesmo ia até as plantações para buscar o milho. Atualmente, o processo é mais simplificado, e ele não precisa mais se deslocar até a roça, o que era “bem trabalhoso”, envolvendo acordar cedo e se molhar. Essa adaptação tornou a atividade mais gerenciável e menos desgastante fisicamente.
A importância de manter-se ativo e a visão de futuro
A venda de milho se tornou uma fonte de sustento importante para João, permitindo que ele adquirisse bens como carro e moto. Ele mantém o preço das sacolas de milho em R$ 20 durante todo o ano, mesmo quando o produto está mais barato em algumas épocas. Essa estratégia visa garantir a qualidade e a disponibilidade do produto, pois, segundo ele, em breve o milho local pode escassear, e a alternativa seria buscar de fora, com qualidade inferior. A consistência no preço e na qualidade é um diferencial que ele preza.
João Rodrigues dos Santos atende seus clientes na Avenida Marechal Deodoro, próximo à loja Casarão Móveis, das 7h às 17h. Sua presença diária no local é um testemunho de sua perseverança e de sua vontade de viver. A história de João, divulgada pelo Campo Grande NEWS, é um lembrete de que a idade não define limites e que a determinação pode superar grandes obstáculos, inspirando a comunidade de Campo Grande e além.

