Vale de motoristas será pago, Prefeitura garante tranquilidade após intervenção

A Prefeitura de Campo Grande assegurou que o adiantamento salarial dos motoristas do transporte coletivo, conhecido como vale, será pago dentro do prazo estabelecido, até este sábado (20). A confirmação veio do interventor-geral do Consórcio Guaicurus, Alexandro de Oliveira, nesta quarta-feira (17), trazendo alívio aos trabalhadores após a recente intervenção na gestão do consórcio.

A notícia chega em um momento de apreensão para os rodoviários, que temiam os reflexos da intervenção na estabilidade financeira das empresas. A declaração do interventor, divulgada pelo Campo Grande NEWS, visa dissipar essas preocupações, garantindo a continuidade dos pagamentos sem a necessidade de novos aportes municipais, mantendo a operação com os próprios recursos do sistema de transporte.

O pagamento do vale, que tem como data oficial o dia 20 de cada mês, costuma ser antecipado para a sexta-feira anterior quando a data cai em um fim de semana. Nesta semana, com o dia 20 caindo em um sábado, o depósito está previsto para esta sexta-feira (19), conforme reportagem do Campo Grande NEWS apurou.

Intervenção sem novos aportes: o que muda?

A intervenção no Consórcio Guaicurus foi decretada pela prefeita Adriane Lopes após uma fiscalização revelar descumprimentos contratuais, incluindo a falta de renovação da frota. Apesar da mudança na gestão, o interventor Alexandro de Oliveira esclareceu que, no momento, não há previsão de novos repasses financeiros por parte da prefeitura para sustentar a operação. A estrutura financeira continuará a ser mantida com a arrecadação gerada pelo próprio sistema de transporte.

Oliveira explicou que os investimentos e as despesas operacionais permanecem sob responsabilidade das empresas concessionárias. Qualquer necessidade de novos recursos só será avaliada após a conclusão do diagnóstico minucioso que a equipe interventora realizará no consórcio. Essa abordagem visa garantir a sustentabilidade do sistema a longo prazo.

Clima de incerteza, mas operação normal

Mesmo com a garantia do pagamento do vale, o clima entre os trabalhadores ainda é de certa incerteza. A preocupação é compreensível, dado o histórico recente de atrasos no pagamento por parte do Consórcio Guaicurus. Situações como essa foram um dos estopins para a maior greve do transporte coletivo da cidade, ocorrida em dezembro do ano passado, que paralisou as atividades por quatro dias.

Na garagem da Viação Campo Grande, na Avenida Gury Marques, a operação seguia aparentemente normal na madrugada desta quarta-feira (17). Os ônibus estavam sendo preparados para o dia, com lavagem e organização dos itinerários, demonstrando que, apesar das turbulências administrativas, o serviço à população não foi interrompido. A reportagem do Campo Grande NEWS observou a chegada dos primeiros veículos que buscavam funcionários nos bairros.

Sindicato aguarda confirmação oficial

Santino Cândido Meira, secretário-geral do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), informou que o sindicato ainda não havia recebido uma comunicação oficial sobre o pagamento do vale. No entanto, ele ressaltou que a entidade tem mantido contato constante com os trabalhadores, realizando visitas aos terminais e garagens para orientá-los e ouvir suas demandas.

Atualmente, cerca de mil motoristas atuam nas empresas que compõem o Consórcio Guaicurus. A transparência e a comunicação com os trabalhadores são vistas como fundamentais para manter a calma e a confiança no processo de intervenção e na gestão futura do transporte público da capital.

Histórico de greves e a importância do vale

A garantia do pagamento do vale é crucial, especialmente considerando os eventos de dezembro passado. A greve de quatro dias só foi encerrada após a liberação de recursos para quitar salários e benefícios atrasados. A antecipação do pagamento, neste caso, reforça o compromisso em evitar novas paralisações e garantir a continuidade do serviço essencial à população.

A Prefeitura, por meio da intervenção, busca reorganizar a gestão do transporte coletivo, assegurando que os contratos sejam cumpridos e que o serviço oferecido à população seja de qualidade. A fiscalização que levou à intervenção apontou, além da falta de renovação da frota, outros descumprimentos contratuais que precisam ser sanados para a normalização do sistema.