Big Day das Araras Azuis: Brasil, Bolívia e Paraguai se unem em contagem inédita da espécie ameaçada

Nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, uma mobilização internacional sem precedentes unirá observadores de aves do Brasil, Bolívia e Paraguai em um esforço coletivo para registrar a presença da arara-azul-grande. A iniciativa, batizada de Big Day das Araras Azuis, é uma importante ação de ciência cidadã com o objetivo de mapear a distribuição e a quantidade de indivíduos dessa espécie icônica, que figura na lista de animais ameaçados de extinção.

Organizado pelo Instituto Arara Azul, o evento convida qualquer pessoa com um celular a participar, seja fotografando, filmando ou gravando áudios das aves. Os registros podem ser enviados por meio de plataformas como eBird, WikiAves e Biofaces, além de um formulário oficial da campanha e pelo WhatsApp. A proposta, que se inspira no Global Big Day, vai além da simples contagem, buscando entender onde a espécie ainda ocorre, em que quantidade e como sua distribuição se manifesta em diferentes regiões dos três países sul-americanos.

A bióloga Neiva Guedes, presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, ressalta que o sucesso da ação depende fundamentalmente da participação de quem vive nas áreas de ocorrência da espécie. Ela destaca a importância de proprietários rurais e moradores de regiões mais isoladas, que frequentemente são os primeiros a notar a presença das araras, transformando suas comunidades em fontes estratégicas de informação para a ciência.

Moradores locais são essenciais para o monitoramento

A orientação para participação é simples e direta: qualquer indivíduo pode contribuir observando e registrando as araras-azuis-grandes com seu celular. As gravações, sejam elas fotos, vídeos ou áudios, devem ser feitas durante os dois dias da mobilização. A pesquisadora Neiva Guedes enfatiza que o conhecimento local é um trunfo valioso, pois os moradores das regiões onde as araras vivem costumam ser os primeiros a identificar a presença das aves. Isso faz com que essas comunidades se tornem um ponto crucial para a coleta de dados científicos.

A primeira edição do Big Day das Araras Azuis, realizada em 2025, surpreendeu os pesquisadores pelo alcance e engajamento. No Mato Grosso do Sul, foram contabilizadas 409 araras-azuis, com a participação de observadores em diversos municípios. No Pará, o número chegou a 335 indivíduos registrados, demonstrando um forte envolvimento local. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, esses resultados iniciais já forneceram dados importantes para a conservação.

Ausência de registros também é um dado científico valioso

Apesar do sucesso, a primeira edição também revelou importantes lacunas. Registros não foram recebidos em estados como Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. A participação em Minas Gerais foi considerada baixa, mesmo havendo conhecimento da ocorrência da espécie nessas áreas. Essa informação, de acordo com os pesquisadores, também possui valor científico. Locais onde houve esforço de observação sem o registro da espécie ajudam a identificar possíveis mudanças na distribuição e áreas que necessitam de monitoramento mais aprofundado.

Entre os dias 1 e 2 de agosto de 2026, a expectativa é de uma cobertura ainda maior. Qualquer pessoa poderá registrar araras-azuis-grandes em campo, seja individualmente ou em grupo, em ambientes urbanos, rurais, escolas ou propriedades privadas. Os registros são cruciais para entender a dinâmica populacional e as necessidades de conservação da espécie. O Campo Grande NEWS reforça a importância da participação de todos para o sucesso desta iniciativa.

Os registros podem ser enviados por meio das plataformas eBird, WikiAves e Biofaces, além de um formulário oficial da campanha. Há também a opção de envio via WhatsApp da campanha, no número (67) 9987-10752. A iniciativa faz parte de um trabalho contínuo de conservação que o Instituto Arara Azul desenvolve há décadas. Criado em 2003, o instituto atua em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, com foco na conservação da biodiversidade e no monitoramento da arara-azul-grande. O projeto original, iniciado em 1990, é reconhecido como um dos mais longevos trabalhos de conservação da espécie no mundo. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as ações do instituto, atestando sua expertise e confiabilidade na área.

Ciência cidadã para um futuro mais seguro para as araras

A nova edição do Big Day das Araras Azuis reforça a proposta central da iniciativa: aproximar a ciência da população e transformar observações simples do cotidiano em dados relevantes para a preservação de uma das aves mais simbólicas da América do Sul. A participação de cada cidadão contribui diretamente para a construção de estratégias de conservação mais eficazes e para garantir um futuro mais seguro para a arara-azul-grande. A colaboração entre Brasil, Bolívia e Paraguai é um passo fundamental para a proteção transfronteiriça desta espécie.

O sucesso da primeira edição, com centenas de registros e a participação ativa de diversas comunidades, demonstra o potencial da ciência cidadã. A expectativa para 2026 é que ainda mais pessoas se juntem a este esforço, ampliando o conhecimento sobre a arara-azul-grande e fortalecendo as ações de conservação. A iniciativa é um convite para que todos se tornem guardiões dessa espécie magnífica.