Uma aposentada do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) foi vítima de um sequestro relâmpago e tentativa de golpe milionário em Campo Grande. Criminosos simularam a posse de um bilhete premiado no valor de R$ 8 milhões para enganar a servidora pública, que acabou sendo levada pelos estelionatários. A ação criminosa foi desarticulada pela Polícia Militar, resultando na prisão de dois homens e no resgate da vítima sem ferimentos. O caso, que chocou pela audácia dos golpistas, revelou um elaborado plano que começou na recepção de uma clínica médica.
Golpe do bilhete premiado: o plano mirabolante
A dinâmica do crime, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS com a Polícia Militar, iniciou-se de forma sutil. Na recepção de um estabelecimento médico, um dos criminosos, um idoso, abordou a servidora aposentada, iniciando uma conversa sobre a posse de um bilhete premiado. Ele demonstrava incerteza sobre a veracidade do prêmio, criando o cenário perfeito para a entrada do segundo golpista.
Logo em seguida, um segundo suspeito, descrito como um homem alto, branco, com sotaque gaúcho e aparência jovem, aproximou-se. Este indivíduo, atuando como o cérebro do golpe, anunciou que ligaria para o “0800 da Caixa” para verificar a autenticidade do bilhete. Essa encenação visava dar credibilidade à farsa, fazendo a vítima acreditar que o prêmio era real.
A dupla então convenceu a aposentada de que o bilhete era legítimo. O idoso, em um ato de teatro, alegou ser Testemunha de Jeová e, por isso, não poderia receber valores oriundos de jogos de azar. Essa justificativa serviu para justificar a necessidade de uma terceira pessoa, a vítima, para intermediar a transação.
O golpista com sotaque gaúcho, então, apresentou um “plano”: a vítima ajudaria a comprar o bilhete e, posteriormente, dividiriam o suposto prêmio. A promessa de um grande retorno financeiro foi o chamariz para a aposentada, que, iludida, concordou em participar do esquema. O Campo Grande NEWS detalha como a ação evoluiu para um sequestro.
Dinheiro e fuga: o sequestro relâmpago
Após convencer a vítima, os criminosos a levaram até sua residência. Lá, a aposentada entregou aos golpistas cerca de R$ 40 mil, em espécie, incluindo 5 mil dólares e R$ 12 mil. O suspeito com sotaque gaúcho entrou na casa acompanhado da servidora, cobrindo o rosto para evitar ser identificado pelas câmeras de segurança, demonstrando premeditação.
Em seguida, o grupo seguiu para uma agência da Caixa Econômica Federal, localizada no prédio do TJMS, no Parque dos Poderes. O objetivo era solicitar um empréstimo em nome da vítima, aumentando ainda mais o valor a ser obtido pelos criminosos. Essa etapa do plano, contudo, foi o que alertou as autoridades.
O pedido de empréstimo da servidora chamou a atenção dos funcionários da agência, que prontamente acionaram a segurança do Tribunal de Justiça. Policiais militares que trabalham no local começaram a monitorar a movimentação, percebendo a situação suspeita. A ação policial, segundo o Campo Grande NEWS checou, foi crucial para o desfecho.
Perseguição e resgate com apoio aéreo
Ao perceberem a presença policial, os criminosos ordenaram que a vítima entrasse rapidamente no veículo, iniciando uma fuga desesperada. Uma perseguição policial se iniciou, com troca de tiros, quando o condutor avançou contra a equipe. Um dos policiais relatou ter efetuado disparos contra os pneus do carro para tentar impedir a fuga.
Apesar dos pneus furados, os criminosos continuaram a fuga, adentrando uma área de mata no Parque dos Poderes. A Polícia Militar solicitou reforços, e as buscas contaram com o apoio do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), do Batalhão de Choque e do uso de um drone para a varredura da vegetação densa.
Finalmente, os suspeitos foram capturados e a vítima, a servidora aposentada, foi resgatada sem ferimentos. A rapidez e a eficiência da ação policial impediram que o golpe fosse totalmente consumado e que a vítima sofresse maiores danos. A investigação agora segue sob responsabilidade da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
Investigação e perfil dos criminosos
As investigações iniciais apontam que os criminosos atuavam de forma coordenada, alternando papéis para conferir credibilidade ao golpe. A Polícia Civil busca identificar a participação de outros envolvidos e determinar se a dupla integra uma quadrilha com atuação em outros estados. A expertise da Garras será fundamental para desvendar toda a extensão do esquema. O Campo Grande NEWS acompanha os desdobramentos deste caso que expõe a criatividade e a periculosidade de estelionatários.

