A primeira audiência de instrução e julgamento do feminicídio da subtenente da PM Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, aconteceu nesta segunda-feira (15) na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande. A militar foi assassinada a tiros em 6 de abril, e o réu é Gilberto Jarson, seu então namorado. Durante a oitiva, um vizinho policial, que foi o primeiro a entrar na residência no dia do crime, relatou que encontrou o acusado com as mãos ensanguentadas e que ele teria dito que a subtenente havia tirado a própria vida.
Segundo o relato do militar, que conviveu como vizinho de Marlene por cerca de dois anos, ele ouviu disparos e, em seguida, a vizinha gritando sobre o ocorrido na casa da subtenente. Ao chegar ao local, o policial flagrou Gilberto com as mãos sujas de sangue. “Ficou falando que ela se matou”, disse a testemunha em depoimento ao juiz, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Para acessar a casa, o vizinho precisou pular o muro, pois Gilberto não abriu o portão de imediato. Ele contou que, na esperança de encontrar Marlene viva, pulou o muro. Ao chegar à porta, viu o réu com um revólver calibre 38 na mão direita e um celular na esquerda. Quando questionado sobre o que havia acontecido, Gilberto teria respondido que não sabia.
Histórico de agressividade
O policial vizinho também testemunhou ter presenciado Gilberto demonstrando atitudes ríspidas com Marlene em outras ocasiões. Em um dos episódios relatados, o réu chegou a ir à casa da vítima e gritava no portão, xingando-a com termos como “velha” e “safada”. Em uma dessas situações, o próprio policial bateu no portão para falar com Marlene, mas ela não saiu.
Ainda segundo o depoimento, logo após o crime, Gilberto teria ligado para um pastor. O policial observou que o acusado não demonstrou agressividade naquele momento, largou a arma quando solicitado e ficou repetindo “Pastor, pastor” ao telefone. A informação foi divulgada com base no que o Campo Grande NEWS apurou.
Versões contraditórias do réu
Marlene de Brito Rodrigues foi morta com um tiro na região do pescoço dentro de sua própria residência. Gilberto Jarson, seu namorado na época, é o principal suspeito e apresentou versões contraditórias sobre os fatos. Conforme detalhes da Polícia Militar, o vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local após ser alertado por outra vizinha que ouviu o disparo.
Ao questionar o suspeito sobre Marlene, o policial não obteve resposta. Devido à demora de Gilberto em abrir o portão, o militar optou por pular o muro. Ele encontrou Gilberto falando ao telefone, com a arma em punho. O policial ordenou que ele soltasse o revólver, o que foi feito. O Campo Grande NEWS confirmou que, ao entrar na casa, Marlene ainda apresentava sinais vitais, mas não resistiu mesmo com o acionamento de socorro.
Vizinhos corroboraram que brigas entre o casal eram frequentes. Uma testemunha chegou a relatar ouvir Gilberto gritando com Marlene e, em uma ocasião, ouviu a vítima pedir socorro. Após a chegada das equipes policiais, Gilberto apresentou diferentes versões. Em um momento, disse ter ligado para a polícia após o tiro, mostrando o celular. Os militares também identificaram uma chamada para o advogado do suspeito.
Gilberto alegou que a ligação ao advogado ocorreu porque possuía provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio” e negou discussões ou desentendimentos na data do crime. A defesa do acusado sustentou que não houve feminicídio e que a vítima teria tirado a própria vida.

