Haitiano em Campo Grande aposta contra Brasil em jogo da Copa
Evens Aurelien, um haitiano de 31 anos que vive e trabalha em Campo Grande, tornou-se uma figura notável durante a Copa do Mundo. Com uma figurinha personalizada vestindo a camisa do Haiti e o número 9, em homenagem ao seu ídolo Duckens Nazon, Evens virou personagem dentro da padaria onde atua. Ele, que está no Brasil há oito anos, expressa sua paixão pelo Haiti e a esperança de ver sua seleção triunfar contra o Brasil, a ponto de ter feito uma aposta de R$ 250 com um colega de trabalho.
A história de Evens, que chegou ao Brasil após morar no Chile, é marcada pela busca por um clima mais ameno e por oportunidades de trabalho. Ele divide sua rotina entre dois empregos em Campo Grande, demonstrando resiliência e dedicação. A Copa do Mundo reacendeu nele uma antiga paixão pelo futebol brasileiro, herdada de sua família no Haiti, mas agora, o coração bate forte pela seleção haitiana.
A esperança de Evens se estende para além do campo. Ele compartilha o sonho de trazer sua família para perto, enfrentando os desafios de custo e burocracia para reunir seus entes queridos no Brasil. A história dele, assim como a de seu primo Josuê Sterling, reflete a jornada de muitos haitianos que buscam estabilidade e um futuro melhor em terras brasileiras, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Uma aposta de fé e rivalidade
A próxima partida entre Brasil e Haiti na Copa do Mundo ganhou um tempero especial para Evens Aurelien. Ele não hesita em declarar seu apoio incondicional à seleção haitiana, apostando R$ 250 em uma vitória por 2 a 1 para o Haiti. “No futebol não tem time fraco. Também confio no meu time”, afirma Evens, demonstrando a confiança depositada em jogadores como Duckens Nazon, a quem ele admira por jogar pelo país e não por estrelismo.
Essa paixão pela seleção haitiana é uma tradição familiar. No Haiti, a família de Evens sempre nutriu um carinho especial pelo futebol brasileiro, torcendo pelo Brasil quando o Haiti não estava nas competições. Agora, com o Haiti presente, a lealdade se volta para a terra natal, mesmo que isso signifique enfrentar o país que o acolheu.
Migração, trabalho e a saudade de casa
Evens chegou ao Brasil há oito anos, passando pelo Chile antes de se estabelecer em Campo Grande, atraído pelo clima semelhante ao do Haiti. Ele descreve a cidade como um lugar acolhedor, onde encontrou oportunidades de trabalho e um ambiente que o faz sentir-se menos distante de sua terra. A rotina é árdua, com dois empregos diários, mas ele expressa gratidão pela Pão e Tal, a padaria onde trabalha pela manhã, destacando o valor que dão aos funcionários.
A saudade da família é um sentimento constante. Evens é o mais velho de oito irmãos e tem a mãe como figura central em sua vida. Ele tenta trazer alguns de seus irmãos para o Brasil, mas o alto custo e a complexidade dos trâmites burocráticos são barreiras significativas. Essa dificuldade em reunir a família é um reflexo do desafio enfrentado por muitos migrantes, uma realidade que o Campo Grande NEWS acompanha de perto.
A busca por um lar e a esperança de reunificação familiar
O primo de Evens, Josuê Sterling, de 41 anos, compartilha uma trajetória semelhante. Morando em Campo Grande há oito anos, Josuê também veio do Chile e encontrou na cidade um recomeço. Ele relata ter recebido apoio de redes de acolhimento ao chegar, o que o auxiliou a conseguir emprego e moradia.
Atualmente, Josuê vive com a esposa e parte da família em Campo Grande, mas sua filha de 12 anos, Nayou, ainda está no Haiti com uma tia. O grande sonho de Josuê é trazê-la para perto, mas o custo de cerca de R$ 9,5 mil para a viagem, devido a voos fretados, é um obstáculo considerável. Ele acredita que, com a ajuda de um irmão que já possui visto, eles possam reunir o dinheiro necessário para a vinda da filha, conforme informações levantadas pelo Campo Grande NEWS.
Campo Grande, um elo entre culturas e sonhos
Tanto Evens quanto Josuê veem Campo Grande como uma cidade que abriga uma cultura semelhante à haitiana, especialmente pelo clima quente. Eles encontraram no Brasil oportunidades de trabalho que, segundo eles, são mais escassas em seu país de origem. A presença haitiana em Mato Grosso do Sul tem crescido desde 2010, com muitos encontrando trabalho em diversos setores.
A Copa do Mundo, para Evens e Josuê, representa não apenas um evento esportivo, mas um símbolo de pertencimento e esperança. Mesmo com a rivalidade em campo, o sentimento de união e o desejo de um futuro melhor para suas famílias permanecem como prioridades. A história deles, marcada pela resiliência e pela busca por estabilidade, continua a ser escrita em Campo Grande, cidade que se tornou um lar e um ponto de partida para a construção de seus sonhos.

