Colômbia: por que 2 de 3 empresas fecham em 5 anos?

A Colômbia se destaca no cenário mundial por sua impressionante taxa de criação de novas empresas, com cerca de 300.000 negócios sendo registrados anualmente. No entanto, essa energia empreendedora esconde um paradoxo preocupante: a vasta maioria dessas novas companhias não consegue prosperar. Dados recentes revelam que apenas um em cada três novos negócios colombianos ainda está em operação cinco anos após sua fundação, um índice alarmante que coloca o país em uma posição desconfortável entre as nações da OCDE.

Essa realidade, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, sugere que o país é excelente em dar à luz a empresas, mas falha drasticamente em mantê-las vivas. A pesquisa aponta que os primeiros três anos são os mais críticos, com dois terços das empresas encerrando suas atividades até o quinto ano. Essa alta taxa de mortalidade empresarial representa um ciclo contínuo de empregos e investimentos que evaporam rapidamente, impedindo a construção de riqueza duradoura.

A situação é um espelho desconfortável para uma nação que vê o empreendedorismo como seu principal caminho para o desenvolvimento. Enquanto o mundo celebra a capacidade colombiana de inovar e iniciar novos empreendimentos, a dura realidade é que a maioria desses esforços não se traduz em empresas sólidas e de longo prazo. Essa fragilidade impacta diretamente a economia, limitando a geração de empregos estáveis e o crescimento sustentado. O Campo Grande NEWS investigou as causas dessa debilidade.

Um ranking preocupante na OCDE

Uma análise recente dos dados empresariais conferiu à Colômbia uma distinção nada lisonjeira. Entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um grupo de economias majoritariamente ricas que serve de referência global, a Colômbia ocupa a quarta posição entre as piores em termos de sobrevivência empresarial em seus primeiros cinco anos. Cerca de um terço das empresas que abrem suas portas em um determinado ano ainda estão operando meio década depois.

Para se ter uma dimensão da gravidade, basta olhar para o topo da tabela. Na Suécia, quase nove em cada dez novas empresas continuam ativas após os cinco anos iniciais. Na Irlanda, esse número ultrapassa oito em cada dez, e na Bélgica, mais de sete em cada dez. A Colômbia, com aproximadamente um em cada três empresas sobreviventes, situa-se na parte inferior da lista, acompanhada apenas pela Polônia, Dinamarca e Hungria. Essa estatística é particularmente incômoda para um país que constantemente discute o empreendedorismo como motor de seu futuro.

O paradoxo da sobrevivência empresarial na Colômbia

O ponto que torna esse dado tão surpreendente é o paradoxo central: a Colômbia não carece de empreendedores. Pelo contrário, o país possui uma das mais altas taxas de criação de novos negócios do mundo, com aproximadamente 300.000 empresas registradas anualmente e uma parcela significativa de adultos iniciando empreendimentos, o que a coloca entre as maiores taxas globais. Pelos números, os colombianos são, de fato, uma nação de fundadores.

O problema reside no que acontece depois. Pesquisadores descrevem a situação como uma espécie de “mortalidade infantil” empresarial: o país é brilhante em dar à luz a empresas, mas fraco em mantê-las vivas. Os primeiros três anos são os mais fatais, e até o quinto ano, dois terços da turma já desapareceu. Assim, a energia aparente de toda essa atividade de start-up mascara um ciclo mais silencioso e triste de aberturas e fechamentos que nunca se consolida em empresas duradouras.

Por que tantas portas se fecham

As razões para o alto índice de fechamento de empresas na Colômbia estão mais ligadas à forma como esses negócios nascem do que a mero azar. Uma grande maioria das novas iniciativas empresariais colombianas é iniciada por necessidade, e não por oportunidade. Essa é a distinção crucial: um negócio por necessidade é aquele que uma pessoa lança porque está desempregada e precisa de renda imediata, muitas vezes uma pequena loja ou um serviço individual, em vez de identificar uma oportunidade promissora no mercado.

Empreendimentos nascidos da necessidade tendem a ser **subcapitalizados**, **pouco planejados** e **frágeis desde o primeiro dia**. Os números de apoio reforçam essa narrativa. Uma estimativa indica que apenas cerca de um quarto das novas empresas começa com um plano estruturado. Muitos misturam o dinheiro pessoal do proprietário com o da empresa, mantêm contas informais e dependem inteiramente de um único fundador, o que impede o negócio de sobreviver à energia dessa única pessoa.

O acesso a crédito acessível é difícil, o que priva empresas promissoras do capital necessário para superar as dificuldades iniciais. Além disso, os setores onde os colombianos mais frequentemente iniciam seus negócios, como varejo, restaurantes e pequenas empresas de construção, são exatamente aqueles com margens de lucro apertadas e concorrência brutal. Empresas estabelecidas como corporações formais, com vários sócios e governança adequada, sobrevivem em taxas notavelmente mais altas do que aquelas registradas em nome de um único indivíduo, pois tendem a ter melhor acesso a capital e expertise compartilhada.

A importância da estrutura para a longevidade

A lição que os pesquisadores tiram é que a Colômbia precisa não apenas de mais empresas, mas de **empresas mais robustas**. A estrutura formal e a governança corporativa parecem ser fatores determinantes para a sobrevivência. Empresas com sócios e planos claros tendem a ter mais resiliência diante dos desafios iniciais.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de financiamento adequado e a informalidade são barreiras significativas. A pesquisa indica que a dificuldade em obter crédito acessível é um dos principais entraves para o crescimento e a sustentabilidade de novos negócios. Sem capital suficiente, as empresas lutam para investir em infraestrutura, marketing e pessoal qualificado, elementos essenciais para competir no mercado.

Por que um leitor estrangeiro deveria se importar

Uma estatística de sobrevivência pode parecer uma curiosidade acadêmica, mas ela fala diretamente sobre questões que um investidor ou executivo que olha para a Colômbia se faria. Uma baixa taxa de sobrevivência é um sinal sobre o ambiente de negócios: indica o quão difícil é obter crédito, o quão pesada é a economia informal e quão fina é a camada de empresas estáveis de médio porte, aquelas que geralmente geram bons empregos e fornecedores confiáveis. Quando dois de cada três novas empresas desaparecem, também se vão os empregos que criaram e o capital que nelas foi investido.

Isso também reformula uma história frequentemente contada de forma otimista demais. A energia empreendedora da Colômbia é real e admirável, e é frequentemente citada como motivo de otimismo sobre a economia. No entanto, a rotatividade não é o mesmo que crescimento. Um país pode estar incessantemente ocupado abrindo empresas enquanto faz pouco progresso na construção de empreendimentos duradouros que elevam a renda ao longo do tempo. A lacuna entre quantas empresas a Colômbia inicia e quantas ela consegue manter é, no final das contas, uma lacuna entre atividade e prosperidade.

O que seria necessário para mudar o cenário

As soluções apontadas pelos pesquisadores são pouco glamorosas, mas claras. Um acesso mais fácil e barato a financiamento permitiria que boas empresas sobrevivessem aos anos iniciais de escassez. Incentivar os fundadores a se registrarem como empresas formais, em vez de como indivíduos, lhes daria uma base mais sólida. Treinamento básico em negócios, planejamento financeiro real e o agrupamento de empresas para que possam compartilhar fornecedores e conhecimentos aumentam as chances de sobrevivência. Nada disso é exótico; é o andaime comum que economias mais ricas construíram discretamente em torno de suas pequenas empresas.

Por enquanto, porém, o quadro se apresenta mais como um desafio do que uma crise. A Colômbia provou sua capacidade de inspirar pessoas a dar o salto para os negócios em números enormes. A tarefa mais difícil, e aquela que os dados dizem que o país ainda não desvendou, é ajudá-las a permanecer em pé o tempo suficiente para prosperar. Até que isso mude, o notável apetite do país por iniciar empresas continuará a superar sua capacidade de mantê-las. A expertise do Campo Grande NEWS em analisar tendências econômicas reforça a necessidade de políticas públicas focadas em fortalecer a infraestrutura de apoio aos empreendedores colombianos.