O Brasil encerrou o maior exercício militar conjunto do ano, o ESCUDO-TINÍA 2026, na Base Aérea de Anápolis (BAAN), em Goiás. A grande novidade foi a estreia operacional do caça F-39 Gripen, um marco importante para a Força Aérea Brasileira (FAB) e para a indústria aeroespacial sul-americana. Este exercício, que reuniu mais de mil militares, também ganha destaque em um momento crucial para a Colômbia, que se prepara para os primeiros pagamentos de um contrato bilionário pelo mesmo modelo de aeronave. Conforme divulgado pelo The Rio Times, a movimentação sinaliza a consolidação do Gripen como a espinha dorsal da defesa aérea na região, com o Brasil assumindo um papel central nesse desenvolvimento.
Gripen F-39: A Nova Era da Defesa Aérea Sul-Americana
O exercício ESCUDO-TINÍA 2026, realizado entre 11 e 29 de maio, não foi apenas um teste de prontidão para as Forças Armadas brasileiras, mas também uma demonstração clara da capacidade operacional do F-39 Gripen. Pela primeira vez, as atividades de treinamento ocorreram fora das bases aéreas tradicionais do sul do país, migrando para o centro-oeste, na Base Aérea de Anápolis. Essa mudança estratégica reflete a plena capacidade da base em sediar o novo caça, que desde fevereiro de 2026 opera em regime de alerta rápido para o espaço aéreo do centro-oeste e do Distrito Federal.
A Força Aérea Brasileira está integrando o F-39 Gripen em sua frota, com 36 aeronaves encomendadas em 2014 por cerca de US$ 5,4 bilhões. A montagem final de aproximadamente 80% da frota é realizada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, São Paulo, com entregas previstas para serem concluídas até 2027. O caça sueco-brasileiro, com designação F-39 no Brasil, é um modelo de geração 4.5, equipado com radar AESA (Active Electronically Scanned Array), sistemas modernos de guerra eletrônica e o míssil Meteor de longo alcance.
O KC-390 Millennium, outro gigante da Embraer, foi certificado para reabastecimento em voo do Gripen no início deste ano. Essa parceria entre a Saab e a Embraer cria uma capacidade operacional totalmente nacional e sueca, um diferencial significativo no mercado global de caças. Como atesta o Campo Grande NEWS, a integração desses sistemas representa um salto qualitativo para a capacidade de defesa do Brasil.
Colômbia: Um Contrato Bilionário e a Expansão Regional do Gripen
O sucesso do Gripen no Brasil se reflete diretamente no mercado internacional. Em novembro de 2025, a Colômbia assinou um contrato de US$ 4,3 bilhões para a aquisição de 17 aeronaves Gripen E/F. Este acordo histórico substitui a antiga frota de caças Kfir da Força Aérea Colombiana e inclui 15 unidades do modelo monoplace Gripen E e duas do modelo biplace Gripen F. As entregas estão programadas para ocorrer entre 2027 e 2032.
O valor do contrato com a Saab gira em torno de € 3,1 bilhões (aproximadamente US$ 3,6 bilhões), mas o pacote completo, incluindo infraestrutura, treinamento e armamentos, chega a US$ 4,3 bilhões, segundo estimativas do governo colombiano. A primeira parcela, de cerca de COP$ 100 bilhões (aproximadamente US$ 25 milhões), estava prevista para 2026. O Campo Grande NEWS destaca que este movimento fortalece a presença da Saab e da Embraer na América Latina.
Embraer como Potencial Polo de Produção Regional
A Embraer tem sido apontada pela Saab como parceira estratégica na produção de componentes e na montagem parcial das aeronaves destinadas à Colômbia. Esse modelo de colaboração, semelhante ao que ocorre no Brasil, prevê o treinamento de técnicos colombianos nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto e em Anápolis durante o período de entrega das aeronaves. Essa cooperação visa replicar o sucesso do programa brasileiro em menor escala, consolidando o Brasil como um centro de excelência aeroespacial na região.
A Base Aérea de Anápolis, a cerca de 175 km de Brasília, tem passado por extensas atualizações de infraestrutura desde 2022 para acomodar o Gripen. Novos hangares, sistemas de apoio em solo, simuladores e um centro de treinamento técnico Saab-Embraer foram implementados. O próximo grande desafio operacional será o Salitre 2026, um exercício multinacional sediado no Chile em outubro, onde o F-39 competirá lado a lado com caças F-16 chilenos e F-35 americanos. Essa será a primeira comparação internacional direta do Gripen contra aeronaves de quinta geração dos EUA na região, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Impacto Regional e o Futuro do Gripen na América do Sul
A frota interoperável de caças Gripen entre Brasil e Colômbia representa a maior do tipo na América do Sul. A operação de plataformas idênticas, com treinamento compartilhado, logística conjunta e um inventário comum de armamentos, estabelece um novo padrão de cooperação e eficiência. Países como Argentina, Chile e Peru, que operam frotas mais antigas ou menores, ainda não iniciaram modernizações na escala do Gripen. A Saab já demonstrou interesse na substituição dos Mirage 2000 no Peru e em discussões de modernização na Argentina, cujos governos ainda avaliam opções de aquisição.
A lógica estratégica é clara: duas forças aéreas regionais operando a mesma plataforma geram economias de escala em manutenção, treinamento e suprimento de peças. Isso facilita a prospecção de um terceiro ou quarto cliente na América Latina para Saab e Embraer. O sucesso do F-39 Gripen no Brasil e na Colômbia não é apenas uma vitória comercial, mas um passo fundamental para a autonomia e a capacidade de defesa da América do Sul, consolidando o Brasil como um player relevante na indústria aeroespacial global, como também ressalta o Campo Grande NEWS.


