Promotor agride preso em audiência de custódia em Campo Grande

Promotor agride preso em audiência de custódia em Campo Grande

Um incidente chocante marcou uma audiência de custódia no fórum de Campo Grande. Um promotor de Justiça foi flagrado agredindo física e verbalmente um homem preso por violência doméstica. As imagens, obtidas com exclusividade pelo jornal MS2, da TV Morena, revelam o momento da agressão, que ocorreu na frente de policiais e da juíza do caso. O homem detido, Paulo Ricardo Oliveira de Morais, preso em 3 de fevereiro após agredir e ameaçar a esposa, alega ter sido agredido e estrangulado pelo promotor Izonildo Gonçalves de Assunção Júnior. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o promotor teria se irritado após ser interrompido pelo custodiado durante a leitura das acusações.

Agressão e Ameaças: Um Relato Tenso

Segundo o relato escrito pelo próprio custodiado, o promotor teria partido para cima dele, o agredindo e estrangulando, e ordenando que um policial penal o soltasse das algemas. Paulo Ricardo afirma ter levado um soco na testa que causou sangramento. Após as agressões, ele relata ter sofrido ameaças de policiais para não realizar o exame de corpo de delito, motivo pelo qual recusou os exames iniciais. As advogadas que passaram a representar Paulo Ricardo no caso das agressões já acionaram o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o promotor, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) contra o policial penal. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a juíza do caso, Tatiana Decarli, decretou a prisão preventiva de Paulo Ricardo ao final da audiência, mas manteve a decisão após a alegação de que o custodiado teria feito ameaças de morte ao promotor, segundo relato do policial penal.

Investigações em Andamento e Órgãos Envolvidos

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou que os fatos estão sendo apurados em duas frentes: um procedimento administrativo pela Corregedoria-Geral do MPMS e um procedimento criminal em análise pela Procuradoria-Geral de Justiça. Apesar de o caso ter ocorrido em fevereiro, as apurações ainda não foram concluídas. A Agepen também abriu um procedimento interno para investigar o incidente, e os policiais penais envolvidos foram arrolados como testemunhas em um procedimento disciplinar no Tribunal de Justiça. A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul confirmou o atendimento ao custodiado e o encaminhamento das informações aos órgãos competentes, acompanhando o caso devido ao sigilo dos procedimentos.

Repercussão e Próximos Passos

O incidente levanta sérias questões sobre a conduta de agentes públicos em audiências de custódia e o tratamento dispensado a detentos. A gravação das agressões expõe uma situação alarmante, que, conforme o Campo Grande NEWS checou, está sob análise de diferentes instâncias de controle. A decisão de manter a prisão preventiva do custodiado, baseada em supostas ameaças, e a subsequente agressão por parte do promotor, criam um cenário complexo. A expectativa é que as investigações em andamento tragam clareza sobre os fatos e determinem as responsabilidades de cada parte envolvida neste grave episódio. O Tribunal de Justiça não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta matéria, deixando um ponto de interrogação sobre a atuação do judiciário no caso.