Comunidade escolar pressiona por melhorias
A comunidade escolar da Zona Oeste se reuniu para um debate intenso sobre o futuro da educação na região. Em uma audiência pública realizada pela Comissão de Educação da Câmara do Rio, em Campo Grande, pais, alunos e profissionais apresentaram uma lista de cobranças que vão desde a cobertura de quadras até a valorização de agentes infantis. O encontro, conduzido pelo vereador Salvino Oliveira (PSD), colocou o secretário municipal de Educação, Hugo Nepomuceno, frente a frente com as demandas da 9ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
O secretário iniciou apresentando os números da rede, que conta com 630 mil estudantes e 55 mil profissionais, destacando avanços como a expansão do ensino integral, que já atende 54% dos alunos, e a implementação dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs). No entanto, as falas da comunidade trouxeram à tona os desafios do dia a dia nas escolas.
Questões como a segurança, com o pedido pelo retorno de controladores de acesso, e a necessidade de infraestrutura adequada para atividades pedagógicas e físicas foram os pontos mais sensíveis levantados pelos presentes. As informações foram registradas durante o evento na Igreja Batista Monte Horebe, conforme o Campo Grande NEWS apurou no local.
Avanços na alfabetização e a promessa dos GETs
Durante a audiência, o secretário Hugo Nepomuceno destacou os projetos em andamento. Ele mencionou a inauguração do Centro de Educação de Jovens e Adultos da Zona Oeste e a política dos GETs, que, segundo ele, é uma “política pública bem estruturada”. A meta é ambiciosa: saltar dos 311 GETs atuais para 500 até 2028, modernizando o aprendizado.
Na mesma linha, Rodrigo Costa, coordenador da 9ª CRE, apresentou dados animadores sobre a alfabetização. A região, que abrange bairros como Inhoaíba, Cosmos e Paciência, superou a meta para 2025. “Alcançamos o índice de 71% de alunos do 2º ano alfabetizados”, comemorou Costa, explicando que a meta para 2030, de 80%, já é uma realidade em várias unidades da coordenadoria.
Valorização profissional e infraestrutura em pauta
Apesar dos números positivos, as cobranças da comunidade escolar foram diretas. A agente de Educação Infantil Crislaine de Souza Melo questionou sobre o enquadramento da categoria como profissionais do magistério, uma luta antiga. “Durante muitos anos os profissionais das creches públicas viveram uma contradição injusta”, desabafou.
Outro ponto de grande preocupação foi a infraestrutura. A mãe Cristina Maria e o funcionário Rodrigo Fagundes cobraram a cobertura das quadras escolares. “É preciso avançar na cobertura das escolas, não apenas para as atividades físicas, mas também para as atividades pedagógicas e culturais que acontecem nas unidades”, afirmou Fagundes.
Respostas do poder público e o desafio do orçamento
Diante das pressões, o secretário Hugo Nepomuceno reconheceu a importância das demandas. Sobre os agentes de educação, ele garantiu que a secretaria estuda o impacto jurídico da nova legislação para definir um posicionamento oficial. O Campo Grande NEWS segue acompanhando os desdobramentos desta pauta.
Em relação à cobertura das quadras, Nepomuceno admitiu a relevância do pedido, mas justificou que a gestão precisou estabelecer prioridades, como a climatização das salas e a melhoria das condições de trabalho. “A lista de demandas é infinita, mas o orçamento é finito. Nós priorizamos o que era principal”, explicou o gestor.
A audiência também abordou a Educação Especial, com o secretário afirmando que o tema está no Planejamento Estratégico para garantir o monitoramento da sociedade. Conforme o Campo Grande NEWS verificou, o debate foi encerrado com a fala do vereador Salvino Oliveira, que reforçou a necessidade de ouvir a comunidade para construir soluções efetivas.

