O soldado da Polícia Militar Gabriel Moreira de Azevedo, que já foi homenageado duas vezes pela Câmara Municipal de Ribas do Rio Pardo por sua atuação policial, teve seu apartamento vasculhado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta quinta-feira (28). A ação faz parte da Operação Janus, que apura o envolvimento de policiais militares em um esquema de desvio de drogas apreendidas e facilitação do tráfico.
Durante as buscas no imóvel do soldado, em Campo Grande, um familiar foi preso em flagrante com armas de fogo sem documentação. A operação, resultado de 14 meses de investigação, cumpriu ainda outros mandados de busca e apreensão e resultou em quatro prisões na capital e em Ribas do Rio Pardo.
Em 2022, Gabriel Moreira de Azevedo foi agraciado com uma moção de congratulações após participar da rápida captura de um suspeito de tentativa de homicídio. Na ocasião, os vereadores destacaram a mobilização dos policiais militares, inclusive daqueles que estariam de folga no momento do crime.
Já em março de 2024, o soldado recebeu nova homenagem da Câmara Municipal pelos “relevantes trabalhos prestados em prol da segurança” em Ribas do Rio Pardo. As honrarias contrastam com o atual cenário, onde o nome do militar aparece em um mandado expedido pela Vara da Auditoria Militar Estadual.
Buscas e prisão de familiar em Campo Grande
O mandado de busca autorizou a revista no apartamento onde o soldado Gabriel Moreira de Azevedo reside, no Bairro São Francisco, uma área nobre de Campo Grande, além de veículos ligados aos investigados. Durante o cumprimento da ordem judicial, um familiar do policial foi detido após a descoberta de armas e munições em um cofre no imóvel.
Segundo o boletim de ocorrência, foram apreendidos um revólver calibre .38 com a numeração raspada, uma garrucha Rossi calibre .32 de dois canos, oito munições calibre .38 e duas munições calibre .32. As armas estavam sem a devida documentação, caracterizando posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, no caso do revólver com numeração suprimida.
O homem preso assumiu a propriedade do armamento, alegando que as armas eram antigas e passadas entre familiares ao longo dos anos. Conforme o registro policial, o flagrante foi lavrado pela posse ilegal de arma de fogo.
O que era procurado no apartamento do soldado
No apartamento ligado ao soldado Gabriel Moreira de Azevedo, os investigadores buscavam por drogas ilícitas, armas, munições irregulares, dinheiro sem origem comprovada, celulares, notebooks, computadores, agendas, anotações, extratos bancários e arquivos digitais. O mandado judicial também abrange a apuração de possíveis crimes como associação para o tráfico de drogas, usura, prevaricação, abuso de autoridade, tortura e delitos correlatos.
A Operação Janus, conforme o Gaeco, apura suspeitas de participação de policiais militares da 13ª Companhia Independente da PM de Ribas do Rio Pardo em um esquema que envolvia o desvio de drogas apreendidas, facilitação do tráfico, agiotagem e o uso da estrutura policial para beneficiar criminosos.
Investigação de 14 meses aponta desvio e violência
A investigação, iniciada nos primeiros meses de 2025 e com duração de aproximadamente 14 meses, conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, revelou que os policiais investigados estariam fornecendo drogas desviadas de apreensões e permitindo a comercialização dos entorpecentes. Em alguns casos, a violência era usada contra desafetos de traficantes ligados ao grupo.
As apurações também indicam suspeitas de cobranças de dívidas mediante ameaças, com a utilização da condição de policiais militares para intimidar as vítimas. O Gaeco, conforme o Campo Grande NEWS checou, é o órgão responsável pela condução da Operação Janus.
Ao todo, foram cumpridos 4 mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) informou que os militares detidos serão afastados de suas funções e responderão a procedimentos administrativos internos. A PMMS garantiu o apoio à Corregedoria-Geral da Polícia Militar na execução das ordens judiciais.
O nome do soldado Gabriel Moreira de Azevedo também aparece em atos administrativos relacionados à atuação de policiais militares no trânsito de Ribas do Rio Pardo. A reportagem do Campo Grande NEWS tentou contato com a defesa do soldado e com os advogados do familiar preso em flagrante, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Os detalhes da operação e os desdobramentos das investigações continuam sendo apurados, com o Campo Grande NEWS acompanhando de perto os desdobramentos para trazer as informações mais atualizadas aos seus leitores.

