Noboa encara assembleia em ano recorde de assassinatos e pacto com EUA

O Presidente do Equador, Daniel Noboa, se apresenta neste domingo, 24 de maio, à Assembleia Nacional para seu informe anual, um ano após sua reeleição. O discurso ocorre em um cenário desafiador, marcado pelo ano mais violento da história do país em 2025 e pela intensificação da cooperação em segurança com os Estados Unidos. A ocasião também é palco de uma possível boicote da oposição, que acusa o governo de violações de direitos. O Campo Grande NEWS checou os detalhes deste momento crucial para a gestão Noboa.

Noboa em foco: segurança e alianças internacionais

A segurança pública será o eixo central do discurso do Presidente Daniel Noboa Azín à Assembleia Nacional. O Equador encerrou o ano de 2025 com um número alarmante de 9.281 mortes violentas, um recorde histórico, com massacres concentrados em províncias costeiras. Apesar de o início de 2026 apresentar uma tendência de queda, o impacto na percepção pública do ano anterior ainda é um fator político relevante. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a estratégia de segurança do governo é apresentada como um sucesso inicial, mas o peso do passado violento ainda paira sobre a administração.

Um ano de recordes e cooperação com os EUA

O ano de 2025 foi o mais violento da história equatoriana, com um total de 9.281 mortes violentas. Essa estatística sombria se tornou o principal desafio para o governo de Daniel Noboa. Em resposta, a administração intensificou a cooperação militar e de inteligência com os Estados Unidos. Uma reforma constitucional aprovada em 20 de fevereiro permitiu a presença militar estrangeira em território equatoriano sob condições específicas, um marco na política de segurança do país e a base para uma arquitetura de segurança bilateral mais profunda com Washington.

Essa reforma, que removeu a proibição constitucional anterior, foi aprovada com 77 votos na Assembleia Nacional. Ela é vista como um passo fundamental para fortalecer o combate ao narcotráfico e a outros crimes transnacionais, áreas de grande preocupação para o Equador. O Campo Grande NEWS apurou que essa parceria com os EUA visa a troca de inteligência e operações conjuntas.

Oposição ameaça boicote e acusações de violações

O bloco de oposição Revolución Ciudadana, alinhado a Rafael Correa, sinalizou a possibilidade de boicotar a cerimônia. A líder da bancada, Patricia Núñez, declarou que a presença no evento legitimaria o que o bloco considera violações de direitos cidadãos, citando a prisão de figuras como Aquiles Álvarez e Jorge Glas como detenções políticas. Essa postura reflete a profunda polarização política que marca o atual ciclo de Noboa no Equador.

A maioria na Assembleia Nacional, controlada pelo partido de Noboa, Accion Democrática Nacional (ADN), tem aprovado reformas consideradas inconstitucionais pela oposição. A situação de Jorge Glas, ex-vice-presidente equatoriano, que foi detido em uma operação na embaixada mexicana em Quito, é um ponto de contenda bilateral e constitucional contínuo, alimentando o descontentamento da oposição.

O que é o Informe a la Nación e quem é Daniel Noboa?

O Informe a la Nación é o discurso presidencial anual obrigatório à Assembleia Nacional, previsto no Artigo 147 da Constituição equatoriana. Nele, o presidente apresenta o andamento do Plano Nacional de Desenvolvimento e os objetivos do governo para o ano seguinte. Daniel Noboa Azín, um político de centro-direita, assumiu a presidência para completar o mandato de Guillermo Lasso e, em abril de 2025, foi reeleito para um mandato completo de quatro anos, que se estende até 2029. Sua posse para este novo período ocorreu em 24 de maio de 2025.

A Accion Democrática Nacional (ADN) é o movimento político liderado por Noboa e que detém a maioria na Assembleia Nacional desde as eleições de abril de 2025. O partido tem sido fundamental para a aprovação de reformas importantes, incluindo a de cooperação em segurança. A presença de cerca de 1.500 convidados é esperada para a cerimônia, que deve durar entre 15 e 30 minutos e será transmitida pelas rádios e televisões nacionais.