O cenário político e econômico da América Latina apresenta um mosaico de decisões estratégicas e desafios nesta semana. Na Argentina, o presidente Javier Milei movimentou o tabuleiro fiscal ao vincular cortes em impostos de exportação à sua possível reeleição em 2027. O movimento, que visa garantir apoio do agronegócio, acende debates sobre o futuro econômico do país. Paralelamente, a Colômbia se aproxima de um segundo turno eleitoral incerto, com pesquisas convergindo para um cenário apertado. A Venezuela vê a ExxonMobil em negociações avançadas para retornar a campos petrolíferos, um sinal de mudanças no setor energético da região. Na Bolívia, a gestão governamental dá sinais de instabilidade com exigências sindicais, enquanto o Brasil avança em um importante projeto de infraestrutura ferroviária. O Panamá, por sua vez, endurece relações com a Costa Rica em uma disputa comercial. Essas movimentações, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, refletem as complexas dinâmicas que moldam o continente.
Argentina: Milei aposta na reeleição para cortes fiscais
O presidente argentino, Javier Milei, anunciou uma estratégia fiscal audaciosa, ligando a redução de impostos sobre exportações agrícolas à sua potencial reeleição em 2027. Em um evento na Bolsa de Cereales, Milei comunicou que os impostos sobre trigo e cevada cairão de 7,5% para 5,5% a partir de junho, de forma incondicional. No entanto, a redução gradual do imposto sobre a soja só ocorrerá a partir de janeiro de 2027, e apenas “se formos reeleitos”. Essa medida, que representa um custo fiscal estimado entre US$ 580 milhões e US$ 687 milhões, segundo estimativas da Romano e LCG, busca assegurar o apoio do setor agropecuário para as eleições de meio de mandato e além. A safra 2025/26 alcançou um recorde de 163,2 milhões de toneladas, um aumento de 21,25%. O mercado, contudo, parece ter precificado o anúncio, com o índice MERVAL recuando 1,08%, indicando que a condição para a soja foi vista como um fator de médio prazo.
Colômbia: Pesquisas apontam teto para Cepeda em disputa eleitoral
A oito dias do primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia, três pesquisas divulgadas nesta quinta e sexta-feira convergem para um cenário semelhante: Iván Cepeda lidera, mas com um teto eleitoral definido. Uma pesquisa da Invamer para a Caracol indica 44,6% para Cepeda, contra 31,6% de De la Espriella e 14,0% de Valencia. Já a Guarumo para o El Tiempo mostra 37,1% para Cepeda, 27,5% para De la Espriella e 21,7% para Valencia, com Cepeda perdendo em ambos os cenários de segundo turno. A Fundación Génesis Crea apresenta números de 34,3% para Cepeda, 27,9% para De la Espriella e 21,7% para Valencia. A rejeição a Cepeda, medido pelo índice de “nunca votaria”, permanece em 42,9%. De la Espriella se consolida como a principal alternativa de direita, enquanto Valencia se mantém como a segunda opção. O índice COLCAP fechou em 2.083 pontos, com queda de 0,85%.
Venezuela: ExxonMobil negocia retorno ao setor petrolífero
A gigante petrolífera ExxonMobil está em negociações avançadas para retomar os direitos de produção em até seis campos de petróleo na Venezuela, segundo o New York Times. Um anúncio pode ocorrer ainda este mês. Essa movimentação segue a expansão da Chevron em sua participação na Petroindependencia e uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos que permite contratos diretos com a PDVSA e arbitragem internacional. O preço do petróleo Brent, entre US$ 90 e US$ 110, também impulsiona o interesse. Curiosamente, a ExxonMobil havia classificado a Venezuela como “não investível” em janeiro, mas uma equipe da empresa visitou Caracas em abril. Um possível acordo com a Venezuela pode complicar a disputa territorial de Essequibo com a Guiana, onde a ExxonMobil opera um consórcio offshore.
Bolívia: Crise sindical e reviravolta política
A gestão boliviana enfrentou uma reviravolta em suas negociações com o setor sindical. A Central Obrera Boliviana (COB) confirmou que só dialogará com o novo ministro do Trabalho, Williams Bascopé, se o governo anular a ordem de prisão contra o secretário-geral Mario Argollo. Essa exigência, conforme o Campo Grande NEWS apurou, é inviável para o governo, pois significaria ceder à pressão sindical. Bloqueios de estradas aumentaram para 51 em sete departamentos, e a federação Túpac Katari convocou uma marcha. A COB mantém a exigência da renúncia do ministro anterior, Rodrigo Paz. A nomeação de Bascopé abriu uma porta para o diálogo, que foi fechada pelo sindicato em menos de um dia útil.
Brasil: STF libera Ferrogrão, abrindo caminho para leilão
O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil liberou o projeto da Ferrogrão, uma ferrovia de 933 km que ligará Mato Grosso ao porto de Miritituba, no Pará. A decisão, por 8 votos a 1, validou a lei de 2017 que reduziu a área do Parque Nacional do Jamanxim, removendo um obstáculo legal para a concessão. O ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou que o leilão da concessão ocorrerá no segundo semestre de 2026, como parte de um programa de R$ 600 bilhões em concessões ferroviárias. A licença ambiental do IBAMA ainda é aguardada. O Ibovespa fechou em queda de 0,81%, e a bolsa de valores brasileira tem apresentado volatilidade. O leilão deve atrair grandes players do setor logístico e fundos de infraestrutura.
Panamá e Costa Rica: Disputa comercial e suspensão de energia
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, ordenou a suspensão imediata e indefinida das vendas de eletricidade para a Costa Rica, alegando falta de reciprocidade. A medida surge em resposta a uma escalada na disputa comercial iniciada em 2019, relacionada a laticínios, carne e frutas tropicais. A companhia elétrica costarriquenha afirmou que não há contratos firmes de compra. Essa ruptura diplomática e comercial espelha outros conflitos ideológicos na região, como o ocorrido entre Colômbia e Bolívia. Enquanto isso, o índice IPC do México permaneceu estável, refletindo a cautela do mercado e a manutenção da taxa de juros pelo Banco Central mexicano.


