12 prefeituras de MS compraram livros de editora investigada em SP

Ao menos 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul contrataram, sem licitação, a Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, conhecida como Editora Avante, para a compra de livros paradidáticos. Os contratos, firmados entre 2022 e este ano, totalizam R$ 22.179.312,80. O caso veio à tona com a Operação Gutenberg, do Gaeco, que investiga fraudes em compras públicas.

A Editora Avante é suspeita de integrar um grupo criminoso que cooptava servidores públicos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, dispensando licitações. A investigação estima que os valores desviados dos cofres públicos pela organização cheguem a R$ 27 milhões. A operação resultou no cumprimento de 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão em cidades de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

O dono da editora, Joatan Gomes Peixoto, e seu filho, Matheus Oliveira Peixoto, foram presos. As aquisições visavam a compra de materiais paradidáticos, coleções temáticas e kits pedagógicos para alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, com o objetivo de apoiar práticas pedagógicas, fortalecer a formação cidadã e ampliar repertórios de leitura e competências socioemocionais e ambientais.

Contratos milionários sob investigação

Um dos contratos mais recentes foi firmado com a Prefeitura de Nova Alvorada do Sul, em maio deste ano, no valor de R$ 256,2 mil. Campo Grande também realizou compras da editora, incluindo um projeto e um livro chamados “Craque na Vida”, destinados a levar ações e capacitações para escolas municipais. Na Capital, as atividades, que ocorreram em maio de 2024, custaram R$ 3,2 milhões e visavam alcançar 29 mil alunos do 6º ao 9º ano.

O projeto educacional descrito utiliza livros, suporte pedagógico e ferramentas tecnológicas para identificar habilidades e inteligências dos alunos, além de mapear o ambiente escolar e identificar ameaças como violências verbais e físicas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a partir dos dados coletados, as escolas traçam ações de melhoria, desde prevenção ao uso de drogas e bullying até o aprimoramento das relações sociais.

Dourados lidera gastos sem licitação

Os maiores contratos foram firmados com a Prefeitura de Dourados, somando R$ 13 milhões. O primeiro, de setembro de 2023, foi de R$ 4,3 milhões, e o segundo, de julho de 2024, custou R$ 8,6 milhões. As aquisições incluíram kits pedagógicos com coleções sobre cores, formas, letras, números, saúde, e temas como obesidade infantil e perigos de drogas.

Outras prefeituras que contrataram a Editora Avante sem licitação incluem Bonito (R$ 357.618,00 em dezembro de 2024), São Gabriel do Oeste (R$ 640,1 mil em abril de 2024), Miranda (R$ 1 milhão), Ivinhema (R$ 874,1 mil em dois acordos em julho de 2022), Sonora (R$ 302,2 mil entre novembro de 2024 e março de 2025), Anaurilândia (R$ 207,6 mil em abril deste ano), e Deodápolis (R$ 474,8 mil).

Mais municípios e apreensões na Operação Gutenberg

Caarapó pagou R$ 589,3 mil à editora em dezembro de 2025, e Porto Murtinho, R$ 249,9 mil em agosto de 2023. Ladário firmou quatro contratos entre dezembro de 2022 e agosto de 2024, totalizando R$ 1,2 milhão. A Operação Gutenberg cumpriu mandados em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo e Abadiânia (GO).

Além do esquema com os livros, a operação investiga a possível atuação de funcionários públicos em um esquema relacionado à regulação de consultas, exames, cirurgias e leitos da rede pública de saúde. No Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, o Gaeco apreendeu materiais. Durante a operação, foram apreendidos R$ 69.795 em espécie e 907 dólares. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, parte do dinheiro estava em cédulas lacradas pelo Banco Central, evidenciando a magnitude da investigação.

A investigação do Gaeco busca desarticular um grupo suspeito de fraudar licitações e desviar recursos públicos. A participação de servidores públicos é um ponto crucial na apuração, indicando a complexidade do esquema. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos desta operação que afeta diretamente os cofres públicos e a aplicação de recursos na educação.