O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (8) um pedido para anular a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que permitiu a eleição de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno para governador do Rio de Janeiro. A decisão impede a realização de um segundo turno na disputa.
O recurso foi protocolado pela campanha de Eduardo Paes (PSD), que buscava suspender a determinação do TSE de anular os votos obtidos por Anthony Garotinho (Republicanos). Com a anulação, Ruas ultrapassaria os 50% dos votos válidos, garantindo sua vitória em primeiro turno.
Zanin justificou sua decisão afirmando que não cabe ao STF interferir no caso neste momento, pois ainda existem recursos a serem julgados no próprio TSE. Ele ressaltou que a interposição de um recurso extraordinário ainda não ocorreu, e tampouco o esgotamento das vias recursais na corte eleitoral.
STF mantém eleição de Douglas Ruas no Rio
A decisão do ministro Zanin libera o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) para prosseguir com a recontagem dos votos e confirmar a eleição de Douglas Ruas. A cerimônia de diplomação está marcada para o próximo sábado (10).
No recurso rejeitado, os advogados da coligação de Paes argumentaram que a vontade dos eleitores deveria ser respeitada. Segundo eles, a anulação dos votos de Garotinho não afetaria apenas o candidato, mas também o eleitorado fluminense.
“Negar ao eleitor fluminense o segundo turno, sob fundamento de que os votos destinados ao candidato Anthony Garotinho devem ser descartados, é desprestigiar a vontade do povo do estado do Rio de Janeiro – que, note-se, não elegeu Douglas Ruas no primeiro turno”, afirmaram os defensores de Paes.
Anulação de votos de Garotinho muda cenário eleitoral
A nova contagem de votos, com a exclusão dos votos de Garotinho, fará com que Douglas Ruas alcance mais de 50% dos votos válidos. Essa é a regra principal para que um candidato seja declarado vencedor no primeiro turno, excluindo brancos e nulos.
Antes da decisão do TSE, Ruas havia obtido 4.271.199 votos, correspondendo a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes, por sua vez, conquistou 3.706.984 votos válidos (42,76%). Anthony Garotinho recebeu 274.411 votos (3,17%). Seu nome permaneceu na urna, pois a decisão do TRE-RJ que o impediu de concorrer foi tomada após o fechamento do sistema de votação.
A decisão do ministro Zanin, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, impede que a vontade expressa nas urnas seja alterada por uma recontagem que, segundo a campanha de Paes, desconsideraria o voto popular. A movimentação jurídica visava garantir a realização do segundo turno, onde Paes teria mais chances de derrotar Ruas.
Argumentos da campanha de Paes rejeitados
A campanha de Eduardo Paes sustentou que a anulação dos votos de Garotinho impactaria diretamente a decisão do eleitor, que escolheu votar em Garotinho. Ao descartar esses votos, a eleição seria decidida sem considerar a totalidade das escolhas do eleitorado fluminense.
No entanto, o ministro Zanin considerou que ainda há espaço para recursos dentro do próprio TSE, o que torna prematura a intervenção do STF. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal geralmente exige o esgotamento de todas as instâncias inferiores antes de aceitar um recurso extraordinário.
A interpretação de Zanin, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, foca na inexistência de um recurso extraordinário devidamente admitido e na ausência do esgotamento das vias recursais no TSE. Essa postura reforça a autonomia das decisões eleitorais tomadas pelas instâncias competentes.
Próximos passos e diplomação de Ruas
Com a decisão de Zanin, o processo eleitoral no Rio de Janeiro segue o curso determinado pelo TSE. O TRE-RJ agora tem o caminho livre para realizar os procedimentos necessários para a diplomação de Douglas Ruas como governador eleito.
A expectativa é que a cerimônia de diplomação ocorra conforme o planejado, consolidando o resultado do primeiro turno. A decisão do STF, neste caso, representa um desfecho para a disputa judicial que visava forçar um segundo turno.
A equipe jurídica de Eduardo Paes ainda pode tentar outras medidas judiciais, mas a decisão de Zanin representa um obstáculo significativo. A análise do Campo Grande NEWS indica que a falta de esgotamento das instâncias recursais no TSE foi o fator determinante para a rejeição do pedido.
O caso demonstra a complexidade do sistema eleitoral brasileiro e a importância das decisões judiciais na definição dos resultados. A atuação do STF, neste contexto, visa garantir a segurança jurídica e o respeito aos trâmites processuais estabelecidos.


