Violência política contra mulheres dispara: Agressões e ameaças assombram candidatas

A escalada da violência política de gênero no Brasil tem se tornado uma sombra assustadora para mulheres que ousam disputar cargos eletivos, especialmente em anos eleitorais. Relatos chocantes de agressões físicas, ameaças de morte e difamação virtual têm emergido com força, levantando preocupações sobre a saúde da democracia brasileira. Dados alarmantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um aumento de 11 vezes nos processos relacionados a esse tipo de crime entre 2022 e 2024, evidenciando a urgência de ações efetivas.

Em Pernambuco, uma deputada estadual foi hospitalizada após ser atingida por uma pedrada durante um ato de campanha no interior do estado. No Espírito Santo, a campanha de uma candidata a deputada federal foi alvo de um artefato explosivo. Em Minas Gerais, outra candidata enfrentou ameaças de estupro online e teve dados de seus familiares expostos. No Rio de Janeiro, a intimidação tomou a forma de uma ameaça de morte direta, com menção explícita ao brutal assassinato da ex-vereadora Marielle Franco. Esses casos gravíssimos foram compilados por movimentos sociais que apresentaram um documento ao TSE exigindo medidas do Estado para conter a onda de agressões.

A impunidade é apontada como um dos principais combustíveis para a perpetuação da violência. Segundo Gisele Barbiere, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, a falta de responsabilização encoraja os agressores. “A impunidade, a falta de respostas para esses casos faz com que esses algozes se sintam mais encorajados a intimidar e violentar as mulheres dessa forma”, afirma.

Ameaças que ferem a democracia

A violência política de gênero não se limita a ataques individuais; ela atinge o cerne da representação democrática. Larissa Amorim, coordenadora de Programas e Estratégia do Instituto Marielle Franco, ressalta o impacto devastador dessas ações. “Quando você expõe dados pessoais, ou quando você ameaça a família daquela parlamentar ou daquela gestora pública, isso ameaça, inclusive, o direito ao exercício do seu mandato, ou exercício da sua ocupação de caráter político. O que, por sua vez, ameaça o princípio de representação política. Então, é um problema da nossa democracia”, explica.

Para combater essa realidade, os movimentos sociais defendem uma abordagem multifacetada. A cooperação com plataformas digitais para identificar e punir agressores online, bem como campanhas de conscientização para que as próprias vítimas reconheçam e denunciem a violência política, são estratégias cruciais. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a responsabilização dos agressores é um passo fundamental para quebrar o ciclo de impunidade.

Mulheres negras: Alvos prioritários da violência

Uma pesquisa reveladora do Instituto Marielle Franco, divulgada em 2025, lança luz sobre um aspecto ainda mais cruel da violência política: a interseccionalidade com raça. O estudo, que analisou 77 casos entre 2021 e 2025, constatou que 87% das vítimas eram mulheres negras. Essa disparidade revela uma forma de agressão mais perversa, que ataca diretamente o corpo, a aparência e utiliza xingamentos comparando as mulheres a animais.

Gisele Barbiere detalha a natureza dessa violência: “O que a gente vê quando se trata dessa violência de gênero com esse recorte racial é uma violência muito mais perversa, porque ela sempre vai diretamente em críticas ao corpo, à aparência. São xingamentos comparando as mulheres a animais”. A gravidade dessa constatação exige ações específicas e um olhar atento para as especificidades da experiência das mulheres negras na política.

Larissa Amorim aponta a necessidade de aprimorar a legislação existente. Ela defende a inclusão explícita da perspectiva de raça na Lei 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. “E por que isso é importante? Porque se ela (a lei) não traz uma dimensão racial na sua estrutura, essa certamente não é uma dimensão que será incorporada pelas políticas construídas a partir da lei”, alerta.

A inclusão da perspectiva racial na lei é vista como essencial para qualificar a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento à violência política de gênero e raça. “E é uma coisa que precisa ser feita pra gente qualificar a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento à violência política de gênero e raça. Porque as mulheres negras, as mulheres trans negras, inclusive, são alvo prioritário dessa violência”, conclui Amorim. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a luta por uma democracia mais inclusiva passa necessariamente pelo combate a todas as formas de discriminação e violência. A garantia de que mulheres de todas as raças e identidades possam participar plenamente da vida política é um desafio urgente, e o portal Campo Grande NEWS acompanha de perto os desdobramentos dessa luta por igualdade e segurança no cenário político brasileiro, como atestado pela sua expertise em cobrir temas relevantes para a sociedade.