Violência doméstica: MS registra quase 500 vítimas em 10 dias de 2026

Violência doméstica: MS registra quase 500 vítimas em 10 dias de 2026

Os primeiros dez dias de 2026 foram marcados por um cenário alarmante de violência doméstica em Mato Grosso do Sul. Conforme dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), 478 mulheres sofreram algum tipo de agressão no Estado nesse curto período. Apenas 15 dos 79 municípios sul-mato-grossenses não registraram nenhuma ocorrência, evidenciando a amplitude do problema.

Campo Grande se destaca negativamente, concentrando 155 dos casos. As vítimas mais frequentes são mulheres adultas, na faixa etária de 30 a 59 anos, seguidas por jovens de 18 a 29 anos. O perfil racial predominante entre as agredidas é o de mulheres pardas (267), seguidas por brancas (119) e pretas (36). A maioria das agressões ocorre no ambiente doméstico, com 303 casos registrados em residências.

Os dados revelam um preocupante recorte territorial, com bairros periféricos da capital concentrando o maior número de ocorrências. Essa realidade é um reflexo da complexidade da violência de gênero, que atinge mulheres de diferentes idades e origens, e se manifesta de forma mais intensa em áreas de maior vulnerabilidade social.

Perfil das Vítimas e Cenários da Violência

Em Campo Grande, a violência doméstica tem um impacto significativo, com 155 registros nos primeiros dez dias do ano. O levantamento detalhado pelo TJMS aponta que a faixa etária de 30 a 59 anos é a mais afetada, mas a agressão atravessa gerações, atingindo também idosas, adolescentes e até crianças. São 39 casos envolvendo idosas, 14 adolescentes e quatro crianças, um dado que exige atenção redobrada.

O perfil racial das vítimas em Mato Grosso do Sul mantém uma tendência observada em anos anteriores. Mulheres pardas somam 267 ocorrências, brancas 119 e pretas 36. Há também registros de violência contra indígenas (12) e amarelas (2), além de 42 casos onde a cor ou raça não foi informada. Essa diversidade de perfis reforça a necessidade de políticas públicas abrangentes e personalizadas.

Em Campo Grande, a concentração de casos em bairros periféricos como Parque do Lageado, Los Angeles e Jardim Colúmbia, seguidos por Itamaracá, Centenário, Guanandi e Cabreúva, demonstra que a violência está intrinsecamente ligada a questões sociais e econômicas. O **Campo Grande NEWS** tem acompanhado de perto a realidade desses bairros, como na reportagem que detalha a rotina de uma criança vítima de violência no Jardim Los Angeles.

Ambiente Doméstico como Principal Palco das Agressões

O lar, que deveria ser um espaço de segurança, continua sendo o principal palco das agressões. Dos 303 casos registrados em residências, muitos envolvem violência física, psicológica e patrimonial. Outras 78 ocorrências aconteceram em vias públicas, indicando que a violência pode extrapolar os limites do domicílio, mas a raiz do problema frequentemente reside no ambiente familiar.

O levantamento do TJMS também aponta que, em 77 casos, a violência foi cometida pelo cônjuge, evidenciando que as relações íntimas de parentesco são um fator de risco significativo. Conforme o **Campo Grande NEWS** checou, a dinâmica de poder e controle dentro do relacionamento é um dos fatores cruciais que perpetuam esse ciclo de violência.

Um Retrato da Violência: O Caso de uma Criança Atingida

Uma ocorrência recente noticiada pelo **Campo Grande NEWS** ilustra a gravidade da situação. Uma criança no Jardim Los Angeles precisou ligar nove vezes para o 190 para conseguir denunciar as agressões sofridas em casa. A reportagem descreve um cenário de vulnerabilidade social, com ruas sem asfalto e casas simples, onde a violência se tornou rotina.

A mãe relatou que as agressões, direcionadas principalmente à filha, incluíam xingamentos, agressões físicas e até a quebra de um celular contra a cabeça da menina. Em outra ocasião, a criança foi empurrada contra uma porta, resultando em um ferimento no olho. A tentativa de asfixia ao tampar boca e nariz da filha demonstra a crueldade dos atos.

A denúncia partiu da própria criança, que aprendeu na escola sobre o número de emergência. Ao ligar para o 190, ela relatou que o pai e a mãe estavam brigando, o que levou à prisão em flagrante do agressor. O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Comparativo Alarmante com Janeiro de 2025

Para dimensionar a gravidade do cenário, em janeiro de 2025, Mato Grosso do Sul registrou 1.961 vítimas de violência doméstica. Desse total, 744 casos ocorreram em Campo Grande. Esses números indicam que, mesmo com campanhas e políticas de enfrentamento, os indicadores permanecem elevados e preocupantes já no início de 2026.

É fundamental que a sociedade se una no combate à violência contra a mulher. Denúncias podem ser feitas através do 180, que atende 24 horas e oferece orientação e acolhimento. Em situações de risco imediato, o 190 deve ser acionado. Seu gesto pode salvar uma vida.