Vídeos revelam: homem achado morto caçava javalis com cães em MS

Um homem de 35 anos, identificado como Edso Granzotto, foi encontrado morto em uma área de mata em Douradina, Mato Grosso do Sul. A principal suspeita é que ele tenha sido vítima de um ataque de javali, com uma lesão na coxa direita compatível com mordida de animal. A Polícia Civil confirmou a presença de pegadas de javali no local. Momentos antes de ser encontrado, Granzotto pediu ajuda por rádio a um colega, relatando a presença de muitos animais na área. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a atividade de manejo de javalis, embora permitida em certas condições, exige autorização do Ibama.

Javali: perigo e manejo em Mato Grosso do Sul

A descoberta do corpo de Edso Granzotto em Douradina levantou questões sobre sua atividade e os riscos envolvidos. Vídeos compartilhados nas redes sociais da vítima indicam um histórico de caça e manejo de javalis com o auxílio de cães. A legislação brasileira permite o controle populacional de espécies exóticas invasoras, como o javali, mas exige processos rigorosos de autorização e regulamentação pelo Ibama.

As imagens revelam cenas de Granzotto em meio à natureza, muitas vezes com cães, em atividades que sugerem o rastreamento e o abate de javalis. Em uma das postagens, datada de junho do ano passado, a vítima aparece com cães e a música “O Caçador” ao fundo, que narra a rotina de um caçador. Outras postagens de setembro de 2025, com músicas como “Gineteada”, também associam a vítima a atividades rurais e de manejo de animais.

Esses vídeos, analisados pelo Campo Grande NEWS, mostram facas ensanguentadas e cães em ação contra os javalis, tanto em áreas de mata quanto em plantações. A presença de uma lesão na coxa direita de Granzotto, compatível com uma mordida de javali, e as pegadas do animal no local reforçam a hipótese de um ataque fatal. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte.

O que diz a lei sobre o manejo de javalis

A caça esportiva é proibida no Brasil. No entanto, o controle populacional de espécies consideradas invasoras, como o javali (Sus scrofa), é permitido mediante manejo regulamentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para realizar essa atividade, o interessado precisa cumprir uma série de requisitos legais.

É necessário estar cadastrado no Cadastro Técnico Federal (CTF/APP) na categoria de manejo de fauna exótica invasora, possuir certificado de regularidade, registrar todas as atividades no Sistema de Informação e Manejo de Fauna (Simaf) e obter as devidas autorizações de manejo e acesso. Ao final de cada período autorizado, relatórios sobre as atividades de controle devem ser apresentados ao Ibama.

Javalis: uma ameaça em Mato Grosso do Sul

Um relatório do Ibama de 2019 destacou áreas prioritárias para o manejo de javalis em Mato Grosso do Sul, classificando diversos municípios com prioridade “extremamente alta”, “muito alta” e “alta” para a prevenção de ocorrências. Entre as cidades listadas estão Aral Moreira, Guia Lopes da Laguna, Ladário, Laguna Carapã, Rochedo, Douradina, Fátima do Sul, Rio Brilhante, Anastácio, Angélica, Batayporã, Caarapó, Coxim, Dourados, Eldorado, Itaporã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Porto Murtinho e Corumbá.

Essas classificações indicam a **alta incidência e o potencial de impacto ambiental, socioeconômico e sanitário** causado pela proliferação de javalis nessas regiões. A atividade de Granzotto, portanto, se insere em um contexto de controle de uma espécie invasora que representa um desafio para o estado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A reportagem tentou contato com a Polícia Civil de Douradina para obter mais detalhes sobre a investigação, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A comunidade local e as autoridades seguem atentos às questões de segurança e manejo da fauna na região.