Vídeo: PM atira 3 vezes em travesti após arma cair em luta corporal

PM atira em travesti após arma cair em luta corporal no Centro

Um vídeo chocante capturou o momento em que uma travesti de 27 anos, identificada como Gabriela, foi atingida por três disparos de arma de fogo efetuados por um policial militar. O incidente ocorreu durante uma abordagem na região central de Campo Grande, próximo à Igreja Santo Antônio. As imagens das câmeras de segurança contradizem a versão inicial da polícia, que alegava que a vítima teria retirado a arma do coldre do policial. A gravação mostra a arma caindo durante uma luta corporal, sendo posteriormente pega pela travesti, que a teria apontado para os policiais antes de ser alvejada. Gabriela foi socorrida em estado grave para a Santa Casa.

A ocorrência se deu em uma área conhecida pela presença de usuários de drogas, onde a equipe policial realizava uma abordagem de rotina. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a câmera de segurança de um comércio na Avenida Calógeras registrou toda a sequência dos fatos. A gravação é crucial para entender a dinâmica do confronto e as circunstâncias que levaram aos disparos. O caso levanta questionamentos sobre os procedimentos policiais e a necessidade de múltiplos disparos em situações de abordagem.

A análise detalhada das imagens, conforme checado pelo Campo Grande NEWS, revela que a arma do policial militar caiu ao chão durante uma troca de socos com Gabriela. A travesti, que vestia short amarelo e camiseta branca, teria se aproximado dos policiais em meio à abordagem de outra pessoa. Após receber um chute, ela reagiu, e nesse instante, a arma do policial se desprendeu e caiu. Gabriela, então, pegou o revólver do chão e o apontou na direção da equipe policial, o que culminou na ação do outro militar, que efetuou os disparos.

Versão policial contestada por vídeo

Inicialmente, a versão apresentada pelo 1º Batalhão da Polícia Militar, através do tenente Ivan Llano, era de que Gabriela teria agido de forma a pegar a arma do policial durante a abordagem. Segundo ele, a travesti teria aproveitado a imobilização de outra pessoa para subtrair o armamento. Testemunhas e o próprio policial relataram que ela teria apontado a arma e tentado atirar. No entanto, o vídeo de segurança, como aponta o Campo Grande NEWS, apresenta uma narrativa diferente, mostrando a arma caindo e sendo pega pela vítima após a luta corporal.

O tenente Llano também afirmou que ainda não se sabe o motivo exato que levou o segundo policial a efetuar os disparos, justificando a ação como necessária para garantir a segurança da equipe. A vítima foi atingida no peito, abdômen e perna, caindo logo em seguida e necessitando de socorro médico imediato. A gravidade de seus ferimentos demandou atendimento hospitalar urgente, e seu estado de saúde é considerado grave.

Testemunha questiona quantidade de tiros

Aline Vieira Dias, 18 anos, que conhece Gabriela, relatou ao Campo Grande NEWS que chegou ao local logo após os disparos. Ela confirmou que a vítima fazia uso de drogas e que, possivelmente, estaria sob efeito no momento do ocorrido. Aline questionou a versão oficial sobre a quantidade de tiros disparados. Segundo ela, caso fosse uma situação de legítima defesa, um único disparo seria suficiente para conter a pessoa. Ela argumentou que quatro tiros, como ela percebeu, seriam mais com a intenção de matar do que de imobilizar, diferindo do que estava sendo divulgado.

Aline também comentou sobre a abordagem policial na região, mencionando que, embora a consulta de documentos seja uma rotina, por vezes os policiais agem de forma alterada. Ela defende que o respeito mútuo é fundamental, e que a forma como a abordagem é conduzida pode gerar reações. A testemunha também levantou a possibilidade de acusações injustas contra os usuários de drogas na área, indicando que nem sempre a versão apresentada pela polícia reflete a realidade completa dos fatos.

Investigação em andamento

As imagens das câmeras de segurança serão peças fundamentais na investigação deste caso. A Polícia Civil deverá analisar o vídeo detalhadamente para confrontar as versões apresentadas e determinar as responsabilidades. A apuração buscará esclarecer se houve excesso na ação policial e se a reação foi proporcional à ameaça. A perícia no local e os depoimentos colhidos também serão importantes para a conclusão do inquérito. A força policial, conforme noticiado, informou que foram três disparos, enquanto a testemunha alega ter ouvido quatro.

A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. A divulgação das imagens de segurança por veículos como o Campo Grande NEWS tem sido essencial para trazer mais transparência ao caso e permitir que a sociedade acompanhe o desenrolar das investigações. A expectativa é que a verdade venha à tona e que as devidas providências sejam tomadas, garantindo a justiça para todas as partes envolvidas.