Uma pequena marca de nascença na região lombar de Lucas Barbosa Machado, um bebê de 11 meses, foi o sinal que alertou a família para uma rara condição na medula espinhal. A lipomielomeningocele, diagnosticada precocemente, poderia comprometer os movimentos das pernas e as funções urinárias e intestinais da criança. A descoberta levou a uma cirurgia complexa em Campo Grande, realizada na última sexta-feira (31), para garantir um futuro com mais qualidade de vida para Lucas.
Bebê com verruga nas costas passa por cirurgia rara na medula
A história de Lucas Barbosa Machado, de apenas 11 meses, é um exemplo da importância da atenção a sinais que podem parecer inofensivos. Uma pequena verruga na região lombar, notada por uma enfermeira logo após o seu nascimento, foi o ponto de partida para um diagnóstico que mudaria a rotina da família. A condição rara, conhecida como lipomielomeningocele, é uma malformação congênita ligada ao fechamento incompleto da coluna vertebral e da medula espinhal durante as primeiras semanas de gestação.
“Não foi apenas uma verruguinha”, resume a mãe, Carla Barbosa Machado, 29 anos. Conforme relatado pelo Campo Grande NEWS, ela expressa gratidão pelo sinal que permitiu a busca por ajuda a tempo. A gravidez e o parto de Lucas transcorreram sem intercorrências, mas a observação atenta de uma profissional de saúde foi crucial.
A investigação começou em Dourados, cidade onde a família reside. Ultrassonografias e avaliações médicas foram realizadas, seguidas por uma ressonância magnética com sedação. O exame revelou que duas vértebras não haviam se fechado completamente e que um lipoma, uma massa de gordura, estava afetando a medula. Essa descoberta confirmou que a questão ia além de algo superficial ou estético, como explica Carla.
O que é a Lipomielomeningocele e como ela afeta o bebê
A lipomielomeningocele ocorre quando a medula espinhal não se fecha completamente durante o desenvolvimento fetal. No caso de Lucas, a medula estava presa a uma massa de gordura na região lombar. O neurocirurgião pediátrico Alexandre Casagrande Canheu, responsável pelo procedimento, explica que, com o crescimento da criança, a coluna se alonga, mas a medula, por estar fixa, sofre tração nos nervos. Isso aumenta o risco de sequelas neurológicas progressivas, como perda de movimentos nas pernas e dificuldades nas funções urinárias e intestinais.
Muitos casos, segundo o especialista, são diagnosticados tardiamente, quando a criança já apresenta dificuldades motoras. O médico ressalta que sinais aparentemente simples na região lombar de bebês, como verrugas, manchas ou pequenos orifícios na pele, devem ser investigados. “Muitas vezes os sintomas começam discretos. A criança demora mais para andar, começa a pisar torto ou apresenta alterações nos pés. Em muitos casos, o problema verdadeiro está na medula presa”, afirma Alexandre, em declaração divulgada pelo Campo Grande NEWS.
Cirurgia delicada e recuperação em Campo Grande
A cirurgia de Lucas, realizada em Campo Grande, foi um procedimento delicado. A previsão inicial era de seis horas, mas foi concluída em pouco mais de três. O objetivo era liberar a medula da compressão e prevenir a progressão do quadro. “O risco era justamente atingir nervos importantes durante a cirurgia, mas tivemos toda a monitorização necessária e correu tudo bem”, relata Carla, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Após o procedimento, Lucas permanece em recuperação na UTI pediátrica. A mãe descreve o pós-operatório como desafiador, mas ressalta a força do filho. A família precisou reorganizar a rotina, com Carla se afastando do trabalho e o marido, Gustavo, acompanhando os desdobramentos médicos. No entanto, eles contam com uma forte rede de apoio familiar e de amigos.
Tratamento precoce é essencial para evitar sequelas
O tratamento precoce foi fundamental para evitar complicações futuras. Sem a cirurgia, Lucas poderia ter desenvolvido perda progressiva dos movimentos, deformidades nos pés e dificuldades em funções essenciais. Alexandre Canheu enfatiza que, mesmo que a criança preserve algumas funções, o problema é progressivo e esperar pode significar perder o momento ideal para a intervenção.
O neurocirurgião pediátrico e fetal alerta que malformações do tubo neural têm se tornado mais frequentes. Ele estima que este foi o sexto procedimento semelhante realizado por ele somente neste ano. A prevenção é uma das chaves, e o médico reforça a importância da suplementação de ácido fólico antes da gravidez. “O uso do ácido fólico precisa começar antes mesmo da gestação, porque essas alterações acontecem nas primeiras semanas, muitas vezes antes da mulher descobrir que está grávida”, orienta.
A família de Lucas, apesar do susto e dos desafios, mantém a esperança em uma vida normal para o filho, graças à atenção dos profissionais que não negligenciaram os sinais. A história reforça a importância da vigilância e da busca por acompanhamento médico diante de qualquer alteração física, por menor que pareça.

