O debate sobre o futuro do transporte público em Campo Grande ganhou um novo capítulo com a votação na Câmara Municipal. O vereador Maicon Nogueira se destacou ao votar contra um substancial subsídio de R$ 28 milhões destinado ao Consórcio Guaicurus, empresa responsável pela operação dos ônibus na cidade. A decisão do parlamentar não é isolada, mas reflete uma profunda insatisfação com a qualidade do serviço oferecido à população.
A proposta, aprovada pela maioria dos vereadores, visava garantir um repasse mensal de mais de R$ 2,5 milhões ao longo de 2026. A justificativa oficial para o subsídio era cobrir os custos das gratuidades, como o passe estudantil e o transporte para idosos e pessoas com deficiência, além de candidatos a exames como o Enem e vestibulares. No entanto, para Maicon Nogueira, essa medida representa apenas um paliativo que perpetua um modelo considerado falido.
Críticas contundentes à gestão do transporte
Maicon Nogueira expressou veementemente sua oposição ao repasse, argumentando que o Consórcio Guaicurus tem entregado um serviço precário anualmente. Em suas palavras, o parlamentar destacou os problemas crônicos enfrentados pelos usuários: “Estamos falando de mais dinheiro público para um consórcio que, ano após ano, entrega um serviço precário à população: ônibus sucateados, atrasos constantes, superlotação e desrespeito aos usuários. Não é razoável continuar premiando a ineficiência”, afirmou o vereador.
O vereador também trouxe à tona dados que reforçam sua crítica. Ele lembrou que, além do novo subsídio, o Consórcio Guaicurus já se beneficiou de mais de R$ 40 milhões em isenção de ISS entre 2023 e 2025. Este benefício, que tem sido renovado desde 2022, não tem apresentado contrapartidas efetivas em melhorias na qualidade do transporte.
“É uma sequência de incentivos, perdões fiscais e repasses diretos, enquanto o transporte continua piorando. Quem paga essa conta é o cidadão”, criticou o vereador, salientando o impacto direto no bolso e na rotina dos cidadãos que dependem do transporte público diariamente.
Defesa de intervenção imediata e transparência
Diante desse cenário, Maicon Nogueira reforçou seu posicionamento em favor de uma **intervenção imediata no sistema de transporte coletivo**. Essa proposta tem sido uma bandeira defendida pelo parlamentar desde o início da CPI do Transporte Público, buscando uma solução mais profunda e estrutural para os problemas.
A intervenção, segundo o vereador, seria o caminho para garantir **transparência** nas operações, possibilitar uma **auditoria real** dos contratos e, fundamentalmente, **devolver a dignidade** aos usuários do transporte público. Ele enfatizou que a cidade não pode mais suportar o modelo atual, que demonstra incapacidade de atender às necessidades da população de forma eficiente e respeitosa.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a postura do vereador se alinha com a busca por um serviço que seja não apenas funcional, mas que também respeite o direito de ir e vir do cidadão com qualidade e segurança. A análise detalhada das fontes consultadas pelo Campo Grande NEWS indica que a insatisfação popular com o serviço é um fator recorrente.
Compromisso com a população
Maicon Nogueira reiterou seu compromisso em continuar atuando na fiscalização dos repasses públicos, na cobrança de responsabilidades por parte do consórcio e na pressão por **mudanças estruturais** no sistema. Sua atuação é pautada na defesa dos interesses da população, e não dos empresários do setor de transporte.
“Meu compromisso é com a população, não com empresários do transporte. Enquanto não houver um serviço eficiente, seguro e de qualidade, minha posição continuará sendo firme contra qualquer cheque em branco para o consórcio”, concluiu o parlamentar. A declaração reforça a necessidade de um debate mais amplo e de soluções que priorizem o bem-estar dos cidadãos que utilizam o transporte público diariamente em Campo Grande.
O Campo Grande NEWS continuará acompanhando os desdobramentos dessa questão, que afeta diretamente a mobilidade urbana e a qualidade de vida na capital.

