O vereador Maicon Nogueira (PP) relatou ter encontrado medicamentos que estariam em falta em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Campo Grande à venda em uma farmácia particular. A descoberta ocorreu durante uma fiscalização realizada após a Prefeitura de Campo Grande apontar dificuldades com fornecedores como causa para o desabastecimento na rede municipal de saúde.
A ação do parlamentar consistiu em ir até uma drogaria próxima ao CAPS com uma lista de aproximadamente 20 medicamentos. Segundo Nogueira, 12 desses itens, o que representa cerca de 60% do total, foram encontrados disponíveis para compra no estabelecimento comercial. A situação levanta questionamentos sobre a real disponibilidade desses fármacos na rede pública.
Medicamentos Essenciais em Farmácias, Mas Ausentes nos CAPS
Entre os medicamentos encontrados estavam substâncias cruciais para o tratamento de diversas condições de saúde mental e neurológica. A lista incluía remédios para depressão, ansiedade, transtorno do pânico, transtorno bipolar, esquizofrenia, outros transtornos psicóticos e epilepsia. Nomes como fluoxetina de 20 mg, fenitoína e diazepam foram mencionados pelo vereador.
De acordo com o parlamentar, a fenitoína foi localizada por cerca de R$ 6,70 e o diazepam por aproximadamente R$ 9. Esses valores, considerados baixos, intensificam a preocupação, pois demonstram que medicamentos de baixo custo, mas vitais, podem estar inacessíveis para pacientes do SUS que dependem exclusivamente dos Centros de Atenção Psicossocial.
Prefeitura Aponta Dificuldades com Fornecedores
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) tem justificado a falta de medicamentos alegando problemas com a cadeia de suprimentos. Segundo informações repassadas ao vereador Maicon Nogueira, as dificuldades incluem a interrupção da fabricação de certos fármacos por parte das indústrias e a falta de empresas interessadas em participar das licitações públicas do município.
“Quando a gente questiona na Secretaria de Saúde por que falta tanto medicamento, a desculpa é sempre a mesma: as empresas não estão mais fabricando esse medicamento, as empresas não estão concorrendo nos editais, nas licitações”, declarou o vereador, ecoando as justificativas oficiais que, para ele, não explicam a situação de forma satisfatória.
Suspeita de Atraso em Pagamentos a Fornecedores
Durante a fiscalização, o vereador Maicon Nogueira também recebeu informações que apontam para um possível problema de fluxo de caixa na prefeitura, o que estaria afetando o pagamento de empresas fornecedoras. A falta de repasses em dia poderia estar desestimulando as companhias a continuarem suprindo o município com os medicamentos necessários.
“A informação que nós temos é que, na verdade, a Prefeitura não paga essas empresas. Por não pagar essas empresas, essas empresas não têm mais interesse em vender para Campo Grande”, afirmou o parlamentar. Essa alegação, caso confirmada, indicaria uma falha administrativa grave com impacto direto na saúde da população.
Preocupação com Tratamentos Contínuos
A presença dos medicamentos em farmácias privadas, enquanto faltam nas unidades públicas, gera grande preocupação, especialmente para pacientes que necessitam de tratamentos contínuos. A dificuldade em obter fármacos para transtornos mentais e doenças neurológicas pode levar à interrupção de tratamentos, com consequências severas para a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
O vereador ressaltou que a existência dos remédios em estabelecimentos particulares não resolve o problema daqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e não possuem condições financeiras para arcar com os custos. “Se investe em saúde pública, por que a gente não está conseguindo investir no básico? Medicamentos de cinco, seis, oito, dez reais que salvam vidas”, questionou.
Medidas e Próximos Passos
Diante do cenário, o vereador Maicon Nogueira já tomou as primeiras providências. Ele apresentou requerimentos à Sesau solicitando informações detalhadas sobre o desabastecimento. Além disso, o parlamentar pretende formalizar denúncias junto à Defensoria Pública e ao Ministério Público para que os órgãos competentes investiguem a fundo a situação.
“Vamos continuar cobrando via requerimento, denúncias na Defensoria Pública e no Ministério Público”, declarou. A prefeitura ainda deverá apresentar um levantamento completo dos medicamentos em falta, os motivos específicos de cada desabastecimento e a situação contratual com os fornecedores, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A reportagem do Campo Grande NEWS buscou o posicionamento oficial da Sesau sobre as alegações de atraso de pagamento e as dificuldades de fornecimento. A Secretaria se comprometeu a fornecer um balanço detalhado sobre a situação dos estoques e dos contratos com as empresas. A falta de medicamentos básicos em unidades de saúde pública levanta sérias questões sobre a gestão dos recursos e a prioridade dada à saúde da população em Campo Grande, como destaca o Campo Grande NEWS.

