Vazamento de esgoto no Carandá Bosque: água suja e mau cheiro preocupam moradores

Um vazamento de esgoto a céu aberto transformou a tarde de segunda-feira (2) em um cenário de transtorno e mau cheiro no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande. A água poluída, carregada de resíduos como papel higiênico, escorria pela calçada e pela Rua Antônio Maria Coelho, próximo a uma das entradas do Parque das Nações Indígenas, gerando apreensão quanto à saúde pública e ao meio ambiente. A situação, que expõe a fragilidade da infraestrutura de saneamento, ocorre em um momento em que o estado de Mato Grosso do Sul lida com altos índices de desperdício de água, conforme dados recentes.

Esgoto a céu aberto causa revolta e preocupação no Carandá Bosque

A cena era de completo descaso: água suja jorrando da rede de esgoto e formando um rastro de poluição na via pública. O forte odor que se espalhava pelo bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, incomodava quem passava pelo local, especialmente na calçada em frente ao prédio administrativo da Cassems. O problema, registrado em vídeo, mostrava a água servida fluindo livremente pela rua, levantando questionamentos sobre a demora na solução e os riscos à saúde.

A presença de resíduos como papel higiênico no fluxo de esgoto escancarou a preocupação com a proliferação de doenças e a contaminação ambiental. A área afetada, por sua proximidade com o Parque das Nações Indígenas, um dos principais cartões postais da cidade e local de grande circulação de pessoas, intensifica a urgência de uma intervenção rápida e eficaz.

Diante do ocorrido, a reportagem do Campo Grande NEWS entrou em contato com a concessionária Águas Guariroba. Em resposta, a empresa informou que uma equipe foi enviada ao local para averiguar a situação e realizar os procedimentos necessários para a desobstrução da rede de esgoto. A concessionária ressaltou que extravasamentos como este são frequentemente causados pelo mau uso da rede, citando o descarte incorreto de resíduos sólidos e ligações irregulares de água da chuva como principais vilões. Conforme divulgado pela empresa, somente em 2025, mais de 690 toneladas de resíduos sólidos foram retiradas da rede, evidenciando a persistência do problema.

Desperdício de água: um problema crônico em Mato Grosso do Sul

O episódio do vazamento de esgoto no Carandá Bosque se insere em um contexto mais amplo de desperdício de água em Mato Grosso do Sul. Um levantamento recente do Instituto Trata Brasil, intitulado “Perdas de Água 2025”, aponta um cenário alarmante: o estado perde diariamente o equivalente a 108 piscinas olímpicas de água potável. A pesquisa, que utiliza dados de 2023, detalha que apenas Campo Grande desperdiça um volume diário capaz de encher 27 piscinas olímpicas.

Os números apresentados pelo estudo são contundentes e revelam a dimensão do problema no sistema de abastecimento. Em média, são perdidos 311,80 litros de água por ligação diariamente em Mato Grosso do Sul. Este índice ultrapassa o parâmetro de excelência estabelecido pela Portaria nº 490/2021, que visa a redução de perdas no setor de saneamento, definindo até 216 litros como ideal.

Campo Grande e as perdas que superam a meta nacional

Em Campo Grande, a situação é ainda mais crítica. Os dados indicam que 39,76% de toda a água distribuída é perdida antes de chegar às torneiras dos consumidores. Este percentual supera significativamente a meta nacional de 25%, o que demanda ações mais incisivas e investimentos em infraestrutura para conter o desperdício. As perdas por ligação na Capital chegam a 316,81 litros por dia, também acima do padrão considerado aceitável, como apontou o Campo Grande NEWS em matérias anteriores.

A necessidade de melhorias urgentes no sistema de saneamento básico é evidente. Situações como a registrada no Carandá Bosque são reflexos diretos da ineficiência na gestão dos recursos hídricos e da infraestrutura defasada. A conscientização da população sobre o descarte correto de resíduos e o combate às ligações clandestinas, aliadas a investimentos robustos em manutenção e modernização das redes, são passos cruciais para reverter esse quadro preocupante.

A Águas Guariroba, ao mencionar o mau uso da rede, reforça a importância da colaboração cidadã e da fiscalização. O problema do desperdício de água e a consequente precariedade do saneamento básico exigem um esforço conjunto do poder público, das concessionárias e da sociedade civil. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a busca por soluções eficazes para reduzir perdas e garantir a qualidade dos serviços de água e esgoto é um desafio constante para a cidade.