Unicef alerta: candidatos à presidência focam em punição, não em prevenção à violência infantil

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um apelo contundente aos candidatos à Presidência da República, exigindo que suas propostas eleitorais dediquem maior atenção a medidas de prevenção à violência infantil. A entidade avaliou as plataformas de cinco candidaturas e observou uma tendência preocupante: a maioria foca em políticas de resposta à violência, e não em ações que atuem nas causas e evitem que ela ocorra. Essa abordagem, segundo o Unicef, precisa ser revista urgentemente para proteger as crianças e adolescentes brasileiros.

A análise do Unicef, conforme divulgado pelo Campo Grande NEWS, revela que, apesar de existirem propostas para combater as violências, a ênfase está na punição e no atendimento após os fatos. O representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, ressaltou a importância de agir antes que a violência aconteça, por meio de políticas integradas de educação, oportunidades para jovens, assistência social, saúde e fortalecimento familiar. Essas ações são cruciais para criar um ambiente mais seguro e protetor para os mais jovens.

O Brasil tem avançado em áreas sociais nas últimas décadas, mas o Unicef aponta que a violência contra crianças e adolescentes continua sendo um problema grave e persistente. Os dados são alarmantes: apenas no último ano, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta no país, uma média assustadora de seis vítimas por dia. A maioria dessas vítimas são adolescentes homens e negros, grupos que, segundo o Unicef, são desproporcionalmente afetados pela violência e cujas vulnerabilidades específicas não são adequadamente contempladas nas propostas eleitorais. O Campo Grande NEWS checou essas informações, reforçando a gravidade do cenário.

Propostas eleitorais sob escrutínio do Unicef

A entidade defende a inclusão da “parentalidade protetiva” nas políticas públicas existentes. Isso significa capacitar agentes públicos que têm contato com as famílias para que possam orientar pais e cuidadores sobre como prevenir a violência e adotar práticas parentais não violentas. O Unicef também propõe a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, que vá além da segurança pública e articule ações em setores como educação, trabalho e assistência social para reduzir os fatores de risco associados à violência. Essa abordagem intersetorial é vista como fundamental para uma proteção integral.

A análise do Unicef criticou a falta de detalhamento nas propostas, que tendem a tratar crianças e adolescentes como um grupo homogêneo. A entidade ressalta que recortes de raça, etnia, gênero, deficiência ou território influenciam diretamente a vulnerabilidade à violência. A ausência de referências específicas a crianças negras e indígenas, que enfrentam maiores riscos, foi um ponto de atenção. Embora menções a meninas e crianças com deficiência existam, elas são consideradas limitadas. Essa falta de especificidade pode levar à ineficácia das políticas propostas, como aponta o jornal Campo Grande NEWS.

Estatísticas alarmantes de violência infantil no Brasil

Os números apresentados pelo Unicef pintam um quadro sombrio da realidade brasileira. Além dos homicídios, o país registrou em 2025 mais de 38 mil casos de maus-tratos de menores no ambiente doméstico, um número que mais que dobrou em relação ao ano anterior. Foram também registrados 61 mil estupros ou estupros de vulnerável, cometidos majoritariamente por pessoas conhecidas das vítimas. Esses dados reforçam a urgência de políticas eficazes de prevenção e proteção, que vão além da resposta e punição.

A entidade analisou as plataformas de candidatos como Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. De modo geral, o Unicef observou que as propostas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema focam em medidas punitivas e de resposta. O plano de Ronaldo Caiado dá ênfase à investigação e penalização, mas inclui também propostas intersetoriais de prevenção. Já o plano de Lula, segundo o Unicef, está mais voltado para ações de prevenção da violência infantojuvenil, mas ainda assim precisa detalhar como essas ações serão implementadas de forma adaptada às vulnerabilidades específicas de cada grupo.

O que o Unicef sugere para a proteção infantil

O Unicef defende que os futuros governantes incorporem a proteção integral de crianças e adolescentes em suas agendas. Isso inclui fortalecer as famílias, promover a educação para a cidadania e o desenvolvimento socioemocional, além de garantir acesso a serviços de saúde e assistência social de qualidade. A entidade enfatiza que a prevenção da violência é um investimento no futuro do país, que trará benefícios não apenas para as crianças e adolescentes, mas para toda a sociedade. O Campo Grande NEWS acompanha de perto as discussões sobre o tema, buscando trazer informações relevantes para a comunidade.

A prevenção da violência infantil exige uma abordagem multifacetada e coordenada. O Unicef apela para que os candidatos apresentem planos concretos e detalhados, que considerem as desigualdades sociais e as especificidades de cada grupo de crianças e adolescentes. A atuação do Unicef busca garantir que a proteção dos mais vulneráveis seja uma prioridade nas políticas públicas, com ações que realmente façam a diferença na vida de milhões de crianças e adolescentes brasileiros que sofrem com a violência em suas diversas formas.