União Europeia aprova acordo histórico com Mercosul: o que muda para o Brasil e Europa?

União Europeia aprova acordo de livre comércio com Mercosul em votação histórica

A União Europeia deu um passo significativo rumo à consolidação de um dos maiores blocos comerciais do mundo. Por uma ampla maioria, os países-membros da União Europeia (UE) aprovaram a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A decisão foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que celebrou o resultado como “histórico”.

Este acordo representa um marco nas relações comerciais entre os dois blocos, abrindo portas para novas oportunidades de crescimento, geração de empregos e fortalecimento de interesses para empresas e consumidores de ambos os lados. A aprovação abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia viaje ao Paraguai, que atualmente detém a presidência pro tempore do Mercosul, para ratificar o documento.

Apesar da aprovação expressiva, alguns países europeus votaram contra o acordo, incluindo Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia. No entanto, a decisão foi tomada com base nas regras do bloco, que exigiam o aval de ao menos 15 dos 27 Estados-membros, representando no mínimo 65% da população total da UE. Conforme informação divulgada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em sua conta na rede social X, a Europa está enviando um “sinal forte” de compromisso com o crescimento e empregos.

Impacto econômico e estratégico do acordo UE-Mercosul

No Brasil, a notícia foi recebida com grande otimismo por lideranças políticas e empresariais. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) estima que o acordo estabelece um mercado de quase **US$ 22 trilhões**, com potencial para impulsionar as exportações brasileiras para a UE em cerca de **US$ 7 bilhões**. Este novo cenário comercial abrange uma população de mais de 700 milhões de habitantes.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou a dimensão do mercado criado pelo acordo, superando a China e ficando atrás apenas dos Estados Unidos em termos de PIB. Ele também ressaltou a força da pauta exportadora brasileira, com mais de um terço das exportações para a Europa compostas por produtos da indústria de processamento, o que demonstra a competitividade e o valor agregado dos produtos nacionais.

Redução de tarifas e oportunidades para setores chave

O acordo prevê a **redução imediata de tarifas** para diversos produtos, incluindo máquinas e equipamentos de transporte, como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Essas áreas são consideradas estratégicas para a inserção competitiva do Brasil no mercado internacional. A redução tarifária também beneficiará setores como couro e peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e produtos químicos.

Além da redução imediata, o acordo também contempla a **diminuição gradual das tarifas** sobre diversas commodities, que eventualmente serão zeradas, sujeitas a cotas. Essa medida visa facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, promovendo um intercâmbio comercial mais dinâmico e vantajoso para ambas as partes, e consolidando a parceria estratégica entre os blocos.

Compromisso com o comércio e a confiança mútua

Ursula von der Leyen enfatizou a importância do acordo em um contexto global de incertezas e tensões comerciais. Ela declarou que, “em um momento em que o comércio e as dependências comerciais e econômicas estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável.”

A presidente da Comissão Europeia também elogiou a “forte liderança e boa cooperação” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil presidiu o Mercosul. A aprovação final do acordo dependerá agora da ratificação pelo Parlamento Europeu, mas o sinal verde do Conselho já representa um avanço crucial para a sua entrada em vigor e para o fortalecimento das relações comerciais entre a Europa e a América do Sul.